
Dou o meu contributo para este debate, recordando o que no tempo do Estado Novo nos ensinavam na escola primária sobre Fernão de Magalhães: que tinha sido um traidor ao colocar-se por dinheiro ao serviço de Espanha, abandonando assim o seu país de origem, por conta do qual deveria ter feito a viagem, uma vez que, sem a experiência e os conhecimentos náuticos portugueses, a mesma não seria possível. No fundo Magalhães seria a versão antiga do “pesetero“. Pelos vistos o debate em Espanha ainda anda nesse nível infantil.

o debate em Espanha
Ainda ontem ao fim da tarde ouvi um programa da Antena 1 sobre Magalhães, em que historiadores portugueses diziam que não há qualquer debate entre historiadores portugueses e espanhóis, todos estão de acordo quanto aos factos.
E também não há qualquer debate entre os ministros dos Negócios Estrangeiros português e espanhol, ambos estão de acordo quanto às comemorações.
Não há portanto debate. O que há é somente um jornal, o ABC, presumivelmente de direita bem carregada (os jornais em Espanha têm cores políticas berrantes), que resolveu usar o caso para atacar o governo espanhol.
Estou a ver que para si os debates só ocorrem entre historiadores e ministros. Quando a outro nível se discute já não é debate nenhum. Chama-se a isso elitismo.