A sapatada do Papa Francisco


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Sou ateu. Não anti-clerical (e confesso a minha constante estupefacção com colegas antropólogos [e não só …] que tanto altifalam contra a igreja católica enquanto se deliciam em mimos e enleios com sacerdotes zen new age, mualimos (auto)ditos subalternizados, curandeiros avessos à biomedicina ou outros interlocutores com seres intangíveis …). Ou seja, vou ateu, torço o nariz às crendices, mas “vive e deixa viver”.

 

De Papas pouco sei -.li um pouco de Bento XVI, deu para v(l)er que é um intelectual poderoso. (E já agora que nele falo, julgo que antropólogos [e não só …] que fazem vida “paperística” a elogiar e a defender alterações identitárias – a identidade como (re)construção social – mas que insistiam e insistem em chamar-lhe Ratzinger deviam ser pura e simplesmente despedidos, por indecência e má figura …, forma chã de falar de hipocrisia deontológica).

 

Arrazoado botado, avante. A história das instituições (todas) é o da inculcação que procuram. Também o é a da igreja católica. E inculcar o respeito é o básico. Ao ver a sapatada que o Papa Francisco deu àquela crente impertinente aplaudo, de pé. Nesse pequeno gesto, decerto que enfastiado e um pouco irado, Francisco mostrou a sua infalibilidade papal, nesta magnífica lição de “tende juízo”. E deixou claro que não há pingo de santidade em aceitar a impertinência imbecil. Aprendamos com o Papa o que é de aprender.

 

Que o Deus dele (e de tantos de vós) o proteja.

14 comentários em “A sapatada do Papa Francisco”

  1. Estou convencido de que nem ele acredita na infabilidade. Porque errar é humano. E ele é muito humano. Por isso compreendo a sua irritação com a senhora que o puxou como se ele fosse um filho seu, bem pequenino e muito traquina.
    Definitivamente, o papa não é um robô!

    João de Brito

    1. A infalibilidade é algo bem antigo. Ao que eu saiba, leigo (em sentido extenso e intenso) que sou, foi “actualizada” ali pelo XIX com um vector a que eu chamaria “político” e outros chamarão outra qualquer logia – ou seja, a doutrina exarada pelo Vaticano é lei (de vez em quando há discussões sobre a matéria). Não sei em que estado está esse “centralismo democrático”, se entretanto houve revisionismos ou não. Apenas uso a expressão, em termos alegóricos se se quiser, para sublinhar – como digo no texto – esta magnífica lição de tende juízo. Não creio que este Papa ou qualquer antecessor tivesse a ideia que a expressão se prendesse a uma omnisciência individual – certo, o poder mexe com as mentes mas seria um oxímoro um prelado achar-se tão divinalmente iluminado. Mas nunca se sabe, de facto, há laicos que se acham infalíveis porque não haverá homens da igreja? Que loucos há em todo o lado. Mas não me parece que tenham surgido desses ao nível do papado moderno. (Dos antigos não faço a mínima ideia, apenas descreio)

  2. E no dia seguinte um sermão sobre a violência contra as mulheres. Quem acompanha de perto a vida da ICAR ( não os sound-bytes e selfies da comunicação social) não ficou surpreendido. Este papa esteve mal, tal como tem estado de cada vez que fala de improviso ou se põe a filosofar sobre a doutrina da igreja, coisa para a qual não está preparado ( as suas gafes são monumentais) . Como católico rezo para que Deus o ajude a levar por diante a função que lhe foi destinada, que é muito pesada.

    1. “rezo para que Deus o ajude a levar por diante a função” Então pode descansar que a coisa vai por diante de certeza.

  3. Olhando para a cara da senhora gostaria de saber o significado das palavras que profere. Não que minimize ou multiplique a reacção papal, até porque o Papa Francisco também não terá entendido o que ela disse mas apenas o que fez.
    Questionei-me se não poderá estar ligado à questão do acordo entre a Santa Sé e a China em 2018. Este acordo, que motivou um grande mal estar entre os cristãos chineses, anulou a excomunhão de sete bispos nomeados por Pequim e instituiu que as novas nomeações resultarão de mútuo acordo, o que acaba por ser uma cedência ao regime chinês e uma confirmação de que foi inglório todo o ostracismo que os bispos, até então, legítimos sofreram.
    Poderá ser apenas uma coincidência.

    1. Mr Paulo Sousa, já discordamos várias vezes…
      No entanto, desta vez o seu texto tem factos concretos muito importantes que os media praticamente esconderam..
      Na realidade, todavia, os “bispos” não foram excomungados: simplesmente foram nomeados pelo departamento de assuntos religiosos do governo ATEU comunista e NÃO RECONHECIDOS pelo Vaticano….pois a nomeação de bispos requer procedimentos e cultura teológica que os nomeados por pequim não têm.
      Ao reconhecer esses bispos, Bergoglio cometeu um erro grave: os bispos clandestinos andam a ser presos e a ficar sob a direção dos oficiais.
      é tb um ato de TRAIÇÃO de Bergoglio: há bispos que foram presos por se recusarem a negar o SUCESSOR DE PEDRO (Papa) desde a implantação do comunismo passando décadas nas prisões onde muitos morreram…
      Sabendo desses factos históricos e dessa FÉ INQUEBRÁVEL, como podem os Fiéis católicos aceitar os “bispos” nomeados pelo regime sem qualquer preparação reológica e apostólica?

      Essa é uma hipótese do ato da senhora….embora me pareça pouco plausível.
      De qqer modo, NUNCA justificaria a reação violenta de Bergoglio

    2. Paulo Sousa no meu mural do FB alguém me comenta que a senhora queria um comentário sobre o Chile. Mas não faço a mínima ideia. As questões da igreja católica na China são mais do que relevantes – e, de modo abrangente, também o são as questões do sofrimento de comunidades cristãs e católicas no mundo e o silêncio que colhem (o episódio lamentável dos “easter worshippers” em 19 é simbólico disso). Mas não sei mesmo se a excitada crente tinha uma particular e política causa.
      Agora o que sei é que alguém na segurança do Papa vai perder o emprego.

  4. a questão da infalibilidade é uma das muitas ideias e “saberes” sobre o Sumo Pontífice e o seu pontificado totalmente erradas que se propagam por ignorância

    Os Papas só recorreram à “infalibilidade” 3 ou 4 vezes em dois mil anos……!!!

    A última foi nos anos 1860 por PIO IX sobre a IMACULADA CONCEIÇÃO DA MARIA…de resto já o povo católico, ortodoxo e das igrejas orientais o atestavam desde os primórdios do cristianismo.
    Na prática, PIO IX limitou-se a decretar aquilo que o povo já defendia e acreditava.~
    Acrescento já agora que os Reis portugueses começaram desde muito cedo a afirmar esse dogma: por exemplo, D. JOÃO IV ofereceu a coroa a Nª SRª DA CONCEIÇÃO na igreja de Vila Viçosa como forma de agradecer a restauração e venerando a Sua Conceição Imaculada.
    Tb por isso, S. JOÃO PAULO MAGNO visitou essa pequena igreja numa das suas visitas a Portugal e prestou homenagem e rezou à Conceição Imaculada
    É Nº Srª da Conceição (IMACULADA) que é padroeira de Portugal…
    Não é Nª Srª de Fátima ( claro, antes de 1917, Portugal já tinha padroeira…)
    Obviamente, é uma questão de nomes, pq a MÃE DE DEUS (JESUS CRISTO) é a mesma.
    Mas o significado da Conceição Imaculada é diferente da Srª do Rosário de Fátima, cujo objetivo da visita e mensagem são muito mais concretos e básicos, menos teológicos, e mais incisivos sobre os terríveis anos 1900—-

    Tudo o resto, cartas apostólicas, encíclicas

    1. peço desculpa…..
      não acabei a frase: tudo o resto cartas apostólicas, encíclicas, exortações apostólicas são orientações do sumo pontífice mas sem a força da “infalibilidade” apenas usada em dogmas profundamente teológicos

  5. o Vaticano II foi uma tragédia para a Igreja Católica é um facto !! e isso vê-se pela expansão Islâmica no Ocidente…em África…na Ásia…na América Latina surgiu o Vírus Edir Macedo…

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