A vida a preto e branco


cronicasnofeminino,

Algures num tempo passado quando eu era ainda uma activista convicta no Bookcrossing alguém se terá mostrado muito admirado por eu gostar de José Saramago e de António Lobo Antunes ao mesmo tempo. Este categorização da vida e esta necessidade de viver em alternativas, ou um ou outro, e a preto e branco foi algo que sempre me intrigou. E muito. Nenhum deles se exclui e não há nada num que me faça odiar o outro. Não entendo. Nestes últimos dias em que as notícias da fome no Corno de África, o terrorismo na Noruega e a morte de Amy Winehouse convergiram, esta dicotomia regressou em força, como se lamentar um excluísse um outro e houvesse quotas para a indignação e choque. E eu continuo sem entender.

 

8 comentários em “A vida a preto e branco”

  1. Bem, no caso de Saramago e de Lobo Antunes há outra possibilidade (a menos que este último seja o João e não o António): não gostar de nenhum dos dois.

    Quanto à preocupação com o que se passa no “Corno de África” e o pesar pela morte de Amy Winehouse não há nenhuma incompatibilidade. Se a morte de uma grande cantora só nos pudesse entristecer e interessar quando os problemas muito mais graves – como a fome no mundo – estivessem resolvidos provavelmente nunca chegaríamos a ter essa oportunidade – pois infelizmente haverá sempre problemas mais graves. Contudo, gostar de música e interessar-mo-nos por acontecimentos como a morte de uma cantora talvez nos ajude a viver e nos disponha mais facilmente a não ser egoístas e a nos preocuparmos com os problemas muito mais graves.

    A propósito disso: toda gente devia ler este livro (http://duvida-metodica.blogspot.com/2011/06/vida-que-podemos-salvar-o-dever-de.html).

    1. Não, gosto dos dois como tinha dito, Carlos.
      Subscrevo inteiramente o seu segundo parágrafo. Nunca entendi este tipo de raciocínio e acho até triste este tipo de atitude tão limitativa.

          1. O meu outro blogue também é blogspot e também acho mais fácil, que ninguém nos ouça 🙂 Mas o sapo é muito melhor em termos de divulgação.

    1. Ainda bem, Ana. É que um dia destes quando nos falarem, por exemplo, do massacre da Noruega estaremos a responder ‘Hoje já me preocupei com a fome no Corno de África, agora só para o mês que vem’ ou ‘Já viste a morte da Amy Winehouse? Já. Mas agora não posso, ando a chorar os mortos da Noruega.’
      Também gostei da imagem mas foi acaso puro. Beijinhos

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