A saída de Henrique Neto do PS.


Luís Menezes Leitão,

Tendo participado num jantar destinado a ouvir a opinião de Rui Rio sobre a actual situação política, estive sentado ao lado de Henrique Neto e tivemos ocasião de conversar sobre o estado do país. Percebi logo que o seu posicionamento estava muito longe do actual PS e que a ruptura seria inevitável. Que ela tenha ocorrido nesta semana não é de espantar. Quando o PS e o Bloco, quais gémeos siameses, queriam fazer arrendar à força as florestas dos pequenos proprietários, recebendo as rendas sem pagar qualquer indemnização aos donos, e só foram impedidos de o fazer pelo PCP está tudo dito. O PS de Costa nada tem a ver com o que era de Soares, de Guterres e de Seguro, sendo hoje um partido radical de extrema-esquerda estilo Venezuela, sem qualquer respeito pelos direitos fundamentais das pessoas. É por isso mais que altura de haver uma clarificação sobre quais são os seus militantes que se revêem nesta política. Henrique Neto teve a coragem de dar o primeiro passo. Onde estão os outros militantes tradicionais do PS?

8 comentários em “A saída de Henrique Neto do PS.”

  1. António Costa tirou mal o azimute ao estado da Nação, isto é, à estrutura social e psicológica do eleitorado em geral e em particular do eleitorado socialista. Surfou na onda de um “sucesso” que estava garantido, o da reversão de algumas políticas aplicadas pela anterior coligação, mas temporariamente, e esqueceu que isso teria que ser coadjuvado com políticas externas que permitissem consolidar não só esses resultados como também ir mais além.

    Pensou que bastava criar fama e deitar-se na cama. E assim fez, deitou-se no leito da Assembleia e convenceu-se que era suficiente explorar a dinâmica do ressentimento contra a anterior coligação para justificar qualquer decisão política que tomasse, mesmo que errada.
    Olhou somente para as paredes do Parlamento, onde obtém apoios com contrapartidas mesmo que fracturantes, e esqueceu que existe vida para além desse betão que envolve o leito.
    Costa, da mesma forma que Sócrates fez, refugia-se na retórica e convence-se que esta é o pão da Nação. Perdendo a perspectiva da realidade e não existindo a clareza que para manter o que se conseguiu, deixando os que (re)adquiriram satisfeitos, mas preservando o que obtêm, seria necessário fazer com que os que estavam fora entrassem. Mas para isto acontecer seria necessária uma visão mais alargada e trabalhar nos circuitos externos.

    Mas não, Costa pensou que bastaria um discurso à Ernesto Guevara e que um contínuo ataque ao passado seria mais que suficiente para agarrar a nação. Ao pretender fazer isto colou-se à atitude do PR no escandaloso acontecimento de Tancos e avança qual Quixote contra os moinhos de vento, os ventos da progressão natural das empresas como a PT-Altice.
    Equivocadamente julgou que um discurso de retardamento do progresso bastaria para encher estômagos.
    Quixote ficou na história da literatura, mas não porque tivesse destruído os moinhos. Nem tampouco as mós nem as hélices. Ainda hoje se faz farinha e também se levanta vôo. Não adianta ver em moinhos gigantes.

    Seguro tem de entrar com o milho para que os moinhos trabalhem. Os eleitores do PSD também necessitam muito dele.

    1. http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/henrique-neto-abandona-o-ps-e-arrasa-antonio-costa-188872

      A perspectiva de Henrique Neto sobre o perfil de Costa aproxima-se em tudo da minha.
      Vem isto a propósito para mais uma vez afirmar que o governo PS-PCP-BE perdeu uma excelente oportunidade para sair do paradigma da política tradicional da Nação.
      Costa tem a envergadura política à sua própria dimensão, mas a Nação é maior que esse ego.
      Catarina Martins tem o discurso de uma dona de casa insatisfeita com o matrimónio, e a única forma que encontra para superar a frustração é fazer um discurso de rebelião contra a estrutura da habitação, esquecendo que ao mexer nisto o telhado cair-lhe-á em cima.
      Pedro Passos Coelho julgou que bastaria gerir o tempo para lançar sua vingança contra Costa, mas somente permitiu que a estrutura partidária se movimentasse de forma anárquica esperando pelo momento para desferir o golpe da liderança.
      Cristas optou, e bem, por ir limpando a inconsequência de Portas sem fazer ruído sobre o passado.
      Jerónimo mantém-se colado à ortodoxia porque sabe que o importante não é ganhar a Nação, mas manter o partido. Todavia, quanto mais tempo se mantiver em colaboração com a governação mais “sujará as mãos”. E a geração de eleitores que agora entra não lhe perdoará a decisão.

  2. Grande perda para o PS e o país…penso que a seguir, para a “desgraça” ser total, sairão Francisco Assis e Luís Amado

  3. «O PS de Costa nada tem a ver com o que era de Soares, de Guterres e de Seguro, sendo hoje um partido radical de extrema-esquerda estilo Venezuela, sem qualquer respeito pelos direitos fundamentais das pessoas.»

    É sempre algo animador (relativamente, pois este país está uma lástima…) saber que há mais pessoas que pensam – e que escrevem – o mesmo que nós.

  4. fazer arrendar à força as florestas dos pequenos proprietários, recebendo as rendas sem pagar qualquer indemnização aos donos

    Aquilo que o Estado atualmente faz é apagar os fogos nas florestas dos pequenos proprietários, sem que estes paguem um tostão pelo serviço.

  5. Fez ele muito bem. O PS em que ele militava não é o genuíno PS.
    António Costa adulterou-o e não o devia ter feito.

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