Caro Pedro, não sei se o comentário sobre a “gentileza” (para mais com o equívoco “obrigadinho”) é irónico ou não. Lembro que comento há muito no DdO e que tenho tentado ser sempre correcto e que temos tido discussões muito interessantes.
Apenas vou apontando que a sua embirração com o AO (que é legítima) vai sendo objecto de situações que me parecem ridículas, a ponto de ir buscar situações que não estão contempladas ou distorcer outras (como as das palavras com duas grafias). E dizer que há quem use mal o AO não colhe, porque há também quem escreva extremamente mal nos jornais (inclusive no seu), seja com o novo, seja com o velho AO. Não o vejo a apontar essas asneiras, pois não? (resposta, não faz sentido e tem mais que fazer, como é óbvio).
Note que eu continuo a preferir escrever como sempre aprendi. Apenas não me faz urticária que o novo AO exista. E se não o quiser ler no futuro, aconselho-o a acumular stock de leitura agora para poder fugir ao AO quando chegar à sua velhice.
E o meu prezado embaixador sabe com inabalável certeza as palavras que ‘mudaram’ com o acordo, sem um vocabulário ortográfico? Pois eu tenho lido em diversos jornais que adoptaram o AO, às vezes na mesma página, “sector” e “setor”, “selecto” e “seleto”, “carácter” e “caráter”. Mais: tenho visto suprimidas consoantes nada mudas em palavras como conta(c)to, fac(c)ioso e – imagine-se! – intele(c)tual. Veja bem a que ponto já chegaram alguns analfabetos militantes, mais malaquistas do que o Malaca… Os exemplos que aqui deixo são caricaturais? Talvez. Mas olhe que não andam assim tão longe da realidade. E, ao que julgo, os ditames da pós-modernidade ainda não revogaram um sábio princípio que nos vem dos antigos: ‘ridendo castigat mores’. Sempre a considerá-lo, meu caro. Com ou sem (no meu caso com) ‘consoantes mudas’.
Caro Pedro Correia: não duvido que o AO provoque algumas confusões, lexicais ou outras. E concordo em que tem coisas bizarríssimas, como as que derivam da eliminação de alguns acentos e de hífens. Além disso, por exemplo, o arbítrio na manutenção ou não do “h” inicial nalgumas palavras é altamente discutível.
Dito isto, e como sabe, sou globalmente favorável ao AO, por razões de natureza estratégica que é difícil sintetizar em poucas palavras. E – deixe-me que lhe diga! – acho-o absolutamente irreversível, com ou sem CCB ou juízes de Viana. Basta pensar que todas – mas TODAS – as escolas do país já o seguem para se perceber que está aí a criar-se, através de milhares de praticantes, aquilo que é a “geração do AO”.
Já agora, valeria a pena que o Delito anotasse o que disse o SE da Cultura ao último “Expresso”, pelo menos com o mesmo destaque (para utilizar um hábito jornalístico) que deu às suas anteriores (e já corrigidas) declarações sobre as “adaptações” a introduzir no AO.
Convença-se, meu Caro, a vossa luta contra o AO é uma causa perdida (embora com a graça de outras “causas perdidas” que, nesse estimado blogue, encontram regular acolhimento). Um abraço
Meu prezado amigo, as causas pelas quais mais vale a pena lutar são precisamente aquelas que o chamado ‘senso comum’ considera “perdidas”. Saibamos todos defendê-las, a estas e a outras, com elevação e respeito por quem pensa de maneira diferente. Este é um mandamento que farei sempre por cumprir. Retribuo com gosto o seu abraço.
Eh eh. Sempre há os da Independente, que são mais fáceis de oter…
Excelente!
E ao que parece difíceis de comprovar…
Avisou os leitores que isto era em grande parte uma série de ficção?
Não. Quis deixá-lo a si o privilégio de transmitir a novidade.
Assim não vale! Sabe bem que nenhuma das duas palavras que referiu muda com o AO. Estão-se a esgotar as munições?
Já se esgotaram há muito. É embirração, gozo ou exercício pessoal. Talvez as três ambas…
Obrigadinho pela sua habitual gentileza, João André. Mas por enquanto ainda não preciso de porta-voz.
Caro Pedro, não sei se o comentário sobre a “gentileza” (para mais com o equívoco “obrigadinho”) é irónico ou não. Lembro que comento há muito no DdO e que tenho tentado ser sempre correcto e que temos tido discussões muito interessantes.
Apenas vou apontando que a sua embirração com o AO (que é legítima) vai sendo objecto de situações que me parecem ridículas, a ponto de ir buscar situações que não estão contempladas ou distorcer outras (como as das palavras com duas grafias). E dizer que há quem use mal o AO não colhe, porque há também quem escreva extremamente mal nos jornais (inclusive no seu), seja com o novo, seja com o velho AO. Não o vejo a apontar essas asneiras, pois não? (resposta, não faz sentido e tem mais que fazer, como é óbvio).
Note que eu continuo a preferir escrever como sempre aprendi. Apenas não me faz urticária que o novo AO exista. E se não o quiser ler no futuro, aconselho-o a acumular stock de leitura agora para poder fugir ao AO quando chegar à sua velhice.
E o meu prezado embaixador sabe com inabalável certeza as palavras que ‘mudaram’ com o acordo, sem um vocabulário ortográfico? Pois eu tenho lido em diversos jornais que adoptaram o AO, às vezes na mesma página, “sector” e “setor”, “selecto” e “seleto”, “carácter” e “caráter”.
Mais: tenho visto suprimidas consoantes nada mudas em palavras como conta(c)to, fac(c)ioso e – imagine-se! – intele(c)tual. Veja bem a que ponto já chegaram alguns analfabetos militantes, mais malaquistas do que o Malaca…
Os exemplos que aqui deixo são caricaturais? Talvez. Mas olhe que não andam assim tão longe da realidade. E, ao que julgo, os ditames da pós-modernidade ainda não revogaram um sábio princípio que nos vem dos antigos: ‘ridendo castigat mores’.
Sempre a considerá-lo, meu caro. Com ou sem (no meu caso com) ‘consoantes mudas’.
Caro Pedro Correia: não duvido que o AO provoque algumas confusões, lexicais ou outras. E concordo em que tem coisas bizarríssimas, como as que derivam da eliminação de alguns acentos e de hífens. Além disso, por exemplo, o arbítrio na manutenção ou não do “h” inicial nalgumas palavras é altamente discutível.
Dito isto, e como sabe, sou globalmente favorável ao AO, por razões de natureza estratégica que é difícil sintetizar em poucas palavras. E – deixe-me que lhe diga! – acho-o absolutamente irreversível, com ou sem CCB ou juízes de Viana. Basta pensar que todas – mas TODAS – as escolas do país já o seguem para se perceber que está aí a criar-se, através de milhares de praticantes, aquilo que é a “geração do AO”.
Já agora, valeria a pena que o Delito anotasse o que disse o SE da Cultura ao último “Expresso”, pelo menos com o mesmo destaque (para utilizar um hábito jornalístico) que deu às suas anteriores (e já corrigidas) declarações sobre as “adaptações” a introduzir no AO.
Convença-se, meu Caro, a vossa luta contra o AO é uma causa perdida (embora com a graça de outras “causas perdidas” que, nesse estimado blogue, encontram regular acolhimento). Um abraço
Meu prezado amigo, as causas pelas quais mais vale a pena lutar são precisamente aquelas que o chamado ‘senso comum’ considera “perdidas”.
Saibamos todos defendê-las, a estas e a outras, com elevação e respeito por quem pensa de maneira diferente. Este é um mandamento que farei sempre por cumprir.
Retribuo com gosto o seu abraço.