
Antes desta polémica sobre a reestruturação da dívida já tinha aqui escrito que se alguém acreditasse que era realizável a proposta de Cavaco para reduzir a dívida para 60% do PIB até 2035 bem podia acreditar no Pai Natal. Não admira, por isso, que logo a seguir ao conto de fadas por ele redigido, tenha de imediato surgido um manifesto de notáveis a propor a reestruturação da dívida. O que espanta na lista de nomes é lá se encontrarem pessoas muito próximas de Cavaco, o que mostra que nem no seu círculo restrito se encontra alguém disposto a acreditar nessas contas. Na verdade, já alguém me tinha dito textualmente o seguinte: “É um erro pensar que Portugal pode alguma vez pagar esta dívida. Nós não vamos pagar coisíssima nenhuma. Por isso a estratégia é mesmo a de ir sucessivamente apertando o cinto às pessoas, para no fim dizer aos credores que lamentamos, mas não temos nada mais que os ossos para lhes entregar“. No fundo, é o mesmo que está a suceder na Grécia só que forma mais lenta.
Perante esta óbvia estratégia, não admira que Passos Coelho tenha ficado furioso com o manifesto, acusando os notáveis de “irrealismo” e de “porem em causa o financiamento do país“. Se a tão apreciada queda dos juros vai abaixo com qualquer manifesto de notáveis, é evidente que nada disto é sustentável, como a breve trecho se verá. O Governo bem pode anunciar aos quatro ventos uma saída limpa. Quem percebe do assunto já se apercebeu do que se passa, como se pode ver aqui e aqui. Cedo ou tarde, o que Portugal vai ter será mesmo uma saída muito suja.

Pode ser que Portugal adira ao RUBLO ou ao WON norte-coreano.
No rublo não se estaria mal. Parece que na Rússia a taxa máxima de imposto é de 13%.
Gerárds Depardieux é o que mais há.
Parece-me que a saída suja já aconteceu em 2010-2011. Em todo o caso a grande maioria dos que agora descobriram que a divida é impagável, foram grandes entusiastas do seu crescimento insustentável ao longo dos anos e não tenho notícia que algum deles se tenha manifestado contra isso.
A verdade é que a generalidade dos assinantes do manifesto se enganaram nas previsões que fizeram nos últimos três anos acerca da aplicação do PAEF. Agora para se limparem inventaram este manifesto que faz cá tanta falta como uma camada de sarna.
Também não é preciso ser entendido no assunto como aqueles que cita no seu post para saber o que é que acontece aos países que reestruturam as suas dividas: miséria. Já ouviu falar do Chipre e da Argentina?
E já ouviu falar da miséria em Portugal? Ou acha que neste aspecto o país está bem e recomenda-se?
É verdade que há demasiada gente a passar mal em Portugal. Mas é preciso alguma prudência quando se fala em miséria. Não sei que idade LMLeitão tem, mas eu tenho idade suficiente para me lembrar como muita gente vivia em Portugal nos anos 50, p. ex. Aquilo sim era miséria, muita gente passava os invernos inteiros sem trabalho e portanto práticamente sem comer.
Apesar das dificuldades que ninguém nega, as coisas agora são muito diferentes.
Não era nascido nos anos 50, mas já era nos anos 60. Serve-me de fraco consolo a miséria nesses anos. Depois do 25 de Abril, nem nas duas intervenções do FMI se assistiu a nada semelhante. A verdade é que nos foi prometido que o euro e a União Europeia seria uma fonte de prosperidade e neste momento o que nos prometem é 20 anos de miséria. Porque quem já cortou salários e pensões a partir de 600 euros, e ameaça prolongar esses cortes está a fazer o quê?
Limpinho, limpinho! Um gajo enche-se de dívidas, à maluca, e depois, como uma lata do catano , vira-se para o credor e diz-lhe… Pagar?! É o pagas… Não há nada para ninguém!
E o credor, um mãos-largas e a Santa Casa da misericórdia, abre o cofre ao caloteiro e empresta-lhe mais uns milhares de milhões para ir, enfim, atamancando o dia-a-dia…
Esta malta é o máximo!
Gebau, mein lieber Gefährte! Schwarz fuck that!
O JOÃO CRAVINHO NÃO REUNE AS MINIMAS CONDIÇÕES PARA SER O COMISSÁRIO EUROPEU A INDICAR POR PORTUGAL (E QUE O P.S. JÁ DISSE QUE PRETENDIA SER A INDICAR) , AS SUAS AMBIÇÕES PESSOAIS SAO A RAZÃO DE SER DESSE MANIFESTO . ELE QUER MAS NÃO VAI SER ! OS RESTANTES NOMES SAO VERBOS DE ENCHER QUE FORAM ATRAS
O CRAVINHO DAS SCUTS ESTAR NA BASE DAQUELA COISA PARA MIM É DE ANEDOTA.
“Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.
alem do gozo que dá dizer mal, tambem chamo a atenção para a historia: ler umas coisas da epoca sobre a criação dos EUA, bem como o estado actual em que alguns estados(EUA) têm um situação de banca rota em varios municipios e os habitantes(americanos claro!) são obrigados a irem para outros estados mais prosperos onde o dinheiro(dolares claro) corre sem parar para gaudio dos americanos (os que estão do lado certo do dolar). Tanto nuns como noutros estados se quiserem comprar um €-euro (aquela moeda rasca que vai acabar dentro de pouco tempo,lembram-se?) todos têm que desembolsar 1,37 dolares. Não será que a noticia da nossa morte(UE) nao se mostrará com nitidamente exagerada?
Ah e muitos empresarios da Ue nunca exportaram tanto como agora que a porra do miseravel euro está a 1,38 dolares quase gozando com as estimativas de tanto “expert” em que devemos obviamente acreditar mas só lá mais para o fim do filme.
Cedo ou tarde, o que Portugal vai ter será mesmo uma saída muito suja.”
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quando o Primeiro-Ministro de Portugal que chama irrealista ao actual Presidente da CIP, está tudo dito sobre que visão económica deve prevalecer em Portugal…
Grave é o presidente da CIP assinar este manifesto. Agora é que descobriu que “o rei vai nú”. Quando se duplicou a divida em seis anos andou caladinho, se calhar porque “o rei ia de barriga cheia”.
A partir de hoje vai ser cómico observar os comentadores mainstream começarem a defender a reestruturação como se nunca tivessem feito outra coisa. Ri-se a extrema esquerda, “outrora” acusada de irrealismo e radicalismo e ria-me eu, se não tivesse vontade de chorar com tanta irresponsabilidade, para não dizer pior. Com uma comunicação social acéfala e domesticada como temos hoje, se o Salazar cá viesse acima (só pode estar a arder nas profundezas do inferno), diria certamente: este Coelho é um sortudo, não precisa de PIDE nem censura…
A simples ideia de que um plano a 20 anos deste país se resume ao baixar da dívida pública, deveria dar direito a queda imediata do regime.
Um país pior que governado por gente má, é governado por assumidos medíocres.
Tenho de reconhecer uma coisa: depois da desilusão que estava a ter com Passos Coelho em quem tinha votado, mesmo reconhecendo a falha deste governo por não ter reformado o Estado: umas vezes por falta de competência e vontade, outras por pressão pública e logo culpa de muitos destes subscritores; o atual manifesto fez-me reconciliar com Passos face ao descaramento de muitos culpados que nos colocaram nesta situação e ainda defendem direitos adquiridos por eles.
Levar à justiça os políticos que por opções politicas de gestão danosa lesaram o Estado e o conduziram a uma situação financeiramente insustentável e depois colocá-los na prisão não é um retrocesso civilizacional ou da democracia, é um avanço e muitos dos subscritores provaram por este manifesto que deveriam estar presos.