A voz dos leitores


cronicasnofeminino,

Aqui vos deixo um texto do nosso estimado leitor e ‘seguidor’ no Facebook, João Azevedo, acerca duma causa que me parece pertinente:

 

“A nova lei do arrendamento urbano vem trazer consequências nefastas para as Repúblicas estudantis de Coimbra, casas únicas na transmissão de valores comunitários, de camaradagem e escolas de vida e de formação humana de muitos estudantes. Aqui idealizou-se a liberdade, as grandes lutas estudantis que marcam a história da academia coimbrã começaram nestas Repúblicas. Nos dias de hoje contam-se 26 casas, “sempre de porta aberta” para receberem o outro, com uma refeição e um tecto sempre disponível para o mais necessitado! Aqui presta-se um serviço social, no desenvolver de actividades culturais, no apoio aos estudantes mais necessitados e na grande partilha de conhecimento de geração em geração. É por tudo isto e muito mais que estas casas, hoje candidatas a património mundial da UNESCO em conjunto com a Universidade de Coimbra, devem ser salvaguardadas. 

Em 1982, no sentido de proteger este património material, mas sobretudo imaterial foi criada uma lei que protegia as repúblicas nas lutas que estas vinham a travar com os seus senhorios. Os contratos foram definidos por tempo indeterminado e as rendas foram congeladas, sendo uma das razões o facto de serem os estudantes que lá vivem obrigados a suportar todo o tipo de obras na casa. Hoje com a nova lei do arrendamento, esta lei de 1982 é automaticamente revogada e as repúblicas ficam facilmente sujeitas a acções de despejo por parte dos senhorios e os estudantes que lá vivem teriam de suportar rendas incomportáveis para permanecerem no imóvel! 

Assim, é extremamente necessário uma consciencialização de toda a sociedade civil para esta nobre causa. As Repúblicas são história viva da academia coimbrã, são um valor imaterial que tem de ser preservado e impedido de ser sacrificado a interesses imobiliários ou de circunstância. Preservar e salvaguardar as repúblicas é defender um património valioso e inalienável, que formam o espírito e a tradição da nossa academia.”

 

Sexta-feira, dia 25 de Maio, na Casa da Cultura em Coimbra realizar-se-á um debate sobre o mesmo tema, com a presença do Dr. Marinho e Pinto, Professor Rui Alarcão, Dr. Pio Abreu e Dr. Elísio Estanque.

10 comentários em “A voz dos leitores”

  1. Um texto inacreditável.

    Confunde-se património material com imaterial; faz-se gala de se ter sempre porta aberta e um tecto disponível, como se fossem donos do imóvel; evoca-se a justeza de uma lei de 1982, o que significa 40 (quarenta!) anos de rendas congeladas.

    E que tal se os meninos se organizassem para comprar as casas? Ah, não têm dinheiro? E que tal pedi-lo a antigos membros das repúblicas, esses tais que tanto beneficiaram de serviços sociais, actividades culturais e de partilha geracional de conhecimento? Ah, estão todos com o RSI? Terão então de ser os senhorios a continuar a financiar os senhores doutores da Super Bock? Ah, também pode ser o Estado?…

    E assim se percebe o que anda esta gente a estudar em Coimbra: como viver à custa dos outros.

  2. Uma péssima causa.
    Uma república, de portas abertas ou fechadas, pode sempre existir, desde que pague ao senhorio a renda justa.
    Aliás, nenhum senhorio quererá despejar repúblicas que paguem a renda a tempo e horas e não façam estragos nem desmandos no edifício.
    Acho muito bem a existência de repúblicas, desde que seja com o anuimento dos seus senhorios.

  3. Boas tardes,

    A questão das Repúblicas vai muito mais além da relação senhorio/arrendatário, onde a justiça da renda é, em muitos casos, subjectiva.

    Sem entrar em casos específicos, estamos a falar de casas com muitos anos que são parte da identidade da Universidade de Coimbra e mais que tudo da própria cidade. Puros centros culturais, de valores éticos e morais, de amizade, de fraternidade e de desenvolvimento cultural que deve ser mantido custe o que custar.

    Fala-se em viver à custa do Estado e dos Contribuintes mas muitos desses estudantes deram muito em prol dessas casas, muitas vezes em detrimento da própria carreira educacional para manter de pé essas Repúblicas e esse esforço não deve ser posto em causa.

    Para finalizar, um facto que a mim me parece óbvio: Sem Repúblicas, o país que temos ficará inegavelmente mais pobre!

  4. sim, as repúblicas têm sempre uma porta aberta para o outro, são centenas os estudantes que lutam diariamente para não abandonarem o ensino superior e são várias as ocasiões em que estes recorrem às Repúblicas para poderem usufruir de uma refeição!

    Algumas Repúblicas já conseguiram adquirir o imóvel, outras ainda não o conseguiram mas trabalham nesse sentido e para além de pagarem as suas rendas são os próprios estudantes a custear qualquer tipo de obra que o imóvel necessite, desde a mais pequena avaria à total remodelação de espaços e fachadas por exemplo, para que a casa possua sempre as melhores condições possíveis.
    São várias as iniciativas culturais que estas casas proporcionam, totalmente gratuitas e ao acesso de todos, desde ciclos de cinema, peças de teatro, concertos e debates sobre os mais diversos assuntos. Há actividades desenvolvidas pela Câmara Municipal de Coimbra a realizarem-se nestas Repúblicas. Estamos a falar de um património cultural de toda a cidade e da Universidade de Coimbra, candidato a património mundial da UNESCO.

    A verdade é que desta Universidade já saíram excelente técnicos dos dias de hoje mas são os próprios os primeiros a afirmarem que se não tivessem a oportunidade de ter passado por uma República sairiam daqui humana e culturalmente vazios!

  5. “…casas únicas na transmissão de valores comunitários, de camaradagem e escolas de vida e de formação humana de muitos estudantes…” Vulgo: o espírito da cunha e do compadrio 🙂 😉 😛

    1. Não vou negar mas duma forma muito mais saudável do que, por exemplo, compadrio em Associações de Estudantes!!

      Não vejo Repúblicas com esquemas e fantochadas para obter cunhas e afins…

  6. O “Marinho da ANOP” agora é o “Dr Marinho “E” Pinto”?! (ataque de riso).
    Ai, ai, a memória presencial e directa e das bancadas de café… Quantas bicas e mediocridades….
    Tristezas.
    Nestas alturas é que começo a achar que que já vivi muito. Resultado: mau para mim…

  7. “A questão das Repúblicas vai muito mais além da relação senhorio/arrendatário”

    Não vai além. Pára aí.
    Por mais que Aristocratas e Nobres queiram o contrário.

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