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Em Março de 2017 o professor Jaime Nogueira Pinto, homem consabidamente de direita, viu cancelada uma conferência para qual havia sido convidado, a realizar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. O motivo foi a ameaça de acção violenta feita pela Associação de Estudantes, disse-se que ligada ao BE, auto-legitimada pela ideologia do orador. A direcção da faculdade atemorizou-se e cedeu. Os organizadores propuseram pagar a protecção policial. A direcção negou-se a fazer entrar a polícia no espaço universitário, uma já saudável tradição académica, mesmo que para defender o fundamental direito de liberdade de expressão. E de associação. Então a organização propôs arranjar segurança privada. A direcção recusou, e cancelou definitivamente a acção. Seguiu-se polémica. Vários professores, dali e de outras instituições, vieram a público mentir – quem acredita que há um qualquer “Juramento de Hipócrates” vinculando os académicos à demanda da(s) verdade(s) está redondamente enganado – clamando que o objectivo da organização era convocar os holigões neo-nazis para a universidade. Em privado alguns académicos – daquele vácuo eixo MES/BE – foram-me dizendo, com desplante sorridente, “ah, também o Nogueira Pinto é muito reaccionário …”. Sê-lo-á, porventura. E depois, que interessa isso?, calei eu, já então enojado com o ambiente geringoncico desta pequena lisboa, do campo grande à avenida de berna, “do choupal até à lapa” … Mas do episódio retive três dimensões: o aldrabismo de tantos intelectuais; a cobardia académica; que só em situações extremas é que a polícia entra nos campi, nem mesmo para defender direitos fundamentais.
Leio agora, através do texto do Pedro Correia, que a PSP foi chamada, por denúncia anónima, e acorreu à Faculdade de Arquitectura, com desconhecimento da Direcção académica. Que deteve e multou um professor à porta da sala de aula. Devido a ter este retirado a máscara durante um período da sua prelecção. Passaram alguns dias. Googlo e não encontro quaisquer reacções, daquela faculdade, do seu corpo docente, ou no restante mundo académico, individual ou organizacional.
Para além do choque com esta mentalidade delatora e com este excesso de zelo, inculto e ilegal, de uns quaisquer polícias, o que se pode retirar? Que para o mundo universitário português é normal, e até requerido, evitar a acção policial para defender as liberdades de expressão e de associação. Mas que é mais do que aceitável, até requerida, a sua acção para obrigar a usar máscaras em espaço académico. Mesmo sem permissão ou solicitação das autoridades universitárias.
Não haja dúvida de que se vive uma histeria sanitária, promotora de mentalidades antidemocráticas. Mas o silêncio corporativo também nos mostra outra coisa. Que naquele meio existem, como se diz na tropa, “filhos de muitas mães”. E isto até para mau entendedor chega …
(A latere: ao colocar este texto no blog pesquisei o logotipo da Faculdade de Arquitectura para o ilustrar. Para me deparar com uma figuração completamente …. maçónica! Como é isto possível, estes termos para a representação de uma instituição pública numa república laica? Como não se exige a depuração deste simbolismo?)

O que são autoridades universitárias?
A polícia precisa de autorização de quem, para entrar numa universidade, ainda por cima pública?
Multou ou deteve? É que se multou, não deteve, se deteve não multou.
Quem multa não é a polícia. A polícia autua, a multa é aplicada pelos tribunais.
Ora se é uma autuação, é porque não há crime, há sim uma contra ordenação. E se não há crime não há detenção.
Camarada coordenador trata deste e dos seguintes, se tiveres paciência …
Que tem o logotipo de maçónico?
(Não percebo nada de maçonaria, não sei.)
E o que tem a maçonaria a ver com a laicidade do Estado? Que eu saiba, a maçonaria não é uma religião.
Apenas com intuito informativo
Para permanência em estabelecimentos de ensino, é obrigatório o uso de máscara, ou viseira, por todo o pessoal docente ou não docente, em modo permanente, exceto aquando da realização de refeições.
Infração a esta disposição:
b) do n° 1 do art°2 do Dec. Lei 28-B/2020 de 26 de junho, conjugado com o n° do art° 13-B do Dec. Lei 10-A/2020 de 01 de maio.
Punição:
n°1 do art° 3 do Dec. Lei 28-B/2020 de 26 de junho.
Coima de 100 a 500€ para pessoas singulares e de 1000 a 5000€ para pessoas coletivas.
jpt está a misturar coisa que nada têm a ver uma com a outra. A liberdade de expressão de Jaime Nogueira Pinto (que nesse tempo tinha, e continua a ter, um programa semanal na rádio pública portuguesa, para além de escrever livros e, creio, dar aulas na universidade) nunca esteve em causa. Aquilo que esteve em causa foi uma universidade oferecer-lhe uma sala para ele dar uma palestra. Uma universidade não tem qualquer obrigação de oferecer uma sala a seja quem fôr para essa pessoa dar uma palestra. Jaime Nogueira Pinto poderia perfeitamente, e em toda a segurança, ter proferido a sua palestra numa sala alugada num hotel, ou alhures. A universidade não tem nada que se desviar do seu caminho e arranjar complicações, com polícias ou seguranças privados, para que Jaime Nogueira Pinto possa dar a palestra que queira dar.
É evidente, ainda que doloroso, que V., anónimo, não faz a mínima ideia do que é o tal “caminho” da universidade. Que é exactamente o de acolher e dinamizar espaços de debate intelectual, que tenham também (mesmo que não explicitamente) dimensões formativas. E tanto não faz ideia que não percebe não só o que conduz a essas actividades – como talvez por não saber o que é uma universidade, ainda que haja imensa gente que não frequentou estudos universitários mas é capaz de ler um texto e compreendê-lo, pelo que o seu défice é da sua estrita responsabilidade pessoal -, como não percebe um texto que lhe é posto à frente. Chama-se a isso iliteracia. Eu explico-lhe, por piedade, o professor universitário Jaime Nogueira Pinto (ou outro qualquer) não só deve ser convidado para falar noutras universidades, ou seja há uma obrigação deontológica universitária em “oferecer uma sala a seja quem fôr para essa pessoa dar uma palestra”, dentro dos requisitos universitários (dos “termos de referência” da actividade universitária), como não tem que andar a arranjar “sala alugada num hotel, ou alhures”. Pode-o fazer se assim o entender. Como o podem convidar para tal, se assim o entenderem. E, sobretudo, foi convidado por uma associação estudantil para falar e foi-lhes (à associação e ao professor) vedado o direito a falar, à liberdade de expressão.
Deixe-me explicar-lhe ainda melhor: é até indigna a dimensão da ignorância que V. patenteia neste seu comentário. Anónimo, como é costume nestes casos.
“A liberdade de expressão de Jaime Nogueira Pinto (que nesse tempo tinha, e continua a ter, um programa semanal na rádio pública portuguesa, para além de escrever livros e, creio, dar aulas na universidade) nunca esteve em causa.”
A Liberdade esteve em causa sim. E não só de Jaime Nogueira Pinto. Também da própria Universidade e daqueles que o queriam ouvir e dos que o convidaram. – a não ser que assumamos que ameaça de violência foi promovida pela própria Universidade, e se foi a Associação de Estudantes então até podemos dizer que uma Universidade Publica – Universidade Nova de Lisboa promoveu violência.
Hoje os maiores ataques à Liberdade vêm das Universidades e dos Media.
lucklucky
Muito obrigado pelo seu texto exemplar.
A ideia de que a Universidade se deve remeter ao seu cantinho, isto é, limitar-se a prestar o seu serviço, vender o seu produto e abster-se de ser um espaço de liberdade, de cultura e de debate sem peias ideológicas, religiosas ou de qualquer outra expressão de obscurantismo, é um inquietante sinal do conforto que boa parte de nós sente com a miríade de pequenas censuras que nascem ao nosso redor como cogumelos. Primeiro chegam os Torquemadas, depois os bufos.
Em 2000 ou 2001 eu era estudante na Católica, no Porto. Todos os candidatos presidenciais foram convidados para sessões de esclarecimento aos alunos. Na altura assisti às conferências de Ferreira do Amaral e António Abreu. Não me lembro de hooliganismo político nem de bizantinices pseudo-académicas pondo em causa a iniciativa por inapropriada.
Naquele tempo fumava-se livremente no interior da Universidade. Ainda assim, o ar era bem mais respirável.
Obrigado pelo comentário. E pela memória desse ciclo de debates, que é exemplo que deveria ser suficiente para quem considerou e considera normal vedar a universidade a uma conferência (que cumpra, como aquela cumpria, os normais requisitos da actividade académica. E até, aduzo, se deles se algo apartar). Tão boa memória que vou fumar um cigarro …
Cheira-me a que alguns do anónimos que aparecem por aqui o fazem a soldo de organizações que pregam o medo e que andam a defender políticas que querem por em causa os nossos maiores valores, a coberto da liberdade de expressão que lhes é dada em espaços como este. Era bom demascará-los.
Não sei o que me enoja mais, se é o ambiente geringoncico na faculdade, se e o ambiente covidoncico no país.
Será mais grave multar um professor por não usar máscara numa sala, ou é obrigar um povo inteiro a usar máscara ao ar livre?
Dividir para reinar, novos contra velhos, velhos contra novos, máscara contra sem máscara, é um regabofe. E tudo sempre a bem do povo.
Vamos ver se o tiro não vai sair pela culatra.
Vai-me desculpar mas não vejo ali um símbolo maçónico, aquilo parece-me mais uma foice e um martelo, ora olhe lá outra vez…