A vulnerabilidade da Europa


Luís Naves,

Os fanáticos religiosos do Estado Islâmico não podem destruir a Civilização Ocidental, mas podem transformá-la. Ontem, em Paris, a barbárie homicida dos terroristas atacou o nosso estilo de vida, a cultura, a segurança, atingiu o coração inocente das nossas liberdades. A vulnerabilidade da Europa é gritante.

Depois da crise do euro, da impotência na Ucrânia, das divisões amargas, instala-se agora a insegurança crónica, provavelmente agravada pela recente crise dos refugiados. O problema dessa crise, que muitos não entenderam, não era a emergência humanitária, mas a urgência em controlar um fluxo migratório descontrolado. O facto é que não sabemos quantos militantes entraram na Europa misturados com as multidões que genuinamente precisavam de protecção.

Em Agosto e Setembro, era preciso guardar as fronteiras externas do espaço Schengen e cumprir os rigores previstos na zona de livre circulação, identificando os migrantes que tinham direito a refúgio. Isso não foi feito, houve mesmo séria resistência ao cumprimento das regras europeias, rigor esse que era confundido com insensibilidade. O mal está feito.

Em vários países europeus há infra-estruturas jihadistas que vão utilizar fanáticos treinados na guerra da Síria e do Iraque para ataques mortíferos low tech. Isto é apenas o início. A Europa pode receber um milhão de pessoas? Claro que pode, mas não em três meses e sem controlo. Fomos ingénuos e os partidos xenófobos de extrema-direita vão aproveitar-se da emoção com os atentados de Paris para pedir novas limitações à nossa liberdade. É fácil caminhar na direcção da intolerância e do medo. O excessivo entusiasmo humanitário dará provavelmente origem ao seu exacto inverso, tudo errado de novo.

0 comentários em “A vulnerabilidade da Europa”

  1. Infelizmente v. pode agora mostrar a quem censurou (ou substituiu nos jornais) e insultou na blogo, como estava certo e mais que certo e que é a maior irresponsabilidade andar a abrir a porta a milhares sem precisarem sequer de identificação, ao mesmo tempo que se bombardeia nos territórios deles.

    O islão milenarista e ideológico está cá dentro, tal como já esteve no século XIV e todos os milenarismos são idênticos, incluindo os marxistas. Uns abrem as portas, os outros tomam por dentro.

  2. Luís Naves, o comunicado que li tinha dois erros de gramática tipicamente cometidos por franceses e não por alguém que tenha aprendido o francês como língua estrangeira. Há suficientes militantes nados e criados na Europa prontos a servir de carne para canhão para ser preciso ir buscá-los às centenas de milhar que fogem desta barbárie na terra deles. Sem prejuízo, naturalmente, da possibilidade de que entrem mais bárbaros por arrasto.

  3. «Os partidos xenófobos de extrema-direita vão aproveitar-se da emoção com os atentados de Paris para pedir novas limitações à nossa liberdade.»

    Ai vão? Tem então você o dom da clarividência, da previsão do futuro?

    E, concretamente, quais são (como se não se adivinhasse) esses «partidos xenófobos de extrema-direita»? E quais são as «novas limitações à nossa liberdade» que eles vão pedir? E, já agora, decorrendo da anterior, mais uma pergunta: quais foram as anteriores, «velhas», limitações à liberdade que eles pediram?

    Talvez esteja enganado, mas o presente (e que se deverá prolongar por três meses!) estado de emergência – que consiste numa vasta «limitação de liberdade» – em França foi decretado por François Hollande e pelo seu governo, o PS francês, de esquerda e «progressista»…

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