Pedro Magalhães Ribeiro, assessor do gabinete de Costa e ex-presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, demitiu-se por, segundo a Comissão Nacional de Eleições, ter “usado canais de comunicação da autarquia para fazer campanha eleitoral”. É comum a actividade da CNE despertar-me reticências: vejo-a amiúde construir casos bastante forçados, como admito parecer-me este, e vejo-a também assobiar para o ar em situações muito mais graves. Mas isto diverte-me: António Costa escolhe-os a dedo. E agora fico a pensar: será que o questionário-maravilha anunciado por Costa já inclui a pergunta “Alguma vez usou canais de comunicação da sua autarquia para fazer campanha eleitoral”, ou irá ele afinal ter 35 perguntas em vez das 34 anunciadas por Mariana Vieira da Silva?
Demos, no entanto, o mérito a quem o merece. Há meses, Mariana Vieira da Silva foi fustigada por ter empregado (com salário topo-de-gama) um jotinha recém-formado. É agora óbvia a sua perspicácia: se é necessário garantir que os nomeados não têm rabos-de-palha, vai-se buscá-los aos bancos de escola. E se mesmo isto não for suficiente, ainda veremos o próximo governo de Costa com ministros vindos – da creche.
Adenda (13/01/2023, 09:56): afinal, já vai em 36 perguntas em vez das iniciais 34.

Ter poder para nomear, a gosto, toda a dita “classe política” dá nisto.
Mais um sinal do prolongado incontrolável estertor do actual sistema político.
Nada que preocupe Bruxelas e Frankfurt.
Bruxelas, com pavor à simples sugestão de bancarrotas, vai continuar a sustentar este triste espectáculo desde que os números pareçam “bater certo”. Como “batem certo”, isso não lhe interessa para nada.
E, se preciso for, irão às incubadoras da Alfredo da Costa.

Enfim este país está transformado num autêntico circo onde, infelizmente, os palhaços somos todos nós que pagamos sempre tudo.
O país tornou-se num circo bizarro onde os palhaços ricos fazem o espectáculo para uma assistência de palhaços pobres.
SOBRE O TAL MECANISMO
Lastimável que Marcelo colabore num golpe desta grotesca dimensão.
A única vantagem que podia ter era acabar com as cenas exibicionistas de uma chusma de engravatados que não tem mais nada que fazer, iludindo a tomada de posse onde os juramentos de honra são atirados para o caixote do lixo.
Chegou-se ao ridículo ponto de uma conclusão do presidente vir a ser aprovada em conselho de ministros, atropelando o mais básico principio de convivência institucional.
Lendo a sua primeira frase, é-se levado a pensar que Marcelo nunca teve o hábito de acorrer, meigo, de cada vez que se sente o inconfundível aroma evolar-se da fralda do menino governo.
Após a importação desta ideia vinda das democracias maduras, importava saber se os deputados (candidatos a tal incluídos) devem ser sujeitos à referida prova do algodão.
Mesmo sem ter a resposta para esta questão, fico a fazer figas para que outras ideias, que ajudem a melhorar a democracia, sejam igualmente copiadas. E estou a recordar-me do “engraçadismo” a que recorreu o Presidente da AR quando foi questionado sobre o custo da sua ida de Falcon ao Catar. Ainda não entenderam que é normal que em democracia lhe sejam pedidas explicações.
O Dexter tinha o Code of Harry. Estes vão ter o “mecanismo”. A diferença é que o primeiro servia para impor um comportamento ético ao Dexter. O nosso “mecanismo” só partilha com ele a primeira regra: “não ser apanhado”.
Acabei de ouvir no Contra Corrente da Rádio Observador que ontem foi perguntado à ministra sobre se um membro do governo tiver mentido no seu compromisso de honra, se isso implica uma demissão imediata. E ela respondeu que isso irá depender da gravidade da mentira.
E pronto. Estamos nisto. São 36 perguntas, mas até podiam ser 360, porque no fim de contas acabamos sempre por ficar na mão daquela malta que confunde ética com a lei.
E não houve um único jornalista a rir-se na cara dela quando respondeu isso?
Tenho de ver se encontro essa resposta dela em escrito: é um óptimo momento zen.