A rela


eventhorizon,

Disse há algum tempo não querer votar no PSD. O pretexto era Nobre, mas não só: apesar de não ter nenhum preconceito contra Passos Coelho (creio que a sua “inexperiência” pode mesmo ser uma vantagem), não gosto particularmente de alguns dos seus acompanhantes – em muitos casos, não me parecem substancialmente melhores que os acólitos de Sócrates. Para além disso, aborrecem-me as oscilações constantes, mesmo reconhecendo que a comunicação social é, em termos gerais, muito sacaninha com o candidato do PSD. Já no CDS, passa-se exactamente o contrário: não simpatizo por aí além com Portas, abomino-lhe a demagogia fácil, mas simpatizo bastante com o partido, e com algumas (excelentes) pessoas que por lá estão. Em circunstâncias normais, nestas eleições o meu voto iria direitinho para o CDS.

Acontece que para mim estas eleições estão condicionadas, digamos assim, por uma particularidade geográfica: o meu círculo eleitoral é em Beja. Com muito gosto, acrescento, pois mesmo vivendo em Lisboa, o Alentejo continua a ser a minha casa. No entanto, Beja elege apenas três deputados. A menos que algo de extraordinário aconteça – algo como um fenómeno do Entroncamento, versão política, situado entre Vila Nova de Milfontes e Mértola -, um deputado neste círculo está garantido para a CDU, outro para o PS; e o terceiro será certamente disputado entre estes dois partidos.

Se a possibilidade de o PSD eleger um deputado por Beja é reduzida – mas existente, os tempos estão estranhos -, então a probabilidade de o CDS conseguir tal feito é tão pequena que nem o acelerador de partículas do CERN seria capaz de a detectar. Se é certo que não votarei à esquerda (a única excepção a esta regra são as eleições para a minha junta de freguesia), resta-me decidir entre um voto útil – no PSD, na vaga esperança de “roubar” um deputado ao PS (e à CDU) – ou um voto mais convicto (falta-me uma palavra melhor, desculpem), mas inútil, no CDS. 

No fundo, o que está em causa nestas eleições não é tanto a eleição dos deputados como a remoção, higiénica e tardia, de Sócrates. Este é o critério fundamental. Obviamente que, para tal, o voto mais lógico em Beja seria na CDU, mas não conseguiria engolir tão grande batráquio. Ficarei com um mais pequeno – uma daquelas relas cor-de-laranja, que espero não se revelar muito venenosa.

 

4 comentários em “A rela”

  1. Isso é o que se chama um voto estratégico!
    É por essas e por outras, e tb pq os deputados verdadeiramente não defendem os interesses dos círculos pelos quais são eleitos, que o seu apuramento devia ser a nível nacional.

    1. Caro Alberto, eu sou completamente a favor de que os deputados comecem a defender os interesses dos seus círculos (talvez isso acontecesse com círculos uninominais?). Mas o país parece não concordar – recordemos o queijo Limiano…

  2. Compadre não se apoquente que relas destas não há no nosso Alentejo, as nossas são verdes, mas verdes mesmo e não são vermelhas por dentro.

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