
Anda meio mundo a conversar e a ler sobre as desbragadas contratações de futebolistas pelo futebol árabe – desde Cristiano Ronaldo e Benzema até Iuri Medeiros e Rúben Neves tem sido uma azáfama. Contratos supra-milionários, que multimilionários já eram os anteriores. Francamente não compreendo os objectivos dos responsáveis dos países árabes. Posso aventar (“mandar bocas”) mas não percebo – com toda a certeza não se trata de “massificar o desporto” naquelas populações “ensofazadas” pelos petrodólares. Nem será um mero objectivo económico, até pelos montantes envolvidos. Mas mesmo politicamente – em termos de “imagem” interna e externa, e de geoestratégia – não consigo entender o que pretendem com isto, que surge na sequência de terem, em particular a Arábia Saudita, assumido relevância na organização (que não na prática) de competições de elite de outros desportos. Enfim, julgo que só alguém minimamente sagaz e que acompanhe as dinâmicas sauditas, cataris e vizinhas, poderá interpretar o que se passa.
Mas um efeito terá esta desmedida investida dos responsáveis árabes sobre a grande “indústria” de entretenimento europeu. Estou certo que muito em breve será recuperado o projecto dos grandes clubes europeus de constituir uma Super Liga Europeia, mais ou menos encerrada, congregando alguns clubes históricos e outros propriedade de macro-capitalistas, “oligarcas”, replicando o modelo anti-liberal das “ligas” desportivas norte-americanas, e possibilitador da concentração de gigantescos recursos. Disso afastando um alargado de clubes de países menos centrais, menos lucrativos aos mercados televisivos globais.
Se o popular futebol do Oriental, Carcavelinhos, Barreirense, Lusitano de Évora, etc. é já há muito uma esconsa nota de rodapé, muito em breve poucos atentarão nos Guimarães, Leiria, Boavista ou Chaves. E, no virar da década, nos Sportings e Benficas desta Europa.

“ensozadas” vale sempre 500 paus, mas nem sequer poderá ser para as melhoras equipas, basta que se inscrevam na Super Liga.
Quer dizer que esses clubes da Super Liga não entram nos campeonatos das Ligas nacionais?
Tem toda a razão o jpt.
A breve prazo, o Benfica será o único clube português a jogar na Champions. Todos os anos.
O futebol é cada vez mais um espetáculo “the winner takes it all”.
Um jovem como o meu filho já se está borrifando para os clubes portugueses: só vê clubes de topo, que não são portugueses.
O balio está a ver mal, o Sporting com dinheiro pode se inscrever na Super Liga.
Gostava de tornar a ver na 1ª , o cova da piedade,o vitória de setubal,o CUF.
O Cova da Piedade nunca esteve na 1ª.