A extrema-esquerda lava mais branco


Pedro Correia,

O Renato Teixeira ficou a espumar de raiva com os resultados eleitorais em Espanha: “Os maiores terroristas do Estado Espanhol estão de regresso ao poder.” Comparando fraudulentamente a ditadura de Franco com a actual democracia representativa espanhola que acaba de dar voz aos cidadãos nas urnas. Logo ele, que ainda há poucos dias se tinha insurgido contra a “suspensão da democracia na Grécia”.

Não conheço na actual blogosfera portuguesa ninguém que se equivoque tanto nos conceitos políticos: para ele, democracia é ditadura e vice-versa. A baralhação deste radical pequeno-burguês de fachada socialista chega ao ponto de o levar a branquear o totalitarismo nazi, comparando favoravelmente Hitler com o Estado de Israel: “As principais vítimas do holocausto estão prontas para superar o mestre.”

Extraordinário, este sucedâneo de Omo da extrema-esquerda, que vai soltando suspiros nostálgicos pelo Muro de Berlim enquanto sonha com a “ocupação das fábricas, das escolas, dos meios de produção e de comunicação”, além do inevitável “cerco ao Parlamento”, entre visões alucinogéneas do Palácio de Inverno em Petrogrado nos idos de 1917.

Partindo naturalmente do princípio que para um verdadeiro revolucionário “a resposta não está no amor, nos beijinhos ou nos abraços”. Essa deriva burguesa fica reservada para os textos e comentários polvilhados de marialvismo esquerdista. O que querem? A velha tradição latina ainda é o que era e a revolução pode sempre esperar.

32 comentários em “A extrema-esquerda lava mais branco”

  1. Renato Teixeira parece-me mais um caso de psiquiatria do que de análise política, Pedro. Uma pessoa de esquerda que diz que preferiria viver no Irão a viver em Nova Iorque tem, decerto, meia-dúzia de sistemas sinápticos desconectados, independentes uns dos outros.

    Não me parece que valha a pena procurar incoerências no seu discurso; seria muito mais interessante – porque difícil, quase impossível – procurar duas ideias que não se contradigam entre si.

    1. ahahahah

      engraçado é que João Paulo Peixoto, o português mais viajado do mundo, também acha o Irão preferível a N. York. googlem se tiverem pachorra que eu não tenho agora.

      de resto, até concordo um bocadinho com algumas das desconsiderções

      1. Esse João Paulo Peixoto é um lírico para pensar tal coisa. Trata-se de uma opinião de tal forma estapafúrdia que não resiste a qualquer análise séria.

  2. Convenhamos Pedro, que o rapaz é divertidíssimo. As alucinações dele são da melhor comédia dos tempos contemporâneos, sobretudo por serem involuntárias. O que eu me ri quando levou “Os Homens da Luta” a sério. Por favor não o iniba, precisamos de desopilar, para mais é inofensivo.

  3. Como o Renato tenho conhecido, nos mais de cinquenta anos que levo desta vida, muitos iguais. Tendem a serem mais papistas que o Papa e julgam-se senhores duma verdade única…
    Porém um dia, quase sem saberem acordam dessa letargia política e percebem que estão sozinhos. Depois é tarde demais…

        1. Cuidado, Renato. Não vás comprar caramelos a Badajoz. Podes ser capturado pelos “terroristas do Estado Espanhol” que te mandam para Israel onde “as principais vítimas do holocausto estão prontas para superar o mestre”.

          1. Não se preocupe. No Estado Espanhol a resistência é preserverante ao ponto de me conseguir manter na clandestinidade. Como bem se percebe da sua posta, é a direita que precisa, nos tempos que correm, ter muito cuidado.

  4. A caravana continua a passar, imune ao ladrar acéfalo de uns quantos muito poucos. O circo, no entanto, chega à cidade sem matilha, mas com alguns palhaços de serviço. E as crianças, na sua pueril ignorância, riem. Nós, adultos mais avisados, condescendemos como se fôsse carnaval e ninguém levasse a mal.

      1. Não sendo exigível a um ser irracional como um Javali que pense, muito menos através de metáforas, eu faço um desenho comentado.Ora aí vai:
        A caravana a passar simboliza o senso-comum, o cão a ladrar o Renato Teixeira que é, simultâneamente, o palhaço de serviço.
        Chega?

        1. Eu até achei piada ao teu post, sabes? Infelizmente o Javali fez-te desconstruir a minha ideia… Eu vi a caravana como sendo a merda que aturamos dia-a-dia, os cães que ladram como os poucos que se apercebem de para onde vamos e não gostam, os palhaços de serviço são eles próprios em representação da merda que nos governa e, por fim, as crianças e os pais delas são os que se surpreendem (uns mais outros menos) com a chegada da caravana.

          Só estranhei que o comentário não fosse censurado, confesso.

  5. Só gostava de entender porque perdes tu tempo a denunciar em tom alarmado o que dizes ser óbvio para qualquer um… O Renato não é só um alucinado a dizer parvoíces?

    Receias que outras pessoas, outros burgueses pequenos, como tu, leiam um pouco além do que tu gostarias?

    Eu acho que é um receio legítimo, e tu?

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