De acordo com o CM, a Lusa está novamente envolta em polémica. Em comunicado, o Conselho de Redacção afirmou que a agência “não foi um modelo de objectividade, nem de rigor e muito menos de isenção”. Ao que parece, na origem da discórdia está a alteração de uma notícia onde se lia:
“Os responsáveis da troika consideraram que o PEC 4 não era suficientemente profundo em reformas estruturais para lidar com a crise, uma vez que se concentrava apenas nas medidas fiscais.”
Entretanto, o texto terá sido alterado pelo chefe de redacção e, na versão final divulgada pela Lusa, ficou:
“A troika considerou que o PEC 4, que o Governo apresentou em Março e foi chumbado no Parlamento pela oposição, ‘era um bom ponto de partida’, disse Jürgen Kröger.”

É só começar a contagem decrescente 5,4,3,2,1… para a Lusa começar a seduzir o PSD com algumas notícias favoráveis.
“Vejam somos a voz do dono. Não nos privatizem…”
Tal e qual, lucky.
Entre os imensos males da Lusa sempre estiveram os milhares de lagartas que bloqueiam os cérebros dos seus quadros superiores e os ratos que aparecem no interior da sua Redacção.
(Acho que o comentador Luís Lavoura vem aí ensaiar um argumento pró-Lusa, para não variar.)
Quadros ainda vá, João. Agora, superiores já me parece um bocado forçado, João.
Queria apenas lembrar que o texto em causa inspirou o discurso do Sócrates na pré-campanha (e que ainda perdura) e serviu para enganar mais alguns incautos sobre a questão da responsabilidade pela crise política.
Foi com base nesse argumento que Sócrates tentou (e em parte conseguiu) convencer alguns portugueses que o chumbo do PEC4 foi totalmente injustificado e teve como móbil exclusivamente a tal “sede de poder”.
Isto para salientar que estas pequenas-grandes falácias (passe o oxímoro – parafraseando alguém ali ao lado) por vezes têm efeitos substanciais.
Se somarmos todas essas pequenas falácias, então temos uma falácia colectiva e generalizada, cujos efeitos podem ser devastadores.
Pior que isso é que essa desinformação tem o efeito da água do rio: depois de desaguar no mar já não é possível fazê-la correr novamente no rio. O seu dano consuma-se irremediavelmente.
Já para não dizer que foram esse tipo de falácias que nos fizeram desaguar numa falência, Alberto.