Que Sophia merece o Panteão, acho que nem se discute. Pergunto-me é quais serão afinal os critérios de selecção, e sobretudo fico aparvalhada com esta forma de dar notícias… como se ela estivesse em competição com o Eusébio para ver quem chega lá primeiro. Este país ensandeceu de vez??
(Para já não falar no crescente analfabetismo dos jornalistas. Quando a TSF escreve, assume e assina por baixo a palavra “transladada”, acho que está tudo dito.)
Actualização: afinal as palavras “trasladação” e “transladação” são sinónimos, ambas estão correctas. Agradeço aos comentadores que fizeram a correcção. Sempre a aprender.

Por acaso também eu, hoje, escrevi esse mesmo erro
Fiquei exactamente com a mesma sensação, de uma corrida ao panteão, tipo: “eu é que estou primeiro” Somos mesmo um país de invejosos sem escrúpulos.
Manuel, afinal parece que “transladação” é um português tão correcto como “trasladação”. Fizeram-me esse reparo entretanto e fui ver ao Priberan, que confirma. Mas “transladar” ainda me soa errado, não foi assim que aprendi a palavra. Sempre a aprender.
Hay país !! Soy contra !! …
No pasarán!
http://dre.pt/pdf1sdip/2000/11/276A00/68 286828.pdf
Obrigada. Deixo aqui o essencial do que diz o Diário da República:
“As honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.”
Mas não era esse exactamente o meu ponto. O que me chocou foi o título e a abordagem jornalística desta notícia, como se houvesse uma competição entre a candidata “dos intelectuais” e o candidato “do povo” para ver quem chega primeiro ao Panteão. Um absurdo.
Precisamente devíamos falar de critérios e por isso cabe discutir quer Eusébio quer Sophia ao merecimento do panteão. Não pode ficar a ideia de que Sophia vai para o panteão por ter sido uma excelente escritora. O panteão é para os heróis, não para os escritores mesmo os excelentes. Vitor Hugo está no panteão francês não porque fosse um grande escritor. O facto de ser um grande escritor deu-lhe o prestígio que usou para defender a liberdade de imprensa, a justiça social, o fim da pena de morte e chamar de traidor a Napoleão III quando este retirou os direitos cívicos do povo. Vitor Hugo defendeu o seu povo nos cargos que ocupou correndo riscos. Foi um herói para o povo que o não lia.
Sophia sofreu em vida por causa da defesa do povo. Esse deve ser o critério, não o da competência na arte a que se dedicava.
Sophia preenche quase todos os critérios em vigor, caro Xico. O que faz dela uma ocupante inquestionável do Panteão, digo eu.
Por isso chamei a atenção para que se discutisse o assunto. Que ficasse a ideia de Sophia no panteão só porque era escritora seria tremendamente injusto para ela.
E fez bem.
Não sei se o país ensandeceu ou se nunca teve siso. Proponho que doravante os panteiem a todos.
Apenas me parece que não tem razão no “transladar”. O dicionário Priberam diz isto :
transladar – Conjugar
(translado + -ar)
v. tr. e pron.
O mesmo que trasladar.
Já vi, José Catarino, mas obrigada pela correcção. Vou actualizar o post.
Ana Vidal, eu escreveria trasladada, mas o dicionário regista as duas formas. Já outro dia li ascoroso e pensei que era erro, mas o dicionário regista a palavra, como significando asqueroso.
Estes tempos baralham-nos…
Estes tempos baralham-nos, de facto. Não juro, mas diria que quando aprendi a palavra, só tinha uma forma. Mas talvez esteja enganada.