A Selva


Cristina Torrão,

Para todos os que acharam não haver mal nenhum na “montaria” levada a cabo na Torre Bela, ou porque alegam gostar muito de carne, ou porque logo apelidam de animalista quem se insurge sobre excessos deste tipo, venho esclarecer o seguinte:

Os responsáveis pela quinta já se vieram distanciar:

Em comunicado hoje enviado às reda(c)ções, os responsáveis pela quinta reiteram esta posição: “A Herdade da Torre Bela repudia firmemente a forma errada, ilegítima e abusiva como decorreu uma montaria na sua propriedade, no passado dia 17 de d(D)ezembro, tendo tido conhecimento do sucedido a posteriori e apenas através da comunicação social”.

Palavras da proprietária: “É inequívoco que o grupo de caçadores excedeu em larga medida os direitos de caça adquiridos, ultrapassando os limites acordados por contrato com a entidade exploradora e que se coadunam com o permitido pela licença de zona de caça que se encontrava à data, em vigor”.

O Ministro do Ambiente também já reagiu:

O ministro do Ambiente, Pedro Matos Fernandes, repudiou o abate, classificando-o como “um a(c)to absolutamente vil e ignóbil”, e assegurou que a prioridade do Governo é “fazer tudo para que isto não se repita”, admitindo uma revisão da Lei da Caça, designadamente no que diz respeito às montarias.

E a empresa espanhola organizadora da “montaria” já se escondeu (como aliás é apanágio dos cobardes):

A empresa espanhola “Huntings Spain and Portugal, Monteros de La Cabra” terá sido a responsável pela organização da montaria, mas, desde então, o site encontra-se ina(c)tivo – ou em construção.

Há caçadores e caçadores. Os dignos desse nome primam por respeitar regras e a ética ligada à actividade cinegética. Pelos vistos, em Portugal, continua a reinar a lei da selva.

A selva é um sítio muito bonito. Mas deixou de ser apropriado para nós humanos. É mais adequado a animais que não evoluíram.

56 comentários em “A Selva”

  1. Tudo hipocrisia.
    Depois do alarme que houve nos media tinham que dizer o que disseram. O facto é que é impossível produzir electricidade à custa do sol (fotovoltaicas) e, ao mesmo tempo, não alterar a paisagem o que inclui o abate de árvores e de animais. Gritar por escrito é fácil, conseguir o impossível é …. impossível.
    Não compreendo (agradeço a quem me explicar) como é que se pode ter carros eléctricos e desprezar a exploração do lítio.

    1. “Não compreendo (agradeço a quem me explicar) como é que se pode ter carros eléctricos e desprezar a exploração do lítio.”

    2. “Não compreendo (agradeço a quem me explicar) como é que se pode ter carros eléctricos e desprezar a exploração do lítio.”
      Como eu esperava ninguém explicou. Nem é fácil. Talvez mesmo impossível.

  2. Há muita especulação e poucos factos. Como é normal hoje na Comunicação Social.
    Como a história é apresentada em alguns meios, a conclusão óbvia é de que era preciso limpar a zona para instalar as fotovoltaicas, e contratou-se um conjunto de “caçadores” para o efeito.
    Ninguém sabe ao certo (ou sabe?) em que moldes o tiroteio foi permitido, e por quem. Feito o estrago (ajuda a atitude gabarola dos atiradores), todos alegam nada saber, ou então encarnam o Marcelo do 1º de Maio. Aprovaram, mas contrariados, e devia ser diferente, ninguém sabia que seria assim.

  3. Os caçadores têm uma cota de caça, isto não tem nada a ver com uma caçada, isto é selvajaria pura, barbárie, genocídio e outros tantos adjectivos que definam o que há de mais reles no ser humano.

    1. “tantos adjectivos que definam o que há de mais reles no ser humano.”
      Senhor Carlos: quando vir coisas verdadeiramente reles que palavras vai usar? Vai redigir em latim?

  4. Em Portugal há muito facilitismo. São estrangeiros, pagam bem, toca a fechar os olhos às quotas de abate, Cristina. Isto e tantos outros atentados ao património, são infelizmente recorrentes. As responsabilidades são sempre engolidas no ouroboros do facilitismo , nunca se sabe bem onde começam ou onde acabam.

    1. “toca a fechar os olhos às quotas de abate,” Isso é que é falar de cor ou não é? Será que fecharam mesmo os olhos às quotas viu isso é só imaginação?

      1. Claro que é só dizer mal porque sim! Eu nem no Natal, caramba! Toda a gente sabe que os proprietários de nada sabiam!! Há uma data de tempo que são uns ingnorantes! Como poderiam ter fechado os olhos a algo que ignoravam?
        O que vale é que há sempre sempre alguém esclarecido qb para me pôr no lugar!
        Bom Natal.

        1. “alguém esclarecido qb para me pôr no lugar! “!
          Nem sou esclarecido (por isso duvido…) nem ponho ninguém no lugar. Acabei de ler o Discurso do Método e apanhei a mania de pedir provas. Nos tribunais acho que fazem o mesmo. Nas redes sociais e nos julgamentos na TV é que não. Não gosto de condenações pelas aparências.

  5. Tudo muito confuso.
    O que logo ocorre são suspensões de licenças, consultas e o que mais possa a incompetência burocrática fazer para dizer que existe.

    Se dá nas galinhas teremos um problema sério.

  6. Não queria comentar este assunto mas sem discordar das reacções, discordo da maioria dos comentários.
    Temos uma proprietária – que suponho ser uma representante dos proprietários – que entregou a administração a uma sociedade que, por sua vez, terá cedido direitos de caça a uma empresa espanhola de montaria. Parece certo ter havido um abuso, não se sabendo por enquanto se os contratos da empresa administradora, com os proprietários e com a empresa espanhola, estavam correcta e legalmente redigidos, havendo ainda que apurar as condições da venda das portas aos caçadores. Independentemente do repúdio pelo acto em si, só depois de apuradas estas questões se podem apontar culpados e, em qualquer caso, não são legítimas as generalizações publicadas um pouco por todo o lado.
    Quanto ao enquadramento legal, não tenho informação suficiente pois tal conhecimento não parece ter sido considerado pertinente por dezenas de comentadores. No meu tempo – o da outra senhora – eram as Comissões Venatórias que autorizavam e em alguns casos promoviam as montarias, fixando previamente as condições mas, tal como acabaram com os guardas-florestais ajuramentados sem querer saber das consequências, não sei o que foi feito ou não foi feito depois do 25 de Abril. À partida, parece-me mal que a Torre Bela, por ser uma Tapada, mesmo sendo quase certamente quem efectuou o povoamento das espécies, seja a gestora da sua caça, sem sujeição a entidade externa mas, se o é, é porque alguém assim o decidiu ou se esqueceu de regulamentar.
    Nos final dos anos 60 em Angola, cacei no Cuando-Cubango – as terras do fim do mundo – e no deserto de Benguela. Tinha adquirido uma licença de caça modelo D que me dava direito a 5 animais de grande porte, um de cada espécie especificada na licença, que não era propriamente barata. Para leões, rinocerontes ou elefantes era necessária uma licença especial.
    Ora gamos, veados e javalis, não são imediatamente comparáveis a caça grossa mas parece-me que mesmo pela condição técnica das munições a utilizar, não deveria ser englobada numa licença de caça para, por exemplo, rolas, perdizes, coelhos ou lebres.
    A única conclusão que posso extrair para já – e sem esquecer as deploráveis reacções do ministro do Ambiente – é que as autoridades do Portugal da actualidade parecem bem menos competentes do que as autoridades coloniais do século passado.

  7. Há caçadores e há corruptos.
    O elogio da cegueira que a d. Cristina se dispôs a fazer transcrevendo as declarações supra esclarece-nos que ainda não conseguiu compreender que aqueles belos cervídeos e companhia foram realmente vítimas, não de uns pseudo-caçadores (que prazenteiramente assumiram o simples papel de carrascos), mas de uns mandantes bem mais tenebrosos, envolvidos num obscuro negócio (mais um!) na área do ambiente e onde o partido socialista aparece enterrado até ao pescoço. E que se tratou, tão somente, de resolver da maneira mais simples, expedita e lucrativa (e sem pruridos éticos) mais um dos obstáculos ao dito empreendimento.

    1. Compreendi, sampy.
      E acho que este é o seu primeiro comentário de jeito que li até agora.

      (O sampy é que não compreendeu bem a minha intenção, se diz que fiz o elogio da cegueira)

  8. A proprietária nada sabia.
    Não sabia que aceitou arrendar pelos próximos trinta anos a herdade para um mega-parque fotovoltaico.
    Não sabia que tal arrendamento dita a resiliação do contrato de caça turística até agora em vigor com a empresa espanhola.
    Não sabia que aquele arrendamento exige a eliminação da flora e da fauna da herdade por impossibilidade de cohabitação com o projecto.
    Não sabia quem tem andado a abater o arvoredo da herdade, incluíndo espécies protegidas como o sobreiro, deixando os animais em stress por penúria de alimento e de protecção.
    Não sabia quem encheu a herdade de espécies não autóctones, que de maneira nehuma poderiam ser devolvidas à natureza no território do nosso país.
    A ignorância é uma coisa linda!

  9. Escrevi este comentário num artigo de há uns dias que suponho que poucos já lêem. Resolvi repeti-lo pela sua importância (modéstia à parte mas é importante para mim). Sou insensível à questão dos animais (mas discordo de que se lhes provoque sofrimento para nada) mas sou muito sensível quando se trata de humanos. Note-se que na tal Quinta não se torturaram animais, apenas se mataram de modo indolor. E concordo que a selva é completamente inapropriado para humanos.
    Provavelmente a minha maneira de ver é devida à minha trajectória de vida.
    Gosto muito de carne (de javali, de veado, de porco etc) e não abdico disso. O tal comentário é este:
    “Um dos meus netos chamou-me a atenção para estas fotos. Não me impressionaram minimamente. E impressionou-me que se tenha feito tanto alarido e causado tanta comoção. É que na guerra colonial vi fotos parecidas. Havia duas diferenças. Eram homens, mulheres e crianças em vez de animais. A segunda diferença é que não eram tantos, talvez duas dezenas. Não há fotos que eu saiba. Mas já vi fotos de soldados com cabeças de guerrilheiros enfiadas num pau. Tenho mais de 80 anos mas isso ainda está na minha retina. Isso criou em mim uma impressão brutal que ainda perdura. Animais??? São para comer, sobretudo javalis e veados. Por favor não tratem os animais como se fossem gente. É horrível só ouvir-vos ou ler-vos. Deixem os animais e olhem para os que fojem da guerra. Impressionem-se com o que vale a pena.”

        1. “Mesmo o Zico deu mais alarido que o Ihor.”
          Interiramente de acordo. Da criancinha ha que ele matou nem o nome se soube.
          O que se passou custou-me a engolir.
          Já engoli bem a dos javalis. Um animal é um animal, uma criança é uma criança.

    1. Escrevi isto há dias também noutro post que já ninguém lê: E dedico aos meus filhos este pequeno texto pertinente sobre justiça.

      O nosso castigo está a chegar!!!
      Um dia chegarão naves de outro planeta ao nosso mundo, para vir fazer do planeta terra um entreposto de carne humana, seremos meras peças de carne para outros seres de outras galáxias.
      E então saberemos o que os animais sofreram nas nossas mãos.

      Tó Zé

  10. O que se passou é de facto uma vergonha!
    O Governo,Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas,Autarquia. estavam carecas de saber, e que foi com aprovação destes.
    O Azar deles foi os Espanhóis terem publicado as fotografias.
    Quem é que pode acreditar que a Torre Bela,não tenha dado autorização? Sinceramente ninguém.
    Os interesses Fotovoltaicos levaram a esta tristeza.
    Culpados são PS, PSD ,CDS ,PCP. que não tem interesse em mexer nas leis, nem nas fiscalizações da caça.
    Todas estas lamentações, não passam de cinismo hipócrita.
    E vamos ver o que se vai ou está a passar com os interesses de exploração do lítio em Portugal( Pois o lítio… )

    Feliz Natal !

    1. “O que se passou é de facto uma vergonha!”
      Não é.
      Os Homens sempre mataram e vão continuar a matar animais por muitos anos. Há muitas pessoas que se regalariam (incluindo eu) com a carne dos javalis e dos veados. Regada com um bom Pera Manca. Até me cresce a água na boca só de pensar. E eu não sou esfomeado mas não esqueço que há muitos que o são.
      A maioria dos rurais não acha uma vergonha. Provavelmente André Ventura também não e se o disser arrebanha muitos votos (para meu desgosto).

  11. A caça deixou de ser um desporto para ser um negócio, começando no Estado e acabando nestas sociedades de caça. Mas estes sabe-se quem são, e que com grande investimento criaram condições para que haja caça, o que não lhes confere o direito do seu criminoso procedimento.
    Entretanto ninguém fala no grande número de caçadores furtivos, licenciados ou não, em número exponencionalmento maior, que de Norte a Sul dizimaram tudo o que é caça em regime livre, pagando apenas a simples licença e seguro.

  12. Pura e simplesmente não acredito que os donos da herdade não estivessem ao corrente de que iriam limpar o sarampo a 540 animais na sua propriedade. Não faz sentido que a empresa espanhola se sinta livre para agir desta maneira numa propriedade alugada ou cedida em Portugal sem luz verde do proprietário.

    Os donos estão a tentar limpar a face — da vergonha pública e de responsabilidades criminais, mas eventualmente é tarde demais. Pelo menos para a opinião pública — conhecendo bem os canalhas da política e a sua fragilidade perante gente poderosa como nós conhecemos bem, não é improvável que eles se possam vir a safar sem responderem pelo seu crime.

  13. O raça humana antes de se dedicar à agricultura era composta por caçadores-recoletores. Os danos que essa mudança trouxe ao mundo e aos próprios foi imensa.
    Muitos de nós sentimo-nos confortáveis com os frutos do progresso mas nem todos sentimos o mesmo em relação ao que chamamos progresso.
    A arqueologia encontra dentições impecáveis apenas até à introdução da agricultura, e o antropólogo da moda, Yuval Hariri, diz que a nossa sedentarização, dos humanos entenda-se, correspondeu a uma absoluta e radical perda de liberdade dos próprios.
    Dentro de alguns de nós permanece um encantamento pelo estado anterior a tudo isso. A natureza humana continua intacta, e os caçadores continuam a existir assim como os recolectores. Eu acho que os recolectores de hoje são o que alguns analistas peritos em estudos comparados entre as nações classificam como classe extrativa, e é constituída por pessoas que retiram mais da sociedade do que aquilo com que contribuem. São os rentistas, e mereciam um post.
    É normal que nos sintamos, e até com bastante frequência, desconfortáveis com a espécie a que pertencemos, mas apesar das imagens horríveis, sinto-me bem mais incomodado com as matanças que decorrem perante, por exemplo, no Yemen, na Síria, e em Cabo Delgado.

    1. Também eu, Paulo, também eu.
      Mas o facto de uma coisa me incomodar mais implica que não fale de outra que me incomoda menos? Então, tínhamos de apagar grande parte dos posts que aqui publicamos.

      1. “Mas o facto de uma coisa me incomodar mais implica que não fale de outra que me incomoda menos?”
        Tem inteira razão.
        Mas o meu ponto é outro: não admito que se atribua aos animais uma dignidade tão próxima da que se atribui às pessoas. Os animais comem-se e para isso matam-se. Aqueles foram mortos sem tortura, em número (mas é o número que importa ou é o acto?) muito inferior às matanças que se fazem nos matadouros. Gosto de comer perdizes, gosto de carne de javali e de veado. Mas não os como vivos. Os magarefes matam animais que não podem fugir. E daí?
        Detesto passar nos meus passeios por cães enormes sem tela nem açaime. Acho execrável que os animais sejam admitidos nos Restaurantes e noutros locais. Discordo de um Serviço Nacional de Saúde para animais. E discordo de uma lei que conceda dias de luto pela morte de um animal. Discordo que seja proibido matar os cães que estão muito tempo nos canis (em condições mais que horríveis) sem ninguém os adopte. Fico horrorizado quando pessoas são atacadas por matilhas selvagens. Etc.

        1. Mas quem é o J?
          Do cimo da sua superioridade machista e ofendido para dizer:
          “não admito que se atribua aos animais uma dignidade tão próxima da que se atribui às pessoas.”
          Aparece nestes Post cada um com mentalidade mais retrograda.
          A Cristina Torrão que lhe reconheço seriedade e sensibilidade deve ter uma santa paciência para aturar estes… enfim ….nem quero dizer a palavra .
          Na Alemanha estão muito mais evoluídos em questões ambientais e com verdadeiras associações de protecção aos animais, sei bem o trabalho que desenvolvem na Alemanha( Pois o ano passado vi um documentário).
          A crueldade gratuita não pode ser admitida, nem sobre pessoas, nem sobre animais.
          Estou cada vez mais farta de gente agressiva, sem um pingo de sensibilidade sobre coisa nenhuma.O bullying e o sadismo tem que acabar!!!

          As minhas desculpas: Cristina, Boas Festas!
          Rita Santos

          1. “É um diálogo de surdos.”
            Nunca é um diálogo de surdos. Discutindo é que se apuram ideias e até se mudam. Já mudei por via das discussões. Adoro o diálogo. Quem não gosta não dialoga ou não comenta. Problema resolvido.

          2. “Do cimo da sua superioridade machista e ofendido para dizer:”
            Machista? Esta não percebi porque não vejo relação entre machismo e o que eu disse. Pode explicar?
            “Aparece nestes Post cada um com mentalidade mais retrograda.” Também não vejo a validade deste argumento e de vários dos seguintes. Parecem-me mais desabafos do que argumentos lógicos.
            Estou sempre pronto para o debate e não receio dizer asneiras. Quando as reconheço, mudo.
            “Estou cada vez mais farta de gente agressiva,” Considera-me gente agressiva? Por esta não esperava eu. Não agrido, só discuto. Ou para não ser considerado gente agressiva tenho de concordar com tudo? Disso discordo em absoluto.

          3. “Estou cada vez mais farta de gente agressiva, sem um pingo de sensibilidade sobre coisa nenhuma.”
            É bom que seja assumi tão boa pessoa.

    2. “sinto-me bem mais incomodado com as matanças que decorrem perante, por exemplo, no Yemen, na Síria, e em Cabo Delgado.”

      Isto não é assunto de sentir menos ou mais incomodado!
      Ambos os assuntos são repugnantes e merecem a nossa atenção no sentido de tentar evitar acções futuras.
      E neste momento o assunto em causa é a chacina da Torre Bela,e por isso a Cristina Torrão e muito bem mostra a sua indignação, assim como eu.

      Rui Santos

  14. Se forem melgas, moscas, ratos, estão caladinhos.

    Já abortar pode ser. Quantos e quantas foram este ano?

    1. Sem discutir as hipocrisias das esquerdas — contra as quais vocifero regularmente aqui e onde me é dado teclar livremente (só aqui, na verdade…) — não me parece que a questão do Aborto seja equiparável.. O argumento do “então e o não sei quantos” encerra várias rasteiras e aqui parece-me estar uma delas.

      Os abortos fazia-se clandestinamente em situações deploráveis muitas vezes com resultados horríveis e até mortes — e alimentando um mercado muito lucrativo onde gente sem escrúpulos fazia fortunas. Isso acabou e agora faz-se em melhores condições. Só isto basta para mim.

      Não concordo com a ideia de Aborto Livre, fazer filhos sem responsabilidade nenhuma, etc, etc, tudo isso — não faz parte da minha ética pessoal mas parece-me uma questão de puro bom senso que haja algum controlo sobre uma coisa destas e não apenas instrumentos de punição que nunca evitaram um problema que era um problema de saúde pública — e cujo combate os médicos (quem de facto deve opinar sobre estas coisas, porque é na sua consciência e não na minha que eu acho que isto deve ser tratado) decidiram aceitar como prática sua (ou acha que se faria abortos só porque a Catarina Martins queria e os médicos não quisessem?)

      1. Eu devo ser demasiado velho…
        Os abortos sempre se fizeram e porque as abortadeiras, tal como as parteiras quando não eram as mesmas, não acompanharam o progresso médico, é um facto que, em termos comparativos (modernos e não históricos) faziam-se em condições deploráveis. Mas as mulheres que abortavam, raríssimas vezes iam a julgamento e não me recordo (não me recordo, não garanto alguma excepção) que fossem condenadas a não ser e apenas nalguns casos a pena suspensa. Culpadas sim as abortadeiras e mais as organizações com essa finalidade como igualmente eram condenados todos os que praticassem algum acto médico sem estarem inscritos na Ordem. Isso sim, era importante e não eram por acaso que todos os bastonários eram da maçonaria. Os interesses das Ordens sempre mereceram muito respeitinho!
        A primeira vez que soube de uma mulher efectivamente condenada por abortar, foi na Outra Banda (talvez Almada) quando um bando de manifestantes, possivelmente antecessoras do BE porque o PCP sempre foi pelo respeitinho fez tal algazarra à porta do Tribunal, provocando a atenção dos media e o escândalo público e forçando pela primeira vez um juiz a aplicar a lei e não o bom senso.
        E, diga-se que, em menor grau o mesmo se passaria com a eutanásia porque não é por acaso que em certas zonas do país, também se chamam abafadores às almofadas. E não faltavam rumores de hospitais, supõe-se que apenas em casos tão flagrantes que na práctica, médicos e enfermeiros não receariam delações.
        Por outro lado, há questões que não deixaram de incomodar.
        A lei não resolveu os casos de abortos mais traumáticos e que continuam fora dos hospitais. Os das jovens que têm vergonha ou medo dos pais ou da sociedade ou mesmo os forçados pelos próprios pais. Ora são cada vez menos os pais que têm meios para uma viagem a outro país e, apesar das educações para a cidadania e dos dispensadores de preservativos, muitos anos passarão antes dessas vergonhas ou medos desaparecerem.
        Por outro lado, repugna-me que uma gravidez seja considerada uma doença e ainda mais, que, por imperativo de prazos, tenha prioridade sobre outras intervenções hospitalares. Será justo para o doente preterido ou adiado?
        Lembro-me quando da propaganda que antecedeu o 2º referendo, o ministro PS declarar que era uma vergonha as portuguesas terem de ir abortar a Espanha. E mais me lembro de poucos meses depois o mesmo governo, por razões economicistas, fechar maternidades na raia (p.ex. Elvas) dando assim a impressão que já não era vergonha as portuguesas irem parir a Espanha.
        Por outro lado os processos de adopção continuam por agilizar e os apoios às grávidas solteiras em termos prácticos estão reduzidos a poucas e pobres organizações de voluntários.
        Da mesma maneira que a morte medicamente assistida (com assistência médica e medicamentosa) talvez não atinja os 80% dos óbitos, percentagem que sobe muito se incluirmos o acompanhamento por familiares que nem lares nem hospitais podem assegurar sendo os regulamentos de visitas fortemente restritivos.
        Por tudo, dando como excepções alguns ingénuos bem intencionados, não me venham com conversas de racionalismo, direitos humanos e de misericórdia, porque, salvas as excepções que as há, é quase tudo ideologia, … e ideologia que eu só posso repudiar.

        1. Na verdade, é o facto de as pessoas serem pobres que atravessa todos estes problemas — se não fôssemos tão pobres as pessoas tinham mais filhos. De resto, concordo, é tudo ideologia.

  15. “mas, desde então, o site encontra-se inativo – ou em construção –, sugerindo que em breve será lançado um novo”

    Quem escreveu isto tem a certeza de que antes o site estava activo. Será que tem?

    Os jornalistas que escrevem estas coisas podiam investigar todo o percurso, em vez de xxxxrem umas conclusões. Ninguém sabia do número de bichos que iam ser abatidos, os espanhóis é que lhes deu uma adrenalina e resolveram ali mesmo começar a disparar.

  16. No princípio era o Verbo. E Nemrod, o caçador
    “Ele era poderoso caçador diante do Senhor; pelo que se diz: Como Nenmrod, poderoso caçador diante do Senhor”.
    Agora há talhos…

  17. Sinceramente, não percebo o alarido. Os bichos tiveram uma boa vida livre, foram caçados e morreram. Acham que uma vaca que andou estabulada toda a vida e morreu no matadouro teve melhor vida! Como é que pensam que o bife vos chega à mesa…

    1. ” Como é que pensam que o bife vos chega à mesa…”
      Suponho que nem todos pensam, limitam-se a comer. E irritam-se se alguém tiver opinião diferente.

    1. “os animalistas são gente acriançada”

      O Sr Curioso vai buscar um disparate completo !
      Pare ao menos um pouco para pensar!
      Na década de 80: quando apareceram os ambientalistas, estes foram insultados de tudo e mais alguma coisa durante anos.
      Hoje é tudo ambientalista, nem que seja para ficar bem.
      Mas há uns que o foram sempre!!!

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