
Portugal faz as primeiras páginas em Espanha. A “vía portuguesa” – vulgo “geringonça” – é apontada por muitos como a solução ideal para resolver o impasse governativo no país vizinho. No jornal digital The Objective, um periódico espanhol feito por gente notável e desempoeirada que lê muito e bem (e escreve melhor ainda), assino um artigo de opinião onde analiso os limites da via portuguesa como salva-vidas político. O texto pode ser lido aqui.

Bom, o desinvestimento não começou com a geringonça. Por outro, nenhum grande país europeu está mais bem preparado do que há dez anos para a próxima crise financeira: o que há é , como então, países com maior poder de fogo capazes de fazer cair o peso da fragilidade dos seus sistemas bancários sobre os ombros dos mais fracos. Ser mais rico e mais “desenvolvido” tem, como seria de esperar, as suas vantagens políticas.
Nenhum? Muito me conta, Miguel. Bom, a não ser que o “grande” sirva para limitar o universo de países – mas, sendo assim, Portugal também não entra no lote.
É um facto que o desinvestimento não começou agora, mas foi agora que chegou a mínimos históricos. Tal como a carga fiscal, que também faz história, mas pelos máximos.
O facto de a carga fiscal estar no máximno não é necessariamente mau.
(1) Se grande parte da população estiver desempregada e subsistir de apoios sociais, então essa parte da população não paga impostos. Se, pelo contrário, toda a população estiver empregada, então os impostos serão maiores. Os impostos são portanto maiores na situação mais desejável (a de pleno emprego).
(2) Se toda a gente se deslocar de bicicleta ou de carro de bois, então os impostos sobre o transporte serão nulos. Se as pessoas se deslocarem de automóvel, então pagarão abundantes impostos sobre o gasóleo. Mais uma vez, os impostos são maiores na situação mais desejável (a de maior consumo e maior conforto).
“War is peace. Freedom is slavery. Ignorance is strength.”
o desinvestimento não começou agora, mas foi agora que chegou a mínimos históricos
O facto de o investimento público ser baixo não é necessariamente mau. Pode querer dizer que todo o investimento público razoavelmente lucrativo já foi realizado no passado e que só restam para fazer investimentos com pouco retorno. É esse em grande parte o caso de Portugal, que tem das melhoes redes viárias da Europa, tem em muitas regiões mais hospitais do que o que é razoável, e tem escolas superavitárias devido à queda da natalidade.
“(…) if thought corrupts language, language can also corrupt thought.”
Os mais fracos presumo que sejam os que crónicamente têm vivido acima das suas possibilidades (falo no Estado, e na gestão amadora da Banca, e não das gentes).
Portugal com os milhares de milhões de fundos europeus desde 90, é como o rio de S. Pedro de Moel. Nunca desagua.
Recomendo aos delituosos o excelente documentário, A Crónica do Século. Para quem nos quer ler o futuro recomendo que deite o olhar para trás.
https://youtu.be/PG1-OF8WPyo
Pois, pois, … a diferença essencial entre a banca portuguesa e a alemã ou a francesa é que, ao contrário destas últimas, não está à altura de levar consigo a Europa (e o resto) água abaixo.
hmmmm….depende da exposição da banca francesa e alemã à banca portuguesa.
Começaram por dizer que vinha o diabo. Depois que a geringonça não duraria 4 anos. Agora afirmam, como os pastorinhos, que da próxima é que o sol bailará. Que crédito merecem estes oráculos?
Comentário ao lado, caro Vorph: nunca disse que vinha aí o diabo (mas virá, inevitavelmente) nem que a geringonça não durava uma legislatura. E, claro, não sou oráculo.
O comentário não era dirigido ao Diogo. Era um desabafo de alguém que já anda abafado com o que vê.
Um Bloco vendido, que mostrou a sua raça, ao entrar “na solução governativa”, uma oposição inexistente e uma abstenção esmagadora ,permitirão ao PS continuar as prebendas, as revisões constitucionais (os Socialistas a reverem a Lei da Greve vai ser de partir o coco a rir) e a governar. Portugal e os portugueses dão-se bem com regimes autoritários, capitalistas, mas não neo-liberais (Estado minimo), priviligiando a Ordem à Liberdade. Falta um Partido Conservador Autoritário em Portugal (não confundam com racista, xenófobo. Os portugueses não entram nessas cantilenas, a sério. Isso é desabafo logo esquecido após um prato de tremoços)
Parabéns pelo artigo, Diogo.
Pois desabafe. E obrigado, Vorph.
Caro Vorph, quem teria a vocação, quase natural, para o tal partido conservador, mais ou menos autoritário, não lhe quer vestir o traje! Ficam-se pelo mais ou menos autoritário!!
Vivemos um tempo de progressistas, positivistas e idealistas que, roguemos, sejam inconsequentes!!
Autoritário, Conservador, mas não neo-liberal (privatização de serviços como educação, saúde, segurança social). O país é pobre demais para essas sonhos americanos. O grande problema, Justiniano, é que para reformar o tecido económico português teriamos de proteger a indústria nacional e fomentar determinados sectores sobre outros ( como fez a Inglaterra e os EUA nos idos XIX e Salazar, no XX), impossibildade enquanto na UE.
Sem dúvida, caro Vorph, está-nos, circunstancialmente, vedada a via do neomercantilismo de XIX e XX (Só praticável no grande sistema nacional) (Devemos, contudo, pensar em Portugal para além das contingências e circunstancias do presente anestesiado. E não podemos partir do pressuposto da perpetuidade da UE. Ou sequer da perpetuidade de Portugal.)
Creio, contudo, que o maior problema para Portugal, e para o Ocidente, advirá não da devastação económica mas da decadência cultural e social! Os sinais são abundantes!!
Tomemos o exemplo de Espanha onde a hipnose económica, tal como em Portugal, esconde uma profunda e evidente decadência social e cultural!
O Conservadorismo autoritário, como António Oliveira ou Francisco Bahamonde, é a resposta redentora da civilização ao caos de sociedades profundamente doentes. É o limite do horizonte de eventos no limiar entre a civilização e a barbárie!! Em ambos os casos, quer subsista a civilização ou a barbárie, para além desse limite de eventos há sempre um enorme preço em sangue a pagar!!
Ainda aí não chegámos, mas testam-se todos os limites recomendados pelos manuais de resistência estrutural de materiais!!
E releve a inclinação meio apocaliptica do meu comentário. É do tempo!!
Como dizia o Pessoa, o Falhanço total de tudo é culpa de todos, e o falhanço de todos culpa de tudo
Vivemos um século em que não nos compete inventar palavras novas. Compete-nos, apenas, inventar novas maneiras de dizer as mesmas palavras. Almada Negreiros
Um grande bem haja, caríssimo Vorph
Abraço
Muito interessante, caro Diogo.
E está muito em voga citar Unamuno, em Espanha!!
Um bem haja,
Obrigado, Justiniano. Se está em voga, então há muita gente a ler mas pouca gente a perceber.
Muito bom, o teu artigo, Diogo. Parabéns.
Muito obrigado, camarada Pedro. Abraço amigo