À procura de emprego


Pedro Correia,

Paulo Rangel encabeçou em Junho de 2009 a candidatura social-democrata ao Parlamento Europeu, entre ferozes críticas a duas candidatas socialistas ao mesmo órgão, Elisa Ferreira e Ana Gomes, que eram simultaneamente candidatas autárquicas, facto que considerou "inaceitável", como sublinhou na altura. "Ninguém se candidata a dois ou três lugares, a não ser que esteja à procura de emprego" , bradou então. Há escassos oito meses.

Lembrei-me destas virtuosas proclamações do eurodeputado ao confirmar hoje aquilo que todos já adivinhavam: será ele o candidato do aparelho laranja contra Pedro Passos Coelho. Anda à procura de emprego, só pode ser.

29 comentários em “À procura de emprego”

  1. Este rapazola é um poço de moralidade, para o lado que o vento sopra.
    A triste figura, qual menino de escola a fazer queixinhas, que ontem fez no PE, vem mostrar, mais ainda, que não merece qualquer crédito.
    Aquilo ontem foi o quê? O envio de Curriculum Vitae para o emprego?

  2. Rangel arriscou num só “cavalo” e ganhou. Elisa Ferreira e Ana Gomes foram a jogo com a certeza da entrada em Estrasburgo e cientes das derrotas locais a haver. Julgo que Rangel será coerente em abandonar o Parlamento Europeu,seja qual fôr o resultado das eleições a que agora se candidata. Ou então sou eu que ainda acredito nos “glutões”…

  3. É o desespero Pedro, é o desespero…
    e claro também ” goza ” daquele probleminha tão comum aos portugueses, uma enorme falta de memória e um menosprezo incrível pela inteligência das pessoas…

  4. Há, finalmente, luz ao fundo do túnel.
    Os desesperados do socretinismo (e do passos-coelhismo…) já começaram a bufar.
    Vem aí borrasca forte.
    Mas Rangel vai vencer. A parte sã do país está a acordar.

    1. Pode ser que sim, meu caro. Eu pouco ou nada sei de Passos Coelho. Mas de Paulo Rangel já registo duas:
      – a oratória anti-ética que contrapôs a Marques Mendes na ‘universidade de Verão’ ou lá como se chama aquilo;
      – esta de hoje.

  5. Ultima hora, Aguiar Branco também vai enviar curriculum para emprego.
    Se já andavam em guerra, ela continua.

  6. Concordo num ponto com o comentário de João Carvalho, “- a oratória anti-ética que contrapôs a Marques Mendes na ‘universidade de Verão’ ” foi um péssimo sinal. O partido deveria convidar o retorno de Marques Mendes, nada impede que o Congresso assim o decida, os militantes são soberanos. Então tinhamos homem integro par o País.

    1. Estou perfeitamente de acordo, muito embora duvide que Marques Mendes aceitasse. Mas sim, que tínhamos homem, ai isso tínhamos (por aqui se vê que os homens não se mendem aos palmos!)

  7. Precisamente. Parece que não há vergonha na cara que se imponha perante o cheirinho a poder. Eu não sei, mas se fosse militante do PSD ia pensar bem em votar para a liderança do meu partido em alguém com tão pouca honestidade.

  8. Não sou rangelista , mas as situações invocadas não são equiparáveis. A corrida dentro do partido, qualquer que ele seja, tem um prius lógico absoluto sobre tudo o resto.
    Os cargos exercidos por mandato eleitoral – caso da AR, do PE ou de uma autarquia -, inscrevem-se na mecânica democrática do país e dos partidos. E na representação que os candidatos desempenham junto do eleitorado quanto a essas forças políticas.
    Estaríamos muito mal se qualquer um desses representantes estivesse automaticamente impedido de participar activamente nos actos refundadores da direcção partidária, só porque exerce um mandato e porque disse o que devia ser dito, em tempo oportuno: acumular candidaturas praticamente simultâneas ao exercício de cargos públicos remunerados é uma pouca vergonha.
    Nada há aqui de comparável.

    1. Caríssima Chloé: não fui eu que jurei a pés juntos que honraria o mandato para que fui eleito e não me candidataria à liderança do partido. Foi Paulo Rangel que andou meses a repetir esse discurso. O último ‘desmentido’ de PR ocorreu a 30 de Janeiro – há dez dias, portanto – reagindo com aparente determinação a uma notícia do semanário ‘Sol’ que dava como certa a candidatura dele. Afinal avança, ao contrário do que garantiu há tão poucos dias. Seria interessante saber se tenciona manter o mandato no Parlamento Europeu, que jurou honrar, ou se também esta promessa vai às malvas. Convenhamos que é um mau começo para quem pretende regenerar o partido e, com ele, a vida política portuguesa. Este jogo de escondidas com os eleitores e os militantes nada tem de novo: é mais do mesmo.

      1. Ainda vai a meio, mas é pura utopia.
        Discurso para encher ouvidos,

        De repente surgiu-me uma “duvidazitazinha”.
        O lugar no aviãozito, directo ao horário nobre dos telejornais.
        Quem pagou?

      2. Pedro Correia, repito que não tenho motivo especial para defender o homem.
        Quanto ao mandato eleitoral que jurou honrar, continuo a achar que as circunstâncias justificam a contradição (e penso até que é essa a sensibilidade da maioria das pessoas).
        O caso muito menos me parece um jogo das escondidas com os eleitores e/ou militantes do seu partido. Pelo contrário: jogo mais às claras não pode haver. Dá a cara. Está tudo na mesa e a ela vai voltar.
        Já quanto às últimas afirmações/desmentidos , confesso que não segui. Mas não é inédito: é a vida. A vida real, e não a construída. Um pecadilho político velho como Matusalém. Alguém se admira verdadeiramente? Duvido. Todos sabem muito bem que Rangel era um candidato fortíssimo (mesmo quando o elegeram, e se calhar, pour cause).

    2. Chloé, não é preciso gostar de Rui Rio (que está cheio de anti-corpos, como sabemos) para reconhecer que tem cumprido a promessa de cumprir os mandatos a que se tem candidatado.
      Paulo Rangel é do mesmo partido, mas não é da mesma escola. O PSD está cheio de escolas, entre elas as que não cumprem por, designadamente, recusarem a ética.

      1. Tens toda a razão, compadre. Rui Rio, goste-se ou não dele, cumpriu o contrato estabelecido com os eleitores, mantendo-se no cargo para que foi eleito. Hoje em dia já basta isso para merecer um elogio.

      2. João Carvalho, como disse acima, nem sou rangelista, mas continuo a achar que há demasiado fariseísmo no julgamento da personagem.
        Hoje em dia (todos) invocamos a ética a pontapé, por isso o discernimento nessa matéria torna-se cada vez mais necessário e, por mim, é um exercício solitário que recomenda serenidade e sentido das proporções.
        Ora Rangel, mesmo quando pretensamente se desdiz, é perante todos que o faz e é perante todos que assume o risco do julgamento correspondente. Não há um beliscão que seja no jogo democrático, porque os que reprovarem a sua atitude – por questões éticas e não outras -, terão cedo ou tarde como penalizá-lo.
        Isto é lealdade. Lealdade em substância.
        E o que eu quero é justamente isso: políticos assim, que se expõem. Que assumem o dilema à nossa frente e nos dão o privilégio de os poder julgar.
        E o que eu não quero é exactamente o contrário: políticos que não mostram o jogo, políticos que traçam uma estrada direitíssima e sem cruzamentos só pour épater les bourgeois, enquanto as suas decisões, todas muito coerentezinhas e falsamente enxutas, vão sendo ditadas por mil e um (des)caminhos secundários cuja existência o eleitor ignora, e portanto não julga e jamais pode penalizar.
        Há muitos políticos assim em todos os partidos e o maior deles todos governa-nos.
        Gente assim não me serve.

        1. Entendi-a perfeitamente. Por mim, quase me sinto tentado a concordar, mas começa a ser mais do que tempo de nos tornarmos mais exigentes: a ética foi cristalizada algures lá em cima enquanto nós fomos descendo até ao fundo; quero candidatos limpos e sérios, que chamem as coisas pelos nomes e que manifestem logo, ao mesmo tempo, preocupação com valores essenciais e intemporais.
          A marginalidade confessa não me serve, por muito competente que pudesse ser. Quero mais – quero rectidão, seriedade, honestidade, frontalidade, energia, desassombro. E competência, já agora.

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