A saúde dos portugueses vs o grande capital


Paulo Sousa,

Como acontece com todas as utopias, o liberalismo utópico equivaleria a um retrocesso civilizacional.

Depois de salvaguardado este ponto prévio, tenho de salientar que apesar da fama de defender sempre o grande capital, o liberalismo representado no nosso país pela IL mostra um lado humano defendendo que o dinheiro gasto para salvar a TAP seria mais bem gasto na saúde dos portugueses.

A quem não sofra de frémitos de autocensura recomendo a leitura desta entrevista, onde Carlos Guimarães Pinto desmonta o discurso de Pedro Nuno Santos, e demonstra com clareza a dimensão de mais este erro do governo.

“O dinheiro que será injectado na TAP, apenas nesta primeira fase, daria para pagar ao sector privado as consultas e cirurgias em atraso, evitando parte deste desastre. Infelizmente para o governo a saúde dos portugueses não é estratégica, ao contrário da TAP. Talvez fosse boa altura para mudar as prioridades.”

É curioso como são os socialistas, os sempre autodenominados donos dos valores do humanismo, a pôr em práctica exactamente o contrário.

São vários os analistas que defendem que António Costa entregou o Ministério das Infraestruturas a Pedro Nuno Santos para o queimar. Quanto pior lhe corra a vida política e mais desastrosas forem as consequências das suas decisões, mais distante ele ficará da liderança do PS. Este é o tipo de decisões que mostram que entre as lutas internas no seu partido e o interesse do país, o PM coloca as nossas algibeiras e o nosso futuro último lugar.

25 comentários em “A saúde dos portugueses vs o grande capital”

  1. Boa noite.
    Respeitosamente, a conclusão sobre esse concidadão é conhecida há décadas. Saúde
    António Cabral

  2. E em dois posts distintos, de dois colaboradores diferentes, chego à conclusão que António Costa e Luís Filipe Vieira são exatamente iguais.

    1. Não é uma comparação descabida. Depois da forma como Jorge Jesus saiu do Benfica e de tudo o que o clube e LFV disseram sobre ele, o recente frenesim na sua (re)contratação demonstra que, tal como António Costa, LFV é capaz das maiores contorções vertebrais para garantir a sua sobrevivência.

    1. Além de pobres temos um ego que é demasiado caro de manter.
      De caminho arranjam-se uns empregos bons para os amigos.
      Importa referir que na TAP há uma imensidão de profissionais competentes e válidos, mas esses terão sempre trabalho sejam quais forem as cores da cauda do avião.

  3. e curioso vir aqui um liberal defender que o estado em vez de financiar as empresas publicas , neste caso nem tanto, o financiamento do estado aos privados, ora é menos estado melhor estado, ora o estado deve salvar as empresas
    Mas na verdade é menos estado para eles e melhor estado para nós. Como bons católicos é o «venha a nós o vosso reino

  4. Como isto é adorável!

    É este rapaz que nos vai safar. Este rapaz que trocou uma brilhante carreira médica de ortopedista a tratar, com notável sucesso, a nata banqueira dos boches, por um novo desafio ao abraçar a área da diversão/entretenimento.

    A indústria dos carrosseis está pelas horas da amargura e o sinistro do Maserati tomou de encargo a sua recuperação. Sosseguem os portugueses porque teremos o carrossel da TAP, o carrossel da CP, do Metro (Lisboa e Porto), do STCP, da Carris, e da etc, a funcionar e plenamente disponíveis.

    O sinistro do Porsche operará a revolução nos carroseis prometida pelo seu antecessor, um tal de Pedro Marques, e a romaria ganhará reputação além fronteiras.

    O Zé ficará teso e a tinir, mas arvorar uma bandeira vale tudo. Até o sacrifício de encostar a barriga nas costelas!

    Smoreira

  5. Então Liberalismo é Socialismo noutra direcção. Estamos conversados…

    Aliás quando foi a ultima vez que a Iniciativa Liberal usou a palavra Liberdade?

    lucklucky

    1. Quem ouvir o CGP sabe que os nossos liberais defendem que a economia e o estado devem estar ao serviço das pessoas. Na China é o oposto que acontece.
      O crescimento económico e a riqueza dá liberdade de escolha aos cidadãos. Os pobres sabem bem disso, assim como os estado pobres, que até têm de dar razão ao Sr Orban para conseguirem ter dinheiro para a bucha.

      1. Quanto maior parte da economia calhar a uma determinada pessoa (quanto mais dinheiro tiverem) melhor é o serviço que o estado e a economia lhe prestam.

        Isso ainda parceria justo se defendessem um ponto de partida igual para todos, mas dizer isto e fingir que o filho do banqueiro triunfa porque é inteligente e o filho do pobre falha porque é estúpido, parece um pouco hipócrita.

  6. Devo, como o Paulo Sousa o fez, “salvaguardar um ponto prévio” antes de avançar sobre este seu “post”: é que eu apenas o levei para um verdadeiro pagode, da sua parte, antes de tudo mais… porquê? Por tudo isto:
    Uau! Não é que ele até começa logo com uma (suposta) bombástica surpresa: «Como acontece com todas as utopias, o liberalismo utópico equivaleria a um retrocesso civilizacional»! Há aqui alguma novidade? Não, não há! O seu (e o de todos os supostos defensores do) “liberalismo”, como todos os “não-liberais” sabem, resume-se apenas a um não querer pagar do seu bolso para despesas comuns a todo nós. “Utopicamente” falando, se o SNS ou a rua da nossa cidade passasse sem o dinheiro que o Estado nos “rouba”, ele (e todos os supostos “liberais”) até achariam bem a “interferência estatal”: na verdade, como todos nós sabemos, eles até são incondicionais adeptos da pedinchice desde que ela seja feita, como a “liberal” Jonet quando estabeleceu o limite admissível: «se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não comemos bifes todos os dias. E esse empobrecimento é porque comemos bifes todos os dias e achávamos que podíamos comer bifes todos os dias e não podemos»

    Depois, perante isso, lá vem o natural queixume da suposta ordem natural criada pelo liberalismo democrático, em que ele até se faz de vítima, cada vez que “posta”: «(…) apesar da fama de defender sempre o grande capital (…)»! Fama? Por parte da vasta maioria dos participantes com comentários aqui no DO? Não é fama, é proveito e até aplaudido!

    TAP? «o dinheiro gasto para salvar a TAP seria mais bem gasto na saúde dos portugueses»? É evidente que sim mas lá está, o «lado humano» da IL nesta matéria é, como costumam dizer os nossos descendentes brasileiros, conversa para boi dormir. A prova disso é as constantes posições da IL no que toca a, em vez de apoiar o investimento no SNS, optar sempre por “investir” em alternativas privadas que, se a curto prazo podem ser apresentadas como financeiramente vantajosas para os portugueses, a longo prazo, acabam sempre por sair mais desfavoráveis, financeiramente, à questão da “saúde dos portugueses”.

    A questão da TAP sempre foi, para mim, uma questão falsa: todos os governos, desde o 25 de Abril, sempre a abordaram de modo a que ela, como todas as empresas nacionais que podem gerar lucros, se demonstrasse como “ingovernável”! Na actual situação económica mundial, é evidente que nem como empresa estatal, privada, ou como a quiserem moldar, se pode encontrar uma solução: daí a suposta reviravolta na ladainha do PS (não a do partido mas a do autor do “post”, se bem que a do partido não difere até muito)…

    1. Logo na primeira frase entendeu mal a mensagem. Culpa minha.
      A referência subliminar (não pensei que fosse necessário ter de o explicar) era sobre o socialismo utópico.
      Vou tentar ser mais bem sucedido simplificando a mensagem.
      Num liberalismo utópico teríamos um estado nulo.
      Num socialismo utópico teríamos um estado total.
      A nossa realidade é demasiado próxima do socialismo utópico.
      O que defendo é uma mudança de agulha, uma redução do estado.
      Mais de 40 anos depois de Abril, um quinto dos portugueses vivem abaixo ou no limiar da pobreza, e isto acontece porque o estado é demasiado pesado e está enredado por demasiados interesses particulares.
      Com menos estado teríamos mais sociedade civil, mais cidadania, e mais liberdade.
      O incómodo que causa dizer isto é a prova de que até a liberdade está refém do estado.
      O status quo é socialista, e o liberalismo é uma contra-cultura.
      Pode pedir um subsídio para acender a fogueira.

      1. Caro PS, o que eu adoro na sua lengalenga é que ela se alimenta de um fantasma, o de que o Estado é isto e aquilo, faz isto e aquilo, mas depois quando vemos os eternos malditos números que espelham a realidade, descobrimos que, na verdade, V. apenas está como os gaijos da extrema-direita dos EUA que, por exemplo, inventaram aquela teoria de conspiração de que o governo federal – socialista, é claro! – andava a maquinar para colocar o exército nas ruas para controlar a maioria dos cidadãos em revolta contra a implantação do socialismo (por Obama, Soros, Gates, etc… ao gosto dos alucinados do costume). Na realidade, até foi o Trump que, como V. sabe, foi eleito por uma minoria, acabou por pôr o exército nas ruas…

        Diz que «O status quo é socialista, e o liberalismo é uma contra-cultura»! Começo, pelo seu linguajar (“status quo”, “contra-cultura”), a desconfiar que V. é um desses “hippies” da Direita… tipo Charlie!
        O meu pai, entre 1983 e 1984, trabalhou 6 meses sem receber qualquer ordenado para ver, poucos meses depois, a empresa declarar falência e os seus patrões criarem uma outra empresa. O marido de uma prima minha, um desses verdadeiros empreendedores liberais, criou uma carpintaria onde durante quase 10 anos nunca pagou a sua parte para a contribuição social, apesar de ter comprado um Mercedes… quando a carpintaria faliu, ele mudou-se para Angola; o Mercedes está parado no quintal de um vizinho amigo e os seus empregados, pelo menos os nacionais (cerca de 2/3 deles andam a tentar resolver o seu “problema” com o “status quo socialista”. Mais um último exemplo: o meu filho que vive aí em Portugal, desde meados da década de 2000, nunca conseguiu um emprego fixo: num dos últimos empregos que teve, quando se aproximou a altura de lhe darem um emprego fixo, os patrões reduziram o seu horário de trabalho/salário a metade, avisando-o logo que o seu futuro era o de ser despedido. «O status quo é socialista»? V. só pode estar a brincar com os pategos que trabalham tipos como V.
        É evidente que V. não só não sabe o que significa “contra-cultura”, como até se tenta apropriar da expressão para fins opostos: a “cultura” nessa expressão tem a ver com o “status quo” cultural do Ocidente, o que resulta e prolonga o capitalismo, na desumanização dos seus cidadãos. Nunca, qualquer forma de liberalismo, seja lá como ele for entendido por si, poderá ser contracultural.
        Acho que V. não sabe que não é porque um qualquer grevista resolve reivindicar melhor salário ou melhor condições de trabalho que ele é “socialista”! Na verdade, ele até pode ser mais “liberal” do que V.: ele apenas quer parte do quinhão da lengalenga que V. insiste em pregar.

      2. Mas à parte de tudo o que escrevi, no comentário anterior, gostaria de o desafiar a, para um destes dias, quando estiver para isso, em vez de escrever mais um daqueles “posts” onde, para além dos seus habituais blá-blás retóricos baseados na habitual “sou vítima”, nos consiga demonstrar, de acordo com a sua ladaínha mas com dados concretos, que
        a) «A nossa realidade é demasiado próxima do socialismo utópico», ou seja, de «um estado total.»
        b) «Mais de 40 anos depois de Abril» os tais «um quinto dos portugueses (que) vivem abaixo ou no limiar da pobreza», só «acontece porque o estado é demasiado pesado e está enredado por demasiados interesses particulares»
        e por fim, para não lhe pesar muito a sua tarefa a que o desafio
        c) nos explique, à luz do seu “liberalismo” utópico, ou seja ele lá como V. o que queira chamar, porque raio andou parte significante (até a mais “liberal”!!!) de «A nossa realidade» (que V. acha «demasiado próxima do socialismo utópico»), embrulhada com o “dono disto tudo”… sim, o tal “empreendedor” do BES!

        PS. – «Pode pedir um subsídio para acender a fogueira»… Hmmmm, só se for a favor dos empreendedores “liberais” madeireiros, contra o Estado que tudo controla, incluindo a vã tentativa de eles acharem que as florestas existem para servir os seus “empreendimentos”…

        1. Desejo-lhe saúdinha da boa.
          Em caso de dúvidas ou persistência dos sintomas consulte o seu médico ou farmacêutico.
          E já agora, quando beber um café, não se esqueça de pedir fatura com nr de contribuinte.

          1. O senhor António Vaz respondeu-lhe e deu factos que todos conhecemos, referiu o DDT , como podia referir outro qualquer ou outra empresa.
            Você optou por chutar a bola para fora e parar o jogo, não lhe fica bem mas é um estilo que infelizmente fez escola.
            O “liberalismo” que você defende nunca irá triunfar nem aqui, nem em lado nenhum como se comprova lendo noticias.
            O “liberalismo” que você defende não precisa de ser utópico basta ser posto á prova por algo menos gravoso que esta pandemia e cai como um castelo de cartas.
            A TAP tem activos e vai receber um empréstimo em condições mais (muito) desfavoráveis que outras companhias de aviação ao contrário de outras empresas que os únicos activos que têem são dividas e os seus accionistas / gestores foram responsáveis pela sua degradação ao ponto de ter de ser o Estado a intervir para evitar a liquidação. A gestão da TAP teve total autonomia para gerir a empresa e pelos vistos a única coisa que aumentou foi a divida e o antigo dono vai sair sem perder um único tostão pelo seus fracassos e ainda leva um bónus.
            Gostaria de saber a sua opinião sobre a ANA e a sua gestão ou sobre a EDP e a sua gestão ou o que pensa sobre a construção de um novo aeroporto que nunca será rentabilizado ou sobre as constantes noticias sobre cartéis de empresas nos mais variados sectores de negócio alguns deles até irrelevantes para o comum dos assalariados portugueses sejam eles funcionários do sector publico ou do privado.

            WW

          2. Desarmou-me quando disse que: “ao contrário de outras empresas que os únicos activos que têem são dividas”.
            Mande um CV para o Pedro Nuno Santos que certamente o vai contratar para assessor.

          3. O que escrevi na totalidade de certeza não me daria lugar de assessor, pena que releve só o que lhe interessa e esqueça o resto, outra técnica para divergir mas ao menos não chutou para fora do campo fez só um canto.
            Até o mais fervoroso liberal precisa sempre da ajuda do paizinho estado quando a coisa dá para o torto, é um facto e só não vê quem não quer.

            WW

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