Açores: dez apontamentos eleitorais


Pedro Correia,

 

1. Vitória eleitoral categórica do PS nas eleições regionais dos Açores, revalidando a maioria absoluta. Um triunfo pessoal do candidato socialista, Vasco Cordeiro, que assumirá a liderança do Executivo em Ponta Delgada, e também do secretário-geral do PS, António José Seguro, que participou activamente na campanha.

2. Esta foi a primeira vitória de Seguro desde que assumiu o comando dos socialistas a nível nacional. Cumpriu-se um dos melhores cenários eleitorais para o secretário-geral do PS, que assim robustece a sua liderança face às movimentações de possíveis rivais internos. Também por esse motivo esta era uma eleição que Seguro precisava mesmo de ganhar.

3. O resultado de hoje nos Açores constitui igualmente um tributo popular ao mandato do socialista Carlos César, que abandona o poder voluntariamente após 16 anos como presidente do Governo Regional. Esta vitória também lhe pertence pois constitui uma espécie de referendo ao seu desempenho governativo. Fazendo instalar a ideia, simétrica à da Madeira com maioria PSD desde 1976, de que nos Açores é normal que vençam os socialistas.

4. Berta Cabral, a candidata social-democrata, sofre uma pesada derrota. De nada lhe valeu, na recta final da campanha, demarcar-se do Governo de Lisboa fazendo comparações deselegantes com Passos Coelho e chegando a anunciar o voto contra dos deputados açorianos na Assembleia da República contra o Orçamento do Estado ainda sem conhecer o documento.

5. De nada serviu também ao CDS regional o discurso contra a coligação nacional de que faz parte. O partido sofre um recuo eleitoral e vê defraudada a expectativa de ascender ao Governo Regional como parceiro menor dos socialistas.

6. Passos Coelho não participou na campanha, ao contrário do que sucedeu com Paulo Portas, mas esta derrota também deve ser-lhe creditada. Foi a primeira que sofreu desde que assumiu a liderança dos sociais-democratas a nível nacional.

7. As campainhas de alarme terão de soar no PSD: o escrutínio açoriano, claramente influenciado por factores nacionais, indicia resultados tão maus ou piores para o partido nas autárquicas do próximo ano. Passos Coelho assumiu dignamente a derrota mas deve apressar-se a tirar conclusões deste expressivo voto de protesto dos eleitores açorianos.

8. Estranhamente, Berta Cabral não anunciou de imediato a demissão do cargo de presidente do PSD-Açores e a convocação de um congresso extraordinário. Devia tê-lo feito.

9. Carlos Cesar deu um notável exemplo de desprendimento do poder: podia ter-se recandidatado a um novo mandato de quatro anos, mas preferiu encerrar o seu ciclo de intervenção política directa nos Açores. Uma atitude que há muito devia ter sido adoptada na Madeira por Alberto João Jardim.

10. Vale a pena tomar nota: ainda haveremos de ouvir falar muito de César. Desta vez a nível nacional.

21 comentários em “Açores: dez apontamentos eleitorais”

  1. Não refere a abstenção! Ora esta atinge mais de 50%. Para mim é o resultado mais significativo e esclarecedor. Pena é o autismo em relação à abstenção. Bem se pode continuar a brincar ao regime democrático, mas este está mais que doente e a caminho do fim. O povo já não se identifica com a democracia e os partidos impõem a sua partidocracia. Aonde tal nos levará?

    1. A sua preocupação é inteiramente legítima, Isabel. Tambem me preocupa todos os sinais de recuo da democracia representativa e as elevadíssimas taxas de abstenção que têm vindo a registar-se nas mais diversas eleições em Portugal. Ainda assim, a abstenção nos Açores ficou agora nos 52,1%, um pouco abaixo do recorde registado nas regionais de 2008 (53,2%).

    2. Não se sabe se a abstenção é real ou se corresponde a eleitores-fantasma.
      Muitos eleitores açorianos já morreram, muitos outros emigraram (ou estão simplesmente no Continente).
      Perante esta ignorância, não se deve ligar muito aos números da abstenção.

      1. Tem razão, Luís Lavoura. Os cadernos eleitorais portugueses estão desactualizados – e nos Açores, dadas as especificidades regionais, a discrepância entre eleitores registados e eleitores reais deve ser ainda maior. É a chamada ‘abstenção técnica’, que desvirtua os números de participação eleitoral. Por esse motivo a chamada ‘percentagem de abstenção’ deve ser sempre analisada com precauções.

  2. Nisso não apostaria, César saiu no momento mais certo de todos, foi um bom politico mas acima de tudo foi um grande sortudo e esperto.
    Governou no tempo das vacas gordas, e antes de sair deu mostras de que não saber governar em tempo de vacas magras, prova disso foram as contrapartidas que aceitou por causa de 135 milhões, há quem diga que vendeu a autonomia. Não vou tão longe, mas que foi um duro golpe nela, lá isso foi.
    A vitoria por maioria, não vejo como tendo sido alcançada por mérito de César nem do Seguro nem do PS, aconteceu por demérito das politicas do Governo Central PSD, sim é uma alerta para o PSD e para o Governo Central, estas eleições mostram acima de tudo o protesto dos Açorianos contra o Governo Central.
    Berta não se demitiu por ser a Berta, é ela, ela é assim, teimosa e recorre a tudo para subir, o mais flagrante exemplo foi mesmo durante a campanha, ao pressentir que ia ser julgada pela impopularidade do Governo de Passos (PSD) medidas tomadas pelo Governo Central, não se teve em meias medidas, traiu o seu próprio partido, demarcou-se e teceu duras criticas a Passos Coelho. De nada lhe serviu. Não só perdeu estas eleições como vai perder ainda mais, por exemplo: quando for revelado o “buraquinho” (gostava eu…) das contas da Câmara PDL, pressinto que o susto vai ser tão grande ao ponto de ser mais do que suficiente para também a fazer perder a liderança do partido. E já tem um líder no degrau, chama-se Duarte Freitas, talvez, se, já nestas eleições fosse ele o candidato pelo PSD a maioria do PS não teria sido alcançada, pois o dito além de ter mais capacidade do que a Berta é politico profissional e com carreira internacional, ela não passa de uma “filhinha da capital”.
    Enfim, o PSD perdeu, a Berta perdeu.
    Tchau Bertinha.

    1. Você concordará comigo que César é um político cheio de sorte. Ganhou quatro eleições sucessivas e só não ganhou a quinta porque decidiu retirar-se. Não será sorte em excesso para explicar algo que deve ter uma causa bastante mais consistente do que essa?
      O PS provou, já neste ciclo pós-César, que é o partido do poder nos Açores. A campanha de Berta Cabral foi muito fraca, cheia de ziguezagues e afirmações incompreensíveis. A impopularidade do Governo da República explica bastante mas não explica tudo até porque este resultado açoriano limita-se afinal a consolidar uma tendência que já se vinha desenhando em eleições anteriores.

      1. Desde que temos democracia só tivemos 2 Presidentes. Por cá o “portal” para o poder só abre longe em longe, o primeiro, o Mota Amaral, teve 19 anos no poder o segundo 16/17, podia passar mais 4 no Governo, mas porque é que opta por sair agora? – Agora ainda sai pela porta frente, daqui a 4 anos poderia sair muito mal em termos de governação .
        Agora quem é que quer governar? Sem dinheiro! César é esperto e sai com uma boa imagem.
        A sorte foi no aspecto de que durante estes 16 anos foram os anos que mais fundos comunitários entraram na região, como deve imaginar, é muito fácil governar na fartura.

  3. Um texto que faz a analise como se o país estivesse em estado normal e os dados fossem as jogadas política de sempre para comprar votos.

    1. O escrutínio açoriano prova que o País está “em estado normal”, no que se refere à democracia política. Não sei o que se refere nessa alusão à compra de votos.

      1. As promessas muitas delas mentirosas e não cumpríveis para o povo são compra de votos, é como uma Democracia Populista sem Republica Económica, isto é sem limites à asneira funciona.
        Quanto às análises meramente tácticas é bom lembrar, parafraseando, as palavras de Jorge Coelho: só quem é louco se mete na política na situação presente.

  4. As campainhas de alarme terão de soar no PSD

    Não entendo bem por quê.

    Se bem entendo (desminta-me caso eu não tiver razão), o PSD nesta eleição açoriana obteve mais dois deputados do que na anterior. Obteve uma votação melhor, em percentagem, do que na eleição anterior. Portanto, não fez má figura.

    É verdade que o PSD perdeu esta eleição. Mas também já perdera a anterior, por uma diferença (em relação ao PS) mais ou menos igual. Por quê tanto alarme, então?

    1. As campainhas de alarme devem soar no PSD não devido ao confronto entre este resultado eleitoral e o de há quatro anos mas na comparação com as sucessivas sondagens que ao longo dos últimos meses atribuíam a vitória eleitoral aos sociais-democratas ou, no mínimo, uma situação de empate técnico com os socialistas. Uma tendência que o resultado das urnas não confirmou de todo. Compete ao PSD avaliar porquê.

  5. Os censos de 2011 dizem que os Açores têm 246.746 habitantes, dizem também que 44.201 têm menos de 14 anos, se considerarmos que a média de nascimentos anual é sensivelmente igual, poderíamos dizer que com menos de 18 anos existem cerca de 53.673 habitantes, ora retirando os habitantes não votantes à população total teríamos “grosso modo” o total de inscritos para as eleições, cerca de 193.073. As listas utilizadas para eleições dizem que estavam inscritos 225.112 votantes, podemos assegurar com alguma certeza que existem cerca de 32.000 inscritos a mais nas listas de eleitores. Não sei a quem convém deturpar os valores da abstenção, ou será só preguiça.

    1. Os cadernos eleitorais deviam ser actualizados de eleição para eleição. Ora isso já não acontece há vários escrutínios. Confirma-se, pelos números que aqui nos traz, que a taxa real de abstenção é muito inferior à oficialmente divulgada – mais de metade dos eleitores foram às urnas este domingo ao contrário do que as cifras oficiais indiciavam.
      De facto não sei a quem aproveita esta deturpação dos cadernos de recenseamento. A não ser aos inimigos da democracia, sempre prontos a apontar dedos acusadores ao “sistema” e a dizer que “o povo já não vai no canto de sereia das eleições” e frases semelhantes – todas falsas, todas inaceitáveis.

  6. Caro Pedro Correia
    Sem prejuizo de alguns erros que Costa tem cometido,e de algumas declarações que fez no passado,não faz sentido culpá-lo pelo resultado da eleição regional.É claro que fica uma marga negativa,mas tratando-se de uma eleição regional,juntamente com as especificidades que caracterizam a Madeira e que o Pedro certamente conhecerá bem,não creio que este resultado derive de questões nacionais.O PS dados esses factores estava condenado a ter este resultado,mesmo que Seguro fosse ainda o lider.
    Para termos uma noção do que falamos,temos bem perto de nós o caso da Andaluzia onde ganha sempre o PSOE,independentemente deste ter ou não o governo central em Madrid,acontecendo o mesmo com o PP na Galiza ou em Castela e Leão
    Não faz sentido comparar umas eleições de dimensão nacional como as Europeias,com este sufrágio eleitoral.Pura e simplesmente,não é extrapolável
    Na realidade,Seguro apenas teve como (e com exito esforçado) único triunfo,as europeias.Aqui está em causa um unico parlamento, única causa que une os 300 e tal concelhos que compoem o pais,enquanto que o enfoque das eleições regionais e autárquicas são locais especificos.Em autárquicas,o cidadão de Faro vota no seu governo concelhio,assim como o cidadão de Caminha vota no seu. E nas regionais,estão em discussão,temas regionais.Claro que pode haver alguma influência nacional,mas esta é praticamente relevante nesse tipo de sufrágio.
    Até compreendo que,por via das sondagens mornas com que o PS tem sido brindado,fale-se no papel do lider nacional nestes resultados.Até pode-se colocar a hipotese e o PSD/CDS conseguir vencerem as eleições.Mas isso é outra questão separada desta.É uma ilusão pensar que o resultado pode repetir-se a nivel nacional.Acresce a isto que a direita nestas eleições não deixou de perder votos na mesma,para os partidos das margens e para os novos movimentos (JPP)
    PS: O caso da contagem de votos começa a ser verdadeiramente vergonhoso para o Pais.Situação mais própria da Venezuela e não de um pais da UE como o nosso.
    Despeço-me com os maiores cumprimentos
    Rui

    1. Meu caro Rui:
      Discordo de si. Claro que faz sentido fazer leituras nacionais de eleições parciais, regionais, autonómicas, estaduais, municipais ou para o Parlamento Europeu.
      Tal como faz sentido fazer leituras nacionais de referendos. No sentido, por exemplo, de que sempre dissemos que António Guterres perdeu dois referendos – o do aborto e o da regionalização. O segundo tema, de resto, foi enterrado a partir daí, deixando de constar da agenda política nacional.
      Recordo-lhe que Guterres abandonou o cargo de primeiro-ministro na sequência de uma derrota tangencial num escrutínio autárquico, em 2001.
      Recordo-lhe que o poderoso general De Gaulle abandonou o Palácio do Eliseu em 1969 após ter perdido um referendo sobre uma questão menor, em termos políticos, relacionada com a reforma dos poderes do Senado. Quando tinha ampla maioria na Assembleia Nacional francesa.
      Recordo-lhe que as recentes (Março de 2015) eleições autonómicas na Andaluzia não tardaram a ter leituras nacionais face por um lado ao recuo de 17 pontos percentuais do Partido Popular, no poder em Madrid, e por outro às eventuais ambições da líder socialista andaluza, Susana Díaz, de vir a liderar o PSOE a nível nacional.

      Ignoro por que motivo deixou um comentário à minha análise das eleições da Madeira em 2015 nesta minha análise das eleições dos Açores em 2012. Mas, se bem reparou, o meu quadro de análise é idêntico: Seguro obteve nos Açores a primeira vitória desde que chegou a secretário-geral; Costa obteve na Madeira a primeira derrota também enquanto secretário-geral.
      Num mundo cada vez mais interligado, um bater de asas em Freixo de Espada à Cinta, Rabo de Peixe ou Câmara de Lobos provoca agitação no Rato. Não adianta iludir a questão. É mesmo assim.

      1. Caro Pedro
        Comeco por dizer que estava a ler os 2 textos, e pois bem, equivocamente nao reparei que estava a fazer o meu comentario neste.Adiante.
        Discordamos mesmo.O mundo esta mais interligado mas isso tem reflexo noutras coisas.Nao faz ainda dum concelho, um pais inteiro.Se e nacional, como explica a predominancia da Cdu na Peninsula de Setubal e Alentejo, e a sua inexistencia no Norte.Como explica as derrotas do PS nas autarquicas Evora para CDU e em Braga para a PSD? Haja mais rigor em termos de analise.
        Houve um recuo do PP, mas sugiro que consulte as sondagens das outras autonomias em que o PP continua a liderar.Sugiro tambem que veja o historico eleitoral do PSOE e PP na Andaluzia.Nao e linear essa relacao que estabelece.
        Por ultimo: sabia que em 2011 o PS tambem perdeu as eleicoes na Madeira com o mesmo resultado ja com Seguro a SG? Foi, tal como neste caso, a primeira derrota nele.E depois vence as Europeias.Porque nao podera Costa vencer tambem as legislativas? Ate podera perde las, mas é muito cedo para dizer se ha uma relacao disto tudo com a sua lideranca
        Atenciosamente.

        1. Meu caro:

          Vamos lá então continuar a discordar. Para mim é um prazer: gosto de discutir política. E costumo até dizer que aprendo mais com quem pensa de maneira diferente do que com quem pensa como eu.
          Segue por pontos. A mim, pelo menos, ajuda a arrumar melhor as ideias.

          1. Longe de mim menosprezar os factores de ordem local ou regional nas opções de voto. O que saliento – e mantenho – é que todas as eleições, mesmo as locais, permitem leituras nacionais. De outro modo o ex-PM Guterres não se teria demitido de primeiro-ministro por ter sido tangencialmente derrotado numas eleições autárquicas. Já algo semelhante havia sucedido, em 1982, com o ex-PM Balsemão, quando o PSD estava no poder.

          2. O voto mais conservador a Norte (onde a religião e a pequena propriedade são há séculos factores decisivos de coesão identitária) e o voto tendencialmente comunista no Alentejo (onde o latifúndio predominou historicamente e o proletariado rural dominou a paisagem social até anos mito recentes) têm explicação que excede largamente as conjunturas políticas. Isto ajuda a definir tendências dominantes, mas não explica tudo. Repare nos Açores, precisamente. É talvez a parcela mais conservadora do território nacional. Durante 20 anos foi palco de sucessivas vitórias do PSD. Mas há duas décadas que o PS é ali a força maioritária. Sem que a população açoriana, no seu conjunto, tenha deixado de ser conservadora.

          3. A recente eleição na Madeira (Março de 2015) decorreu em condições à partida muito propícias para o PS. Por vários motivos. Primeiro: Jardim, figura omnipresente desde 1978, saiu de cena. Segundo: houve luta acesa no PSD para tomar o testemunho de Jardim, deixando várias feridas internas por sarar. Terceiro: a esquerda progredira largamente nas anteriores eleições (legislativa, regional, presidencial e até municipal, com a conquista inédita da câmara do Funchal em 2013). Quarto: o PSD, como sempre ali, concorreu sozinho enquanto o PS foi coligado.

          4. Nada disto resultou. Não poupemos as palavras: o resultado dos socialistas foi vergonhoso. Mesmo coligados desta vez com três outros partidos, recuaram 2,9% em relação às regionais de 2011 (14,3% antes, 11,4% agora) e perderam mais de dois mil votos (16.942 antes, 14.593 agora). Costa, que não deixaria de se associar a uma eventual proeza do PS-Madeira, não pode agora sacudir a água do capote dizendo que nada teve a ver com aquilo. Até porque se envolveu pessoalmente na campanha eleitoral. Foi à Madeira, falou aos militantes e aos media, andou por lá. Cabe-lhe uma parcela da derrota.

          5. Seguro também perdeu as anteriores eleições regionais madeirenses de Outubro de 2011? Sim. Mas atenção essas eleições decorreram quando ele mal chegara a secretário-geral socialista três meses antes (Julho de 2011). Costa não avançou para o lugar dele, há um ano, precisamente com a promessa de ser capaz de fazer melhor? Talvez ainda faça, mas na Madeira nada disso se viu. Claro que pode vencer as legislativas – é até o mais provável vencedor, vendo as coisas a seis meses de distância. Mas muitos dos seus apoiantes a esta hora já perceberam certamente que não será um passeio triunfal garantido de antemão nem basta apresentarem o líder em palco para o País lhe prestar tributo.

          Já vai longa a resposta à sua resposta. Por aqui me fico.

          1. Respondendo eu também:
            1-O Pedro continua a misturar 2 bolas no mesmo,que são regra geral,muito diferentes.Pode de facto nao menosprezar,mas dá uma relevância errada e desmedida ao plano nacional.O Pedro adopta o conceito que um qualquer partido,em busca sedenta de sucessos e vitória,costuma adoptar.Mas em regra geral, o que acontece em Braga não é o mesmo que acontece em Setúbal.Em Setúbal,minha terra e a terra vermelha por sinal do pais,o vencedor é normalmente a CDU,pese embora o PS tenha governado em BC durante muitos anos sob a égide de Mata Cáceres.Em Braga,desde 1976 que ganhava o PS Mesquita Machado,partido que perdeu para o PSD/CDS de Ricardo Rio na pior altura do governo.Cada sitio tem as suas circunstancias politicas e os seus problemas proprios,pelo que em termos lógicos e dificilimo extrair dai uma conclusão nacional.Não se pode ver as autarquicas como um bloco em conjunto,mas sim,de concelho em concelho.
            O caso de 2001 é muito raro,e para equivalermos 2013,o PS teria,mais do que ter mais concelhos,teria que ter ganho um conjunto de capitais de distrito que não ganhou,e não ter perdido para a CDU e PSD,nada mais nada menos que 4 capitais de distrito como aconteceu.Obviamente que a leitura nacional é dificil de extrair neste caso,tanto quando até as autarquicas de 2013 caracterizaram-se pela explosão do fenómeno dos independentes,como saberá.
            Se,tal como diz,gosta de aprender com as opiniões contrárias,aconselho-o vivamente a ler este post que Daniel Oliveira escreveu,após as autarquicas de 2013:http://arrastao.blogs.sapo.pt/2013/09/
            2.Está bastante enganado,Veja os resultados das ultimas eleições legislativas,autarquicas e europeias(o PSD/CDS venceu em grande parte do Norte) e verá que o famoso Cavaquistão,embora já não sendo o mesmo de 1987,ainda está bem vivo.O PS é um partido essencialmente urbano,dos grandes distritos,como Coimbra e Lisboa,também tendo alguma importância.
            3- Pelo contrário,a aparente renovação do PSD M,significou um renascer deste,o que permitiu a Miguel Albuquerque libertar o partido da carga jardinista.O que fez com que as condições fossem mais dificeis para a oposição,nomeadamente para o PS.Sem falar na fraqueza de Vitor Freitas e da exotérica coligação que o PS liderou.Penso que o Pedro deveria ter referido,que em 2013 Jardim ainda liderava,o que obviamente era potencial para a oposição.Teria havido um resultado muito melhor da oposição se Jardim se tivesse recandidatado.De resto,em Setembro de 2013,nenhum de nós sabia ainda que a Madeira ia ter eleições nesta altura e que Jardim não se ia recandidatar.Ora o factor lider do PSD é claramente decisivo na formulação destes resultados.Além disso, o Pedro como pessoa informada que é,saberá também que a coligação que governa o Funchal não está a ter o exito que se esperava.Mais uma prova,que as coligações tipo salada de frutas como dizem Augusto Santos Silva e Luis Rosa do I,não resultam.
            4-Não sejamos ingénuos .Qualquer lider dum partido nunca iria dizer que não confiava em alguma lista do seu partido,mesmo que isso fosse verdade,como é o caso.É natural que tenha dito tal coisa,portanto.O que não quer dizer que seja verdade apenas porque ele o disse.
            5-Seguro era lider na altura,mesmo nesse contexto.Foi a opção dele,e é o que interessa.Se quer que Costa fique associado a estas eleições,não pode então dissociar Seguro das de 2011.Mesmo que Seguro fosse lider,o resultado seria basicamente o mesmo.
            Vejo muitos analistas,maioritariamente alinhados com o lado governamental,a cair num discurso falacioso em que dão como provável que Costa possa perder as próximas eleições legislativas,só porque perdeu estas.Até pode,repare que não ponho isto em causa,mas esse plano não se confunde com o plano regional,trata-se portanto,de um plano paralelo á realidade madeirense.Em linguagem comum: é uma coincidência,uma simultaneidade.
            Retribuo por fim,a sua ideia é como podemos aprender com opiniões contrárias.Julgo não ter vindo aqui dirigir insultos,mas sim fazer uma critica construtiva ao seu texto,.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *