As indignações com o que será gasto no Natal e fim-de-ano na Madeira já pararam para pensar que o turismo é uma indústria fundamental na Madeira? E que ingleses, alemães e afins nórdicos com frio pagam para ir especificamente à Madeira, e não ao fim-de-ano de Moreira de Cónegos, ou do distrito de Portalegre?
Ai o dinheiro
cadernoelastico,

Os alemães e afins nórdicos acham de certeza que é um absurdo. Pode até contribuir para a ideia preconcebida de que vivemos acima das nossas possibilidades. Numa altura destas diria que é uma ofensa o que se vai gastar.
Não concordo nada, Leonor. Os turistas pagam um pacote, não a versão low cost. Para isso, mudam-se para outro destino qualquer.
E o ajuste directo com uma empresa amiga? Também foi feito a pensar nos alemães e nos nórdicos?
É precisamente aí que reside o problema. Adjudicações daqueles montantes feitas por ajuste directo, sem concurso.
essa é outra questão. inteiramente justa, mas não a que levantei no post.
Se é para beneficiar o turismo, então que sejam os beneficiados – os proprietários dos hoteis – a pagar. Não tem nada que ser o contribuinte a pagar por eles.
(Acresce que na Alemanha, Inglaterra, etc não há, pela minha experiência, iluminações de Natal. Os turistas não lhes sentiriam a falta.)
Já foi a Londres no Natal e fim-de-ano? Ou a Munique? Pois. Há iluminações, sim, e com muita fartura.
Londres e Munique são exceções. Eu vivi em cidades importantes dos EUA e da Alemanha, onde não havia quaisquer iluminações de Natal, nem fogos de artifício no Ano Novo.
exacto. locais onde há turismo especificamente para esse fim: natal, decorações, fim-de-ano. eu acrescentaria ainda Salzburg.
Em Maastricht já seguem. Na Alemanha os mercados de Natal (Weihnachtsmarkten) são populares em todas as cidades. Não há iluminações? Está a gozar?
O plural de Markt é Maerkte, não “Markten”.
Os mercados de Natal alemães não são iluminações de Natal. São atividades comerciais nas ruas. Os vendedores pagam, presumo eu, uma taxa pela atividade comercial que desenvolvem. Não há lugar a um subsídio da coletividade a um qualquer prazer pessoal. É basicamente uma forma de venda em quiosques.
Saiu mal escrito, mas agradeço a correcção. Essa é das palavras que até não erro no plural, mas muitas há que ainda me saem mal.
Quanto aos mercados, vai-me dizer que são barracas que não têm a mínima iluminação em torno do espaço onde estão instaladas? Nem as ruas adjacentes ao mercado? Devo ter tido muita sorte naqueles que vi. E para mim é indiferente quem paga as iluminações. Apenas contestei que não existam.
Este “post” suscita duas questões diversas, ambas importantes:1. O fim de ano na Madeira é um “must”, procurado por milhares de turistas estrangeiros endinheirados; sem iluminação natalícia e fogo de artifício, o Funchal, mais propriamente, deixa de ser uma atracção e passa a ser uma banalidade semelhante a qualquer terriola de província. Os gastos justificam-se pois, a meu ver.
2. O ajuste directo é uma afronta às regras da sã concorrência; acresce que são sempre os mesmos a quem é adjudicado o “servicinho”.Não havia necessidade!
Acho piada a um pormenor que o post levanta sem intenção.
Portugal tem imensas dívidas. A solução para elas não é o estímulo ao crescimento, antes austeridade e cortar gorduras do estado (mesmo que estas incluam salários em 15%). Medidas que estimulem comércio, produção ou outras são desperdícios e coisas que não se podem fazer. Como o Pedro Correia não se cansa de escrever, “não há dinheiro!”
Mas isso só se aplica nuns casos e não noutros. Na Madeira, aparentemente, já não faz mal nenhum gastar o tal dinheiro que não há para poder trazer investimento e, possivelmente, mais dinheiro que aquele que se gasta. Chama-se a isso investimento, não é?
Claro que é discutível se a Madeira julga que gastar três milhões (conhecidos) em iluminação e fogo de artifício trarão receitas superiores a esse valor aos cofres do governo regional (através dos impostos). Provavelmente não. Mas nem é disso que falo, é mesmo do conceito de certas despesas até poderem fazer sentido.
PS – refiro o Pedro Correia livremente. Não advogo com a minha referência acima que ele tenha (ou deixe de ter) a mesma opinião que a Ana Margarida.
Há que ver que o PSD nacional é hoje um partido liberal, O PSD-Madeira é um partido social-democrata.
Enquanto que para o PSD nacional é mau o governo estimular a economia, para o PSD-Madeira isso é bom.
Alberto João Jardim já foi muito explícito e claro neste ponto. Disse mesmo, salvo erro, que era um keynesiano.
Também admito que certas despesas possam fazer sentido, caro João André. No entanto o dilema desaparece perante esta realidade inelutável: não há dinheiro. Não havendo dinheiro, mais intolerável se torna ainda o gasto em “gorduras do Estado”, como venho alertando aqui a um ritmo quase diário.
Tomei por irónica a sua alusão ao corte de salários como “gorduras do Estado”. Mas, como bem sabemos, essa é uma questão muito diferente.
Caro Pedro, não sei exactamente a sua posição em relação aos salários serem ou não “gorduras do estado” (confesso que a minha leitura de blogues tem vinda a decair em função do volume de posts sobre a crise e falta de tempo para ler tudo, por isso pode-me ter escapado a referência). Seja como for, muita gente há que defende que os cortes em salários foram “cortes de despesa”, pelo que não custa associar tal raciocínio a “cortes na gordura do estado”. Por isso o referi.
mas essa é uma questão importante, sim. até pode fazer sentido transferir parte (ou a totalidade) dessa despesa para os privados que dela beneficiam. mas era engraçado ter as contas relativamente às receitas provenientes do turismo.
A Ana Margarida não está a ver bem a dimensão dos números envolvidos. O Porto e Gaia gastam para comemorar o São João 90.000 euros em fogo de artifício. O Funchal gasta dez vezes mais (900.000 euros) para o fogo de artifício do Ano Novo.
Eu até nem acho mal – desde que os beneficiados, isto é, os turistas, paguem por isso. Agora, estarem os autótones a pagar um espetáculo para beneficiar os hoteleiros, acho muito mal.