Ainda a loucura panteanista que assolou o país (se Assunção Esteves inventa palavras também posso fazer o mesmo)


Ana Vidal,

Que Sophia merece o Panteão, acho que nem se discute. Pergunto-me é quais serão afinal os critérios de selecção, e sobretudo fico aparvalhada com esta forma de dar notícias… como se ela estivesse em competição com o Eusébio para ver quem chega lá primeiro. Este país ensandeceu de vez??

 

(Para já não falar no crescente analfabetismo dos jornalistas. Quando a TSF escreve, assume e assina por baixo a palavra “transladada”, acho que está tudo dito.)

 

Actualização: afinal as palavras “trasladação” e “transladação” são sinónimos, ambas estão correctas. Agradeço aos comentadores que fizeram a correcção. Sempre a aprender.

14 comentários em “Ainda a loucura panteanista que assolou o país (se Assunção Esteves inventa palavras também posso fazer o mesmo)”

  1. Por acaso também eu, hoje, escrevi esse mesmo erro
    Fiquei exactamente com a mesma sensação, de uma corrida ao panteão, tipo: “eu é que estou primeiro” Somos mesmo um país de invejosos sem escrúpulos.

    1. Manuel, afinal parece que “transladação” é um português tão correcto como “trasladação”. Fizeram-me esse reparo entretanto e fui ver ao Priberan, que confirma. Mas “transladar” ainda me soa errado, não foi assim que aprendi a palavra. Sempre a aprender.

    1. Obrigada. Deixo aqui o essencial do que diz o Diário da República:
      “As honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.”

      Mas não era esse exactamente o meu ponto. O que me chocou foi o título e a abordagem jornalística desta notícia, como se houvesse uma competição entre a candidata “dos intelectuais” e o candidato “do povo” para ver quem chega primeiro ao Panteão. Um absurdo.

  2. Precisamente devíamos falar de critérios e por isso cabe discutir quer Eusébio quer Sophia ao merecimento do panteão. Não pode ficar a ideia de que Sophia vai para o panteão por ter sido uma excelente escritora. O panteão é para os heróis, não para os escritores mesmo os excelentes. Vitor Hugo está no panteão francês não porque fosse um grande escritor. O facto de ser um grande escritor deu-lhe o prestígio que usou para defender a liberdade de imprensa, a justiça social, o fim da pena de morte e chamar de traidor a Napoleão III quando este retirou os direitos cívicos do povo. Vitor Hugo defendeu o seu povo nos cargos que ocupou correndo riscos. Foi um herói para o povo que o não lia.
    Sophia sofreu em vida por causa da defesa do povo. Esse deve ser o critério, não o da competência na arte a que se dedicava.

      1. Por isso chamei a atenção para que se discutisse o assunto. Que ficasse a ideia de Sophia no panteão só porque era escritora seria tremendamente injusto para ela.

  3. Não sei se o país ensandeceu ou se nunca teve siso. Proponho que doravante os panteiem a todos.
    Apenas me parece que não tem razão no “transladar”. O dicionário Priberam diz isto :
    transladar – Conjugar
    (translado + -ar)
    v. tr. e pron.
    O mesmo que trasladar.

  4. Ana Vidal, eu escreveria trasladada, mas o dicionário regista as duas formas. Já outro dia li ascoroso e pensei que era erro, mas o dicionário regista a palavra, como significando asqueroso.
    Estes tempos baralham-nos…

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