– Uma reta é a distância mais curta entre dois pontos?
– Sim. E agora ficou mais curta ainda.
14 comentários em “Acordo burrográfico (52)”
Uma recta não é uma distância. Uma recta é… uma recta (é considerado como sendo um termo primitivo, isto é, não definido). O axioma não é esse, é este: por dois pontos passa uma e uma só recta. Aqueles que andam muito indignados com o acordo ortográfico podiam andar mais preocupados com a sua formação científica. Diriam menos asneiras.
Não me parece que Euclides tenha escrito que “uma recta é… uma recta” . Aprendi que no Livro I da sua obra “Elementos”, ele começou por escrever uma lista de definições, entre as quais a de recta: “ recta é um comprimento sem largura”.
Entre Euclides e os dias de hoje muita coisa passou. Hoje em dia, a comunidade científica está de acordo para dizer que Euclides não estava verdadeiramente a definir o que é uma recta (ver aqui: http://www-history.mcs.st-andrews.ac.uk/HistTopics/Euclid_definitions.html ). E muitos dos manuais e livros sobre o assunto actuais não procuram dar uma definição do conceito, porque é difícil fazê-lo e aceitam-no como conceito primitivo, isto é, que não se define. É a partir deles – os conceitos primitivos – que outros conceitos (como o de segmento de recta) são definidos. É, por isso, caro Pedro Correia, que quando me perguntarem o que é uma recta só posso responder que é… uma recta – porque o termo não é definido. Quando muito posso dar a entender a ideia do que é, para mim, uma recta: um fio esticado, ou um raio de luz pela frincha de um estore correspondem à ideia que tenho de recta. E o “axioma” estava, de facto, muito mal enunciado. Uma recta é uma distância!!!
Talvez seja melhor pensarmos ao contrário: podemos dar uma ideia de segmento de recta como sendo um fio esticado, e se imaginarmos esse segmento prolongado indefinidamente dos dois sentido obtemos uma recta. Claro que uma recta não é uma distância. A distância é que é medida em linha recta.
Por formação científica, atenção ao quilojúlio (sic). Designação que o «acordo» queriam dar ao quilo-joule (!!!) na ignorância de que “joule”, tal como “newton” são designações internacionais estabelecidas por tratados a que Portugal aderiu. As notações técnico-científicas é um dos pontos em que melhor se vê a bronquice destes mentecaptos e a leviandade criminosa de toda a negociata.
Desculpem os lapsos de concordância. Para quem não nasceu com um telemóvel à beira do berço escrever a partir de um écran pequeno acaba por se traduzir em alguns erros.
Vai uma certa confusão por aqui, ou não? Ora bem, na verdade “a distância entre dois pontos é dada pelo comprimento do segmento de recta que os une”. Quanto ao resto, também vou continuar a escrever “recta”.
Uma recta não é uma distância. Uma recta é… uma recta (é considerado como sendo um termo primitivo, isto é, não definido). O axioma não é esse, é este: por dois pontos passa uma e uma só recta.
Aqueles que andam muito indignados com o acordo ortográfico podiam andar mais preocupados com a sua formação científica. Diriam menos asneiras.
Uma recta é… uma recta. Obrigadinho, ó Brandão.
Não me parece que Euclides tenha escrito que “uma recta é… uma recta” . Aprendi que no Livro I da sua obra “Elementos”, ele começou por escrever uma lista de definições, entre as quais a de recta: “ recta é um comprimento sem largura”.
Os meus comprimentos, Ju. A toda a largura.
Muitas rectas e poucas “retas”, Pedro.
Entre Euclides e os dias de hoje muita coisa passou. Hoje em dia, a comunidade científica está de acordo para dizer que Euclides não estava verdadeiramente a definir o que é uma recta (ver aqui: http://www-history.mcs.st-andrews.ac.uk/H istTopics/Euclid_definitions.html ). E muitos dos manuais e livros sobre o assunto actuais não procuram dar uma definição do conceito, porque é difícil fazê-lo e aceitam-no como conceito primitivo, isto é, que não se define. É a partir deles – os conceitos primitivos – que outros conceitos (como o de segmento de recta) são definidos. É, por isso, caro Pedro Correia, que quando me perguntarem o que é uma recta só posso responder que é… uma recta – porque o termo não é definido. Quando muito posso dar a entender a ideia do que é, para mim, uma recta: um fio esticado, ou um raio de luz pela frincha de um estore correspondem à ideia que tenho de recta.
E o “axioma” estava, de facto, muito mal enunciado. Uma recta é uma distância!!!
Talvez seja melhor pensarmos ao contrário: podemos dar uma ideia de segmento de recta como sendo um fio esticado, e se imaginarmos esse segmento prolongado indefinidamente dos dois sentido obtemos uma recta. Claro que uma recta não é uma distância. A distância é que é medida em linha recta.
Por formação científica, atenção ao quilojúlio (sic). Designação que o «acordo» queriam dar ao quilo-joule (!!!) na ignorância de que “joule”, tal como “newton” são designações internacionais estabelecidas por tratados a que Portugal aderiu.
As notações técnico-científicas é um dos pontos em que melhor se vê a bronquice destes mentecaptos e a leviandade criminosa de toda a negociata.
Desculpem os lapsos de concordância. Para quem não nasceu com um telemóvel à beira do berço escrever a partir de um écran pequeno acaba por se traduzir em alguns erros.
Ficaria, que o crime não compensa.
Faço minhas as suas palavras. Mas, como é óbvio, aqueles dois do diálogo supra não sabem disso.
Vai uma certa confusão por aqui, ou não? Ora bem, na verdade “a distância entre dois pontos é dada pelo comprimento do segmento de recta que os une”. Quanto ao resto, também vou continuar a escrever “recta”.