Hoje talvez seja um bom dia para relembrar qual foi o pontapé – não foi bem um pontapé… – de saída para os 30 anos de guerra que racharam a Europa ao meio. Calhou-nos ficar no lado que se triunfasse não teríamos acabado à ponta perdida – azares. Nem com os ansiados golos do CR7 haveremos de tragar tanta cevada como eles, falta-nos costela de boémios, é o que é. E embora jogue o Postiga no lugar do Hugo, alma até Almeida rapazes!


Isso é gente rija, pois sobreviveu à defenestração… ou, pelo outro lado, incompetente, por deixá-los escapar.
Já depois cá, o certificado de óbito do Miguel foi excessivo.
Na altura, a coisa ainda teve um remédio de convento, mas não aguentou a infecção externa nos tremores do marquês.
Terá o Bento água suficiente para afogar a presunção dos cachecóis checos?
O jaa desculpe lá, os meus conhecimentos de história estão em baixo. Os trinta anos de guerra que racharam a Europa ao meio não foram 1616-1646, a guerra dos Trinta Anos? Ora, pergunto eu, que teve Portugal a ver com ela? Que teve a defenestração de 1 de dezembro de 1640 a ver com isso?
Obrigado pelos esclarecimentos.
Ó lucklucky, mas a quem é que está a chamar jaa?
Parece-me ser o Luís Lavoura não eu…
Quem falou da defenestração de 1640 fui eu… o JNA colocou um boneco da 2ª defenestração de Praga, em 1618, onde por “graça divina” os católicos sobreviveram.
Portugal estando sob domínio Habsburgo até 1640, esteve metido na maior parte da Guerra dos 30 anos, pelo lado perdedor.
Porém, conforme sugere JNA, a situação foi mais complicada, pois saímos da independência pelo lado católico, ou seja o lado excomungado por Vestfália.
Só não foi pior, porque os ingleses tinham acabado de correr com Cromwell e o casamento de Catarina ajudou… ajudou muito mais a Inglaterra do que a nós.
Logo depois de Vestfália, França e Espanha fizeram as pazes, o que nos deu décadas de guerra de restauração.
As “ajudas” que tivémos foram ao estilo “Peniche”… pelo menos conseguimos só ter guerras ultramarinas com os holandeses e os ingleses deixaram-nos “quase” em paz.
O Marquês de Marialva bem dispensava a “ajuda” do Conde Schomberg, que foi traiçoeiramente destinada a ajudar o colaborante Pedro II a enfiar o insubordinado Afonso VI no calabouço.
A primeira ajuda militar inglesa só veio no tempo do Marquês de Pombal, já que a fantochada da sua política de “abalos” tinha chegado ao ponto de não termos exército, e ficámos à mercê dos espanhóis na Guerra Fantástica, que conquistaram Salvaterra de Magos, ficando à beira de Lisboa.
E é chamada Fantástica, porque é relegada para notas marginais, que não mostrem a propositada degradação do império português. Coisa muito útil, para os interesses dos Habsburgos austríacos, da corte de D. José I, e para os planos da maçonaria inglesa, pelo Marquês, que não caminhou ao lado do leão, mas sim debaixo dele.
Fico-me por aqui, porque estas nem são as patranhas mais escandalosas da nossa estorieta nacional, que se alimenta nos “desencobrimentos”, a que também se chama “descobrimentos”.
Boa!
“Logo depois de Vestfália, França e Espanha fizeram as pazes, o que nos deu décadas de guerra de restauração.”
Nem tanto: França e Espanha continuaram em guerra até 1659, quando assinaram a paz dos Pirinéus. Mas esse tempo permitiu que Portugal se reorganizasse militarmente e na década de 60 vencesse as batalhas essenciais para consolidar a Restauração.
Caro Luís Lavoura, permita-me uma breve resposta ao seu comentário, na qual deixo igualmente um pequeno reparo;a série de acontecimentos a que mais tarde se decidiu designar por Guerra dos 30 Anos teve lugar entre 1618 e 1648, e não entre 1616 e 1646. Por irrelevante que pareça o meu reparo, e note-se que apenas o faço por uma questão de formalismo histórico, não deixa de ser, contudo, essencial para a compreensão do envolvimento português no conflito europeu, pois foi a partir da intervenção armada por parte dos Habsburgo de Espanha, ao lado do ramo familiar austríaco, que a França de Richelieu largou a política de apoio secreto para passar a combater abertamente o Império e seus aliados, grosso modo, a Espanha. O Cardeal julgava que, tão importante como a acção dos exércitos franceses no campo de batalha, era a habilidade dos seus diplomatas junto das comunidades “irredentas” que integravam o universo dos Habsburgo, com destaque para os casos de Portugal e da Catalunha. O apoio francês à secessão portuguesa integrava um plano grandioso, no qual a França procurava abater a Casa de Áustria por todos os meios; para isso, apoiou sucessivamente o eleitor Frederico na sua pretensão à coroa imperial, e mais tarde a sua causa como putativo chefe da revolta boémia, os dinamarqueses do Rei Cristiano IV, os suecos de Gustavo Adolfo, e todos os princípes do Império que se revoltaram contra a política do Imperador.
De notar ainda que foi a partir do decreto de Olivares, que obrigava a nobreza portuguesa a integrar as fileiras armadas espanholas, que começou a ser notória a idéia de revolta entre os portugueses.
muito bem!
Caro Lagardere,
de acordo, mas o interesse francês era a Catalunha, ao ponto de tentarem a sua invasão para integração na França. Aliás a paz dos Pirinéus mostrou bem como Portugal fazia parte de outras contas ultramarinas… talvez de uma França Antártica reeditada.
A chamada de armas de Olivares foi o rastilho, quer na Catalunha, quer em Portugal, e encontramos aí uma herança do partido Ebolista espanhol, da casa Medina-Sidonia (a Andaluzia também se revoltou em 1641), que tinha Luisa Guzman em Portugal, o primo na Catalunha e o irmão na Andaluzia.
A vitória do partido Albista, que comandou a anexação portuguesa de Filipe II, não acabou por completo com o partido Ebolista de Rui Gomes da Silva, apesar da prisão da mulher, Princesa de Eboli… as orientações seguiram-se numa descendência Medina-Sidónia.
Os três Medina-Sidonia actuaram coordenadamente em 1640 contra o Império, e a actuação de Olivares acabou por ajudar às rebeliões e inépcia imperial… se é que isso conta para alguma coisa, a casa Olivares era um ramo Medina-Sidónia.
e o que não falta aqui no burgo é gente que só mesmo defenestrada
Eles sempre tiveram tendência para atirar adversários de sítios altos. Mas hoje o relvado é nivelado…
Bonita vila, Almeida. Ou não fosse eu de lá 😉
Valeu a pena ler não só o teu texto, Zé Navarro, mas (quase) toda a caixa de comentários. Já aprendi alguma coisa.
É um privilégio ter comentadores assim. Obrigado, mesmo.
Eu também aprendi. E estás bem arranjado para escolher o comentário da semana…
Já está escolhido. Desta vez a duo, como se verá.
Até fiquei surpreendido com esta vossa simpática brincadeira, mas de facto o bom comentário apropriado ao tema do post é do Lagardere.
Pela minha parte, estejam completamente à vontade, mas convirá não esquecer que a opinião ainda é, por via de automatismos que se criam nas gentes, um delito…
Obrigado, e desculpem ter saído fora do tema.
Até domingo, da Maia.
Mas que luxo de comentadores tem o Delito, hein?
Tal como o Pedro, também já aprendi hoje alguma coisa aqui.
A defenestração era uma solução simpática. Pena ter passado de moda.