Há quem ache muito bem que os 21 deputados tories que se opuseram a Boris Johnson (que ganhou a fama em boa parte pela sua rebeldia) sejam expulsos, porque “traíram” o governo e a vontade democrática exposta no referendo de há 3 anos. Convém lembrar que foram eleitos em eleições gerais DEPOIS do referendo, e por isso a decisão é absolutamente democrática, e que a base da soberania do Reino Unido reside na democracia indirecta representada pelo Parlamento (e noutra dimensão pela Coroa) e não na democracia directa. Além disso, os deputados não reverteram a decisão do referendo, limitaram-se a prolongar o tempo do “divórcio” para permitir nova solução que impeça o caos – ou no mínimo a indefinição – de uma saída sem acordo. Ou seja, respeitaram a vontade dos 51% que votaram na saída, sem fazer tábua rasa dos outros 48%, impedindo males maiores para o país. No cumprimento da vontade popular e da instituição parlamentar. É a isto que chamam traição? Todas as traições fossem essas…
A traição institucional
João Pedro Pimenta,

Outra versão de quem ganha, perde !
O povo inglês decidiu e bem na minha opinião sair da UE, negar essa vontade ao povo é que é traição.
Obviamente existem muitos interessados em que a Inglaterra não saia da UE, nomeadamente os que fizeram de tudo e mais alguma coisa para expulsar a Grécia.
Todos os dias nos dizem que a “democracia” está em perigo mas só naqueles dias em que quem ganha, NÃO pertence ao “clube”.
WW
Ninguém votou pela não saída. Só que ninguém perguntou no referendo como é que queriam tal saída, e agora há que resolver. Como se não houvesse questões de monta para resolver. De resto, como escrevi, os que quiseram saír foram em número ligeiramente maior do que aqueles que quiseram ficar.
Concordo com a sua perspectiva sobre a questão relativa aos deputados. Todavia também penso que uma saída sem acordo é a melhor saída para um acordo equilibrado, e uma lição para o diktat.
Uma saída sem acordo antes de mais, traria uma lição cruel aos britânicos, sejam europeístas ou anti. E à Irlanda, por arrasto, também.
Os 21 apenas tiveram os seus interesses pessoais em conta. Foram eleitos para “negociar” um Brexit e não concretizar um mítico “acordo”.
Neste caso um “Acordo”, entre o RU e esta UE é, e sempre será, apenas “um Acordo em estarmos em desacordo”.
E assim será entre o Reino Unido e esta União Europeia, enquanto Berlim for a capital de este mal amanhado IV Reich ….
Há antecedentes históricos que não vale a pena, olimpicamente, tentar ignorar.
O Governo do Reino Unido, na 2ª Guerra Mundial, também trouxe um “Acordo” de Berlim: “Peace in our time”. Apenas um pedaço de papel.
O Parlamento, em Westminster, avisou que não concordaria com uma invasão da Polónia. Demonstrou-o militarmente. O resto é História.
…
Hoje em dia a Polónia (e não só) torna a ter que defender a sua independência em relação ao novo mito, à nova Paz Romana, via Berlim. A Polónia prefere bases norte-americanas. Diz Não à Paz Berlínica ou à Putínica. Gostos.
Afinal um tigre, mesmo que coberto de estrelinhas, é sempre um tigre.
Vai manter-se a mui antiga Aliança?.
É isso, a UE é o verdadeiro sonho de Hitler. Quando nos disseram a todos que era para acabar com as guerras internas na Europa e trazer paz e prosperidade era só para enganar, como se viu. Já os que ficaram ao lado de Johnson não têm interesses nenhuns, tudo gente absolutamente desinteressada.
Desta vez a Blitzkrieg teve completo sucesso, sem disparar um tiro.
Ou ainda não reparou que exitem outras formas, mais eficientes, de conquistar e ocupar, economica e financeiramente, os vizinhos?.
Por exemplo, com papas e bolos se enganam os tolos, não é?.
Ainda não reparou que os 26 já não são Países independente e que o suzerano é a Alemanha?. A paz dos endividados.
Não só não reparei como sempre achei que isso era um absurdo próprio de teóricos da conspiração, que preferem sempre os factos alternativos à realidade. As guerras do Sec. XX na Europa deram-se pelos egos inchados das suas potências e pelos nacionalismos, não pela sua união, que curiosamente continua a ser talvez o projecto supranacional com mais sucesso de sempre. Ler mais livros e menos redes sociais é o que lhe aconselho, caro anónimo.
No Brexit o verbo em causa não é o trair, mas sim o engonhar.
Isabel
Pensassem nisso antes do referendo. Agora há que remediar.
Mal ou bem, houve referendo e uma decisão num sentido e não em dois ou mais. Se formos por aí não mais haverá confiança num plebiscito e os países passam a ser ingovernáveis.
Nem vejo vantagem no adiamento. Não me parece que seja este o remédio. A menos que agora valha a máxima matreira militar: a protelar também se revolve.
Isabel
Tem toda a razão, como convocar já um segundo (ou terceiro , ou quarto) referendo dava muito nas vistas estão a protelar a ver se a coisa passa e “eles” arranjam maneira de virar o bico ao prego.
Para bombardear países é um ai, para cumprir a vontade da maioria de um povo, já lá vão 3 ANOS de “negociações”.
WW
WW conte-mais coisas. Talvez já estejamos em 3 anos de negociações porque os britânicos não se entendem quanto à saída, se querem mesmo sair ou como. Se não há acordo não é exactamente por culpa do UE, mas das divergências entre governo e parlamento, mais a mais tendo em conta que os resultados foram na prática divididos. Falar é fácil, mas há um mundo de problemas para resolver, não contando com a fronteira irlandesa (que como se tem observado, caso voltem as barreiras, podem fazer com que velhas tensões recrudesçam) e com o sentimento de traição sentido pelos escoceses.
Se o referendo estava mal feito, não previa dificuldades que deviam ser postas em cima da mesa (além de que se deveu a uma jogada política partidária), que remédio não há senão minimizar os seus custos. Repito: não houve qualquer decisão em reverter o referendo, mas em conduzir o seu mandato a um porto minimamente seguro.
Convém analizar os números. Os MPs no RU têm cocmo obrigação representar o voto dos mandantes, o resultados do referendo e não os seus íntimos desejos.
Os MPs no RU estão em roda livre.
“Meanwhile, Allison Pearson even claimed that “Parliament is openly spitting in [the public’s] face”.
“… But what is even more staggering is the constituency make-up of votes – 406 Leave constituencies to 224 Remain constituencies (63 percent Leave versus 37 percent Remain).
If the 2016 referendum had been a General Election, a majority of 164 would mean a very strong Government akin to that of the Blair Government (majorities of 179, 167 and 66) and not rivalled by any other since World War 2.
Broken down by party, this gives rise to 148 Labour Leave constituencies versus 84 Labour Remain constituencies, as well as 247 Conservative Leave constituencies and 80 Conservative Remain constituencies….”
…
A BBC e O Guardiam, por exemplo, não estão a cumprir o seu mandato de informar. Estão a propagandear. Os números demonstram a curiosa, diversa, realidade.
https://www.express.co.uk/news/uk/117464 4/brexit-news-leave-vote-mapped-boris-jo hnson-eu-referendum-remain-mps-parliamen t-spt
Mas o referendo suplanta qualquer eleição? Os números do referendo são mais importantes do que os que constituíram este Parlamento – que é, antes de mais, o escopo do sistema político britânico? Ou os anti-UE têm algum voto de especialidade em relação aos pré-UE? É que no dito referendo ninguém perguntou como queriam sair, nem como iam resolver o problema da fronteira irlandesa.
O referendo suplanta qualquer eleição?.
Essa é a pergunta que uma sociedade politicamente organizada deveria saber de antemão. E se o resultado será ou não vinculativo e em que circuntâncias.
No entanto, a haver omissão legislativa, dir-se-ia que uma resposta, em referendo, a uma pergunta específica, tem um peso extra em termos de consulta ao soberano eleitor. De outa forma tudo seria uma ridícula, injustificada, perda tempo. O que de todo não ocorre neste melindroso caso.
No caso vertente perguntava-se:
Should the United Kingdom remain a member of the European Union or leave the European Union?
with the responses to the question to be (to be marked with a single (X)):
– Remain a member of the European Union
– Leave the European Union
O (este) referendo suplanta qualquer eleição?.
Acrescento: Será um qualquer “Acordo” condição “sine qua non” para concretizar a saída ?. Tal não foi explicitado de antemão.
Os britânicos, ao contrário dos políticos lusos, não se detêm em sofismas gramaticais e/ou a analisar o significado pausado das vírgulas: eles compreendem sempre que as perguntas feitas têm um objectivo concreto. Portanto, as respostas têm consequências.
Pois têm, Vento. Só que essas consequências são mais gravosas se as questões não foram devidamente preparadas. E neste caso, deveriam ter sido.
João, quem diz o que é devidamente preparado? O que é isso de devidamente preparado, quais as prerrogativas?
O artigo 50 do tratado de Lisboa estabelece prazo para a saída, mas não define que tenha de existir previamente um acordo para a saída. Portanto, o acordo pode ser feito depois da saída.
As razões da necessidade de haver um acordo antes da saída parecem-me óbvias, como por exemplo, a entrada de medicamentos no país, entre outros. e depois, claro, a questão da fronteira irlandesa.
O referendo não pode deixar de ser tido em conta, tal como não pode o sistema parlamentar ser posto de lado por um instrumento eleitoral directo. Como diz no seu comentário, todo o processo referendário estava inquinado desde o princípio, ela absoluta ligeireza com que o realizaram e pela ausência de qualquer plano para a saída efectiva da UE, como se fosse uma coisa normal, de um momento para o outro, sem quaisquer custos. Também é por situações como estas que certos referendos só são vinculativos se tiverem uma maioria qualificada (o da independência do Montenegro, por exemplo, que só ganharia com mais de 55% e que teve mais meio ponto do que isso).