A propósito da Lusa, a agência que também nos informa sobre os milhares de lagartas que bloqueiam comboios na Mongólia e ratos que aparecem no interior de aviões da Qantas


Rui Rocha,

De acordo com o CM, a Lusa está novamente envolta em polémica. Em comunicado, o Conselho de Redacção afirmou que a agência “não foi um modelo de objectividade, nem de rigor e muito menos de isenção”. Ao que parece, na origem da discórdia está a alteração de uma notícia onde se lia:

 “Os responsáveis da troika consideraram que o PEC 4 não era suficientemente profundo em reformas estruturais para lidar com a crise, uma vez que se concentrava apenas nas medidas fiscais.”

Entretanto, o texto terá sido alterado pelo chefe de redacção e, na versão final divulgada pela Lusa, ficou: 

“A troika considerou que o PEC 4, que o Governo apresentou em Março e foi chumbado no Parlamento pela oposição, ‘era um bom ponto de partida’, disse Jürgen Kröger.”

6 comentários em “A propósito da Lusa, a agência que também nos informa sobre os milhares de lagartas que bloqueiam comboios na Mongólia e ratos que aparecem no interior de aviões da Qantas”

  1. É só começar a contagem decrescente 5,4,3,2,1… para a Lusa começar a seduzir o PSD com algumas notícias favoráveis.
    “Vejam somos a voz do dono. Não nos privatizem…”

  2. Entre os imensos males da Lusa sempre estiveram os milhares de lagartas que bloqueiam os cérebros dos seus quadros superiores e os ratos que aparecem no interior da sua Redacção.

    (Acho que o comentador Luís Lavoura vem aí ensaiar um argumento pró-Lusa, para não variar.)

  3. Queria apenas lembrar que o texto em causa inspirou o discurso do Sócrates na pré-campanha (e que ainda perdura) e serviu para enganar mais alguns incautos sobre a questão da responsabilidade pela crise política.
    Foi com base nesse argumento que Sócrates tentou (e em parte conseguiu) convencer alguns portugueses que o chumbo do PEC4 foi totalmente injustificado e teve como móbil exclusivamente a tal “sede de poder”.

    Isto para salientar que estas pequenas-grandes falácias (passe o oxímoro – parafraseando alguém ali ao lado) por vezes têm efeitos substanciais.
    Se somarmos todas essas pequenas falácias, então temos uma falácia colectiva e generalizada, cujos efeitos podem ser devastadores.

    Pior que isso é que essa desinformação tem o efeito da água do rio: depois de desaguar no mar já não é possível fazê-la correr novamente no rio. O seu dano consuma-se irremediavelmente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *