Os meios e os fins


Pedro Correia,

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O pior da sociedade portuguesa começa a vir à superfície neste oitavo mês de pandemia: refiro-me ao inaceitável clima de delação, a pretexto do combate às infecções, que ameaça deteriorar as relações humanas, enquanto cada qual se encerra no seu casulo, desconfiando de tudo e todos. E nem a malha familiar está livre disto, quando já tivemos o Presidente da República advertindo contra os habituais reencontros natalícios, enquanto milhares de velhos vivem em efectiva reclusão dentro de supostos “lares” que se tornam antecâmaras de morte. Com os entes queridos mantidos à distância, como ontem o JPT nos relatava aqui, em texto de leitura obrigatória.

Inverte-se o ónus da prova, transforma-se em letra morta a garantia constitucional: todos somos culpados até prova em contrário. 

 

O que sucedeu há dias a um professor universitário comprova isto. Este docente da Faculdade de Arquitectura, em Lisboa, foi abordado à saída de uma aula, em pleno estabelecimento de ensino, por agentes da PSP, que lhe impuseram uma coima de cem euros por não ter usado máscara durante parte da sua exposição aos alunos, em que permanecera sentado. Apesar de só haver 20 estudantes na sala, cada um estar separado dos restantes por uma distância mínima de cinco metros e todos se encontrarem afastados do professor. Apesar de este só não ter usado máscara durante a primeira das quatro horas de duração da aula.

Denúncia anónima e cobarde. Incentivo à bufaria, vício de péssima memória na sociedade portuguesa. Inaceitável intromissão da PSP em instalações universitárias para punir comportamentos de professores ou alunos. Tudo isto devia causar indignação. Mas, a pretexto do respeitinho absoluto pelas normas sanitárias, que aliás vão mudando ao sabor das circunstâncias, acabamos por tolerar todas as prepotências, todas as arbitrariedades, toda a desproporção de meios sempre justificados pelos fins.

Começam assim, com casos isolados e em pequena escala. Mas sabemos muito bem onde podem desembocar. 

118 comentários em “Os meios e os fins”

  1. Antes de mais, é complicado gerir as diferenças entre a denúncia e a delação. Os visados irão sempre queixar-se de que foram “bufados”.
    Para lá das questões da vingança pessoal e da inveja, há uma situação premente na nossa sociedade: nós somos obrigados (nem que seja moralmente) a seguir um conjunto de regras, enquanto que outros não as respeitam, e o fazem impunemente. Isso gera uma sensação de injustiça, credível ou não.

    PS: a pandemia traz o que de pior há em nós, o tempo das palmas e do kumbaya já passou. Houve um puto suspenso por partilhar(?) um lanche, isto para não falar no egoísmo da corrida aos “mantimentos”. E quando chegar a bendita vacina vamos experimentar esse fenómeno a um nível estatal. Quero ver o que dirão os solidários portugueses quando se souber que sacámos uns milhões de doses em detrimento de uns quaisquer africanos ou indianos (isto é uma metáfora, antes de aparecerem os campeões do politicamente correcto literal).

    1. quando se souber que sacámos uns milhões de doses em detrimento de uns quaisquer africanos ou indianos

      Não creio que isso vá acontecer. Há muitas vacinas, de diversas proveniências, em competição. Os países europeus estão a comprar antecipadamente vacinas de grandes farmacêuticas europeias ou americanas, mas há também vacinas russas, chinesas, e outras (não me admirava que os indianos também tivessem algumas em estudo, eles têm uma potente indústria farmacêutica), que chegarão para os outros países.

    1. Algum agente da PSP terá multado também o senhor Ferro Rodrigues, que declarou alto e bom som que jamais comemoraria o 25 de Abril “mascarado” e lá compareceu, de facto, sem qualquer protecção facial?

      1. Não, com toda a certeza. Mas nesse caso eu percebo o agente da PSP, também teria medo de me aproximar.

        O facto de se encarar desrespeitadores das distâncias, desmascarados e infectados como ‘criminosos’ – notei desde início um certo ânimo e pezinho a fugir para acusação fácil -, não é só revelador da nossa tendência para a delação, como para a ‘pinderiquice’. Mas é natural que tendo um primeiro-ministro a valorizar como oráculo de sabedoria a vizinha, muitos portugueses se achem no direito de fazer da pandemia puro pretexto para condenações sumárias e mesquinhez, ancoradas nas certezas de algibeira.

      2. Esse episódio foi dos maiores atentados ao estado democrático e ninguém se preocupou em discutir o assunto do único ponto de vista possível. O problema não foi ele dizer que não ia mascarado. O problema foi o parlamento aprovar à pressa uma emenda ao decreto lei, de forma a que ele e outros como ele, se pusessem juntar nesse dia e dessa forma.
        E tudo isto com a conivência de Rio e companhia. Ou seja, ao abrigo do covid, obriga-se tudo e dá-se a volta a tudo, conforme lhes convém.

      1. Recuemos à Alemanha de 1939 ?
        Se fosse denunciado por ser judeu ?
        Certamente que para a propaganda de então, também era um dever moral ?

          1. Durante 30 anos, fui profissional de topo de segurança e telecomunicações.
            Não tenho aplicações bancárias ou outras instaladas no telemóvel, nem qualquer conta pessoal em nenhuma rede social.
            É uma escolha fundamentada, cujas razões constituem todo (um outro) mundo de debate.
            Mas já que pergunta, o nome é Fernando Silva.

          2. Devemos olhar para a historia e nao cometer os mesmos erros. A Alemanha nazi obrigou judeus a usarem braçadeira, nós agora obrigamos a usar máscara, os nazis separaram os judeus em guetos, nós agora tambem separamos a população em guetos (concelho de residencia), tal como acontecia no estado novo pessoas bufavam vizinhos, agora tambem acontece o mesmo. O Canadá já está a construir campos de concentração para os novos leprosos. Pessoalmente ando com uma máscara (amuleto da sorte, para não espalhar virus) no braço como foi obrigada a braçadeira aos judeus, por respeito à memoria a quem foi retirada a liberdade pessoal, “A bem da nação”. Quero ver quando for obrigatória a vacina desenvolvida às 3 pancadas

  2. Antes de começar a comentar, para informar que a nitazoxamida está em debate no Brasil e com aparente bons resultados no tratamento precoce da covid19. Pesquisar sobre a investigadora brasileira Patrícia Rucco para mais detalhes.

    Sobre o tema em questão, usando a eloquente apresentação que como ser divino me obrigo, digo:
    acabe-se com a filha da putice de atitudes estalinistas.

      1. Deixe-se de merdas ou o Costa dá-lhe um abanão. Tome cuidado,olhe que a bufaria não perdoa. Você comenta sem máscara e sujeita-se a que lhe passem uns pirolitos.

  3. Não se tratou de “bufaria” nem de “denúncia cobarde”. As pessoas têm a obrigação de denunciar às autoridades os atropelos à lei. Isso não é “bufaria”, isso é espírito cívico. A lei é para se cumprir e as autoridades são aliadas dos cidadãos cívicos quando forçam o seu cumprimento. A denúncia foi, evidentemente, feita por um estudante presente na sala, o qual denunciou de forma anónima porque, caso contrário, poderia ser, e quase certamente seria, alvo de retaliação do professor.

    Também não creio que se trate de uma prepotência nem de uma arbitrariedade. Se a PSP interveio e impôs uma multa, certamente que está escudada nalguma norma obrigatória (um decreto-lei) que fixa o valor dessa multa. Não acredito que a PSP intervenha sem ter uma lei que a respalde. Não acredito que o valor da multa seja inventado pelos agentes da PSP.

    Finalmente, é claro que a PSP pode intervir dentro da universidade, se os seguranças da universidade não puderem intervir ou não tiverem autoridade para tal. A universidade não é um local onde se possa cometer crimes impunemente. Não é um sítio onde se possa impunemente violar as leis do país.

    1. Denúncia anónima e bufaria, sim. A lembrar o pior de outros tempos.
      A seguir vão fazer o quê? Instalar gorilas em cada aula?
      Enviar brigadas de costumes para verificar se os estudantes fumam charros, andam na marmelada, faltam às aulas e (horror!) dedicam-se a actividades políticas?

      Pensava que em democracia as instalações universitárias estavam de algum modo invioláveis, protegidas de arbitrios policiais. Enganei-me.

      E pergunto: a PSP não terá mais nada para fazer do que devassar aulas em etabelecimentos de ensino superior e perseguir os seus docentes?

      Aguardo entretanto uma posição da direcção da Faculdade de Arquitectura. Que já tarda.

      1. A lembrar o pior de outros tempos.

        Precisamente, aquilo que lembra o pior de outros tempos é esta atitude, própria de um povo oprimido sob uma ditadura, de que a polícia nunca tem razão quando intervem, e de que os cidadãos que denunciam atropelos da lei à polícia são “bufos”.

        Num país democrático moderno, um cidadão que denuncia um atropelo da lei é um exemplo de espírito cívico, e a polícia que intervem está a fazer cumprir leis justas e necessárias à convivência social.

        Não devemos confundir o Portugal atual, democrático, com o Portugal de há 80 anos, ditatorial e opressivo.

        1. Não deixa de ter graça. Um anónimo, com máscara dos cabelos aos tornozelos, aparece aqui a pretender dar lições de cidadania e “espírito cívico”.
          Farinha do mesmo saco: é contra gente desta que escrevi (e assinei) este texto. Gente que atira a pedra e esconde a mão.
          Não quero viver numa sociedades de bufos e opiniões emitidas sob anonimato.

          1. Eu não sou anónimo (quer dizer… :-)))) ) e também não concordo com o epíteto de “bufaria” sobretudo quando remete para um regime salazarista e marcellista, são esses os tempos que deduzo que o Pedro esteja a falar, pelo que, chamemos os bois pelos nomes. Acho exagerado. É por causa do trauma do “bufo” que muitos têm passado impunes neste país e embora até possa nem ser o mais correcto, a verdade é que se alguém der a cara não fica bem na fotografia e sofre as consequências nefastas do regime dos tempos modernos: a ostracização e punição por ter falado. Uns arriscam e fazem-no bem e sofrem o peso de tudo isso, outros não dão a cara (se deviam? Claro! Mas funcione também a Democracia).

            Se me perguntar se, contudo, existiu um exagero na situação que aponta: claro que sim, é um enorme excesso de zelo. Claro que sim e o acto em si nem é tão diferente de um outro que aconteceu em Paris, só que no último o extremismo foi à séria e não foi de sofá. Se a culpa também é da má comunicação e do agora é isto e depois já não é… Também, não tenha dúvidas. Enquanto uns não se organizam e até culpam os cidadãos pelo aumento dos casos, os outros vão fazendo pela vida e então nas Universidades… O cerne do conhecimento, o local por onde deveria emanar a inovação, sobretudo em termos de valores, tem sido dos primeiros a encher-se de mofo e até a adoptar certos comportamentos que deixariam uma qualquer universidade em Pyongyang a pensar se não estaria a ser demasiado branda.

            Finalmente, todos sabemos como isto funciona, ninguém descobriu a pólvora, a solidariedade é muito interessante quando tudo está bem, mas quando a coisa aperta é cada um por si, sobretudo em sociedades descaracterizadas e que perderam o sentido comunitário – Portugal não é excepção. Basta ver que para manter certos “status” qualquer cidadão não hesita em prejudicar o próximo, e não é preciso uma pandemia.

            P.S.: também não sou o mair simpatizante dos bufos, mas que também a sociedade, no seu comportamento, é responsável pelo incentivo a isso, não tenha dúvidas.

          2. A questão, neste caso, é a da absoluta desproporção entre meios e fins. Como a dos miúdos suspensos por estarem a partilhar um lanche numa escola do concelho de Sintra.
            Nada disto é aceitável, nada disto é tolerável. Estamos a desembocar numa atmosfera de paranóia colectiva que não pode terminar bem. E quanto mais cedo debatermos isto, melhor. Sem tabus nem guerrilhas ideológicas. Porque não estamos perante tricas partidárias – são sérias questões de cidadania.
            Toda a desproporção de meios coercivos para aplicação de normas, sejam “sanitárias” ou outras, é sempre condenável. Porque pode gerar uma espiral de atropelos aos direitos, liberdades e garantias.

          3. A dos lanches é de bradar aos céus…

            Na essência estamos de acordo. Até porque também já levei com um fedelho aos gritos na varanda (para vizinho e pais verem) a mandar-me para casa enquanto passeava o cão. Escusado será dizer como decorreu o resto do filme…

            E sim, andamos a esticar demasiado a corda… Demasiado… Na Nigéria (e não só) já se mata quem diz não… E por cá também, não se utilizam armas brancas ou de fogo, mas também 🙂

            Abraço,

          4. Qual é a diferença entre “enorme excesso de zelo” e a delação? Nenhuma. É um eufemismo, daqueles eufemismos que os Lavouras deste mundo utilizam para defender tudo o que está errado.

          5. Delacção: acusação feita em segredo, revelação de crime ou de falta cometida por outrem, geralmente feita com o fim de tirar proveitos dessa denúncia, revelação de algo secreto, ignorado ou oculto.

            Excesso de Zelo: comportamento ou atitude que revela cuidado desnecessário ou que prejudica em vez de ser útil.

            Se precisar de mais alguma coisa, estou disponível para o clarificar. Não vale tudo para defender o que queremos que seja errado.

          6. Não vale tudo para defender o que queremos que seja errado.

            Pois não. Por isso é que você não devia ter ido ao dicionário tentar resolver a questão com definições gerais dadas sem ser em relação à “substância”.

            Se eu numa frase digo “isto não é delação é excesso de zelo” estou a comparar a mesma coisa, e não duas frases em si.

            O gesto em análise é o mesmo (um cabrão fez queixinhas à bófia). Alguém diz, ah não foi delaçao foi excesso de zelo. O gesto inicial não se modifica. Permanece na sua “substância”. O que é que permanece na sua substância? O facto de o gajo ter sido cabrão e ido fazer queixinhas.

            E então isto (dizer que não foi isto foi aquilo para atenuar uma coisa que não se modificou) é o quê? Olha, é um eufemismo.

          7. Ir ao dicionário ainda é um direito, espero que me permita. Não mudo a minha opinião.

            Em relação ao resto, não vou alinhar no discurso pejorativo.

          8. Se não gosta de opiniões emitidas sob anonimato, então não as publique.
            Mas se o fizer tenha também cuidado de exigir prova de identidade a todos aqueles que assinam com um pseudónimo.
            E exija também prova de identidade a todos aqueles que assinam com nomes anódinos e extremamente comuns como “Pedro Correia” ou “Teresa Ribeiro”.

        2. “As pessoas têm a obrigação de denunciar às autoridades os atropelos à lei.”

          Devia ter vergonha … Já devia ter a consciência que o Estado Moderno obriga a que a maior parte das pessoas viole uma (ou mais) qualquer lei todos os dias.

          E quando passar fome, não tiver estradas e combustível e o lixo não for recolhido porque se respeitou a lei das máscaras quero ver como responde.

          Julga que é sempre possível cumprir a lei das máscaras em todos as actividades humanas?

          Segundo ponto. Este civilizacional. Só a possibilidade histórica de violar a lei nos permite ter Liberdade.

          lucklucky

      2. Concordo em absoluto com o seu post…. até chegar a esta resposta, mais precisamente ao segundo e terceiro parágrafos.
        A polícia tem toda a legitimidade para intervir em qualquer espaço público, ou aberto ao público, no exercício das suas funções. Até no espaço privado, mediante certas condições, que com este decreto são mais vastas. E a intervenção nesta matéria está legitimidada no tal decreto regulamentar, que para além de legitimar, obriga a polícia a intervir nesta matéria. Mais ainda, o próprio decreto reveste-se a si próprio de poderes de cominação. Ou seja, a partir do momento em que é publicado, a polícia nem sequer tem a necessidade de cominar a infração à primeira, passando de imediato à sanção. É ditatorial? É de facto. Mas é o que temos.
        As universidades não estão revestidas de nenhuma imunidade, talvez por muita gente pensar que estão é que temos tanto universitário a fazer as figuras que todos vimos nas manifestações recentes.
        De facto a polícia tem muito mais que fazer. O problema é que tem a obrigação de intervir, mediante uma denúncia, sob pena de incorrer em abandono de serviço. Se os policiais pudessem ajuizar por si, se calhar nem davam importância, mas não. Têm de seguir as normas e os procedimentos. E os procedimentos são claros. Responder a todas as ocorrências, mesmo aquelas mais absurdas.

        1. com este decreto são mais vastas. E a intervenção nesta matéria está legitimidada no tal decreto regulamentar

          Pode por favor esclarecer-me explicitamente a que decreto e a que decreto regulamentar se refere? Se me puder dar linques para os ditos, ainda melhor.

        2. Se a polícia começar a acorrer todas as denúncias anónimas dos queixinhas que acusam X ou Y de não usar máscara, não fará mais nada. E nem que tripliquem o recrutamento de efectivos chegará para as encomendas.
          Começando nas escolas de ensino básico e terminando nas universidades. Só no sistema de ensino. Porque se formos às empresas (pequenas, médias ou grandes), passando pela administração pública, sem esquecer as autarquias locais, não faltará motivo para a caça à multa por ausência de máscara.

          Irão inspeccionar também as condições higiénicas de cada máscara?
          Se um fulano, por exemplo, anda há cinco ou seis meses com a mesma, sem nunca a mudar, só para fazer de conta que se protege e que protege os outros, isso não viola também as normas sanitárias em vigor?
          Merece multa ou basta ter o focinho tapado para ficar isento de chatices?

          Seria bom que a polícia fiscalizasse as “festas privadas” que juntam centenas de pessoas e são convocadas nas redes sociais, de norte a sul do país, ou as centenas de “lares” ilegais (alguns situados a escassa distância dos paços do concelho) em quase todos os municípios deste país.
          Só aí já teria muito que fazer. E salvaria vidas, seguramente, em vez de andar a enfiar o nariz nas aulas dos estabelecimentos públicos de ensino superior, numa triste reedição dos “gorilas” do antigamente.

          1. Caro Pedro, já pensou que essas fiscalizações não acontecem porque simplesmente não há denúncia?
            Pelas respostas que aqui leio, chego à conclusão que, apesar de tantas opiniões, juízos de valor e ideias pré-concebidas, ninguém se deu ao trabalho de ler o fabuloso decreto lei 20-A/2020 e toda a legislação subsequente, desde 17 de março até agora.
            Como toda a legislação em Portugal, esta não foge à regra. É uma quantidade absurda de diplomas, uns a dizer a mesma coisa, outros a anularem o que se publicou… enfim… welcome to Portugal.
            O Pedro fala em caça à multa. Mas não existe caça à multa nenhuma, porque os polícias têm noção do ridículo de muitas medidas, da impossibilidade de levar a cabo a missão que o legislador lhe dá e por isso, sempre que pode, finge que não vê.
            Mas quando as coisas são denunciadas, o polícia não pode fingir que não vê. Existe um registo da denúncia. Ou o Pedro acha que quando liga para uma esquadra ninguém regista o seu telefonema? E havendo um registo, tem necessariamente de existir uma ação. Nem que seja uma mísera folha a dizer ” não se verificou “.
            O trabalho do polícia é escrutinado. Pela própria polícia, bem como por qualquer cidadão, que tem legitimidade para questionar qual a ação que foi tomada em determinada situação. E se não não foi tomada nenhuma ação e o cidadão informa a hierarquia, esse polícia está lixado.
            Por isso, antes de inventar situações hipotéticas, como essa da máscara com 6 meses, aconselho-o a ler a legislação, para perceber até onde o polícia pode ir, o que pode fiscalizar e em que circunstâncias. Acredite meu caro, nenhum polícia vai a uma ocorrência no âmbito do covid porque gosta. Vai porque tem de ir. Se pudesse não ir, não ia.
            Se o polícia gostasse, a sua, a minha e a indignação de muita gente, estava a rebentar a escala.

          2. Não estou a inventar situação nenhuma. Não falta por aí gente que anda o tempo todo com a mesma máscara (semanas, meses) e até se gaba disso. Inclusive nas redes sociais.

            Se a polícia andar a vasculhar estabelecimentos de ensino, desde o básico até às universidades, porque uns bufos delatam (talvez para se vingarem de alguns professores), desvirtua por completo a sua missão e só se desprestigia.
            Se os agentes têm tempo e vagar para andarem de aula em aula a espreitar quem usa máscara, é sinal que lhes sobra imenso tempo. Não se queixem, pois, de falta de meios nem de excesso de trabalho.

          3. Já vi que não vale a pena discutir consigo, quando o Pedro não quer perceber que a polícia não anda a vasculhar de aula em aula, de escola em escola. O polícia vasculha a aula X ou a escola Y, se houver denúncia de algum incumprimento. Seja covid, seja outra coisa qualquer. Mas o certo é que a polícia tem de averiguar, identificar e levar a cabo o procedimento. Se me disser que o polícia individualmente, deveria ter a liberdade e o poder de decidir e ajuizar, a que situações deve ocorrer, já é outra coisa.
            Mas as coisas não são assim. O polícia individualmente não tem poder discricionário. Tem a obrigação de agir em todas as situações. Mas será tão difícil entender isto? Não confundamos o polícia, com A Policia. A Polícia determina regras e procedimentos e o polícia cumpre, sob pena de represálias.
            E os bufos não existem só agora com o covid. Sempre existiram. Ora são os vizinhos que ligam à polícia porque o meu filho faz anos e estou a festejar o aniversário e faz-se barulho. É o dono do café que liga para a polícia porque o seu concorrente deveria fechar às 22 e são 23 e ainda está aberto. E agora pegue nestes dois exemplos, multiplique por 10 idênticos e agora multiplique esse número por 400 ou 500, que é a quantidade de vezes que isto se repete diariamente no país todo.
            Acho que está tudo muito indignado porque aconteceu numa universidade. Pois eu pergunto, so what?
            Não concordo com estas medidas, estou indignado como quase toda a gente. Mas matar o mensageiro não é solução. E é isto que tentei corrigir, pois entendi que se estava a bater em quem não tem culpa nenhuma.

        3. Usando as suas próprias palavras, caro Inconveniente, a polícia tem de facto muito mais que fazer. E, tenho eu a ousadia de o dizer, muitas vezes não o faz.

          Não o faz por não ter meios, por não ter homens (ou recursos humanos, ou homens e mulheres, ou mulheres e homens, ou o quer seja que seja por estes dias apropriado dizer), por – mesmo tendo-os – nada poder fazer dada a moldura legal em que opera.

          Não o faz, mesmo, por desistência. Quero chamar desistência à resposta de um agente ao protesto e pedido de actuação de um cidadão que mal conseguia manobrar para retirar o seu carro de um acesso legalmente protegido, dado o parqueamento irregular de outros carros: “que quer que façamos? Não há estacionamento que chegue…” (e não há, de facto, mais uma consequência do caos urbanístico de há muito por cá cultivado; mas há limites a uma tolerância realística, humana e aceitável).

          Ou seja “abandono de serviço” não é nem coisa nova, nem rara. Desde logo na básica tarefa de proteger a integridade física e bens do cidadão. E com isto não questiono nem por um instante a boa-fé e profissionalismo das forças de segurança, aliás por regra prontamente achincalhadas ou pior sempre, ou quase, que têm o atrevimento de agir com alguma (necessária) firmeza.

          Claro que há alvos e alvos da actuação policial. Da mesma forma que é muito mais fácil punir o cidadão obediente que, numa longa recta sem trânsito e com bom tempo, excedeu o limite de velocidade sendo “apanhado” pelo diligente ou mesmo heróico radar montado na berma, ou num carro convenientemente descaracterizado, pagando submissamente a multa, dando razão aos srs. agentes ou guardas e rezando para que não venha aí a “sanção acessória” (mais fácil, por exemplo, do que perseguir, com riscos, o assaltante violento que foge a alta velocidade, ou o imbecil que num carro ilegalmente modificado faz competições nas cidades e seus acessos, ou o grupo de jovens em algazarra e desordem pelas ruas de um bairro, ou manter um patrulhamento minimamente frequente das ruas), também não exigirá particular dedicação e sentido de dever, arrisco dizer, aguardar pacientemente o final de uma aula para disciplinar o docente, muito justa e patrioticamente – do que por aqui se vai lendo – denunciado na prática de um novo e absolutamente intolerável ilícito (independentemente das concretas circunstâncias em que tenha sido praticado)

          Superiores instruções, critérios e incentivos à actuação e sua diligência, enfim. E parece que com larga adesão do Soberano. Está, então, tudo bem.

          Costa

          1. Exatamente caro Costa. Mas o problema é que a tutela, que é o governo, na pessoa do MAI, exige que as situações sobre covid tenham resposta imediata, firme e prioritária. E quem manda nas polícias tem de dar indicações para se cumprir com estes devaneios dos governantes. E no fim da linha está o bófia, que não tem outro remédio senão cumprir, sob pena de ação disciplinar, que lhe pode tirar o pão da boca ao fim do mês. Que a polícia podia fazer uma espécie de greve de zelo? Podia. Mas com iniciativa do comando, não do zé polícia. Porque o zé polícia não se pode arriscar a ficar suspenso, perder rendimento, e permanecer congelado até alguém tomar uma decisão.

        4. É preciso não perceber um cu de Direito para se defender que um decreto regulamentar pode derrogar leis da República (mas não se preocupe, homem, não está sozinho!)

          1. Meu caro, eu percebo. O problema não está aí. O problema é que quem manda não percebe. Mas acha que pode. Claro que depois em tribunal é uma desgraça. Mas até lá o mal está feito, com o patrocínio no nosso pm e do nosso mai.
            Caso para dizer, quem pode manda, quem não pode obedece.
            Agora questiono é onde estão os constitucionalistas do tribunal constitucional, que nem abrem a boca, nem ousam questionar estas medidas, estas regras e estes decretos.

          2. “É preciso não perceber um cu de Direito…”. E é assim, afastando-me completamente do tema (ou afinal, tudo visto, talvez não), que em Portugal se fez o que se fez com a ortografia: bastaram resoluções do governo e da AR.

            Ora, desde quando uma resolução derroga ou revoga um decreto-lei? Desde que o poder de turno queira. E com a tranquilamente antecipada e convenientíssima apatia do Soberano.

            “Abandonai toda a esperança…”

            Costa

      3. Aquele anónimo acha que tudo o que sai de um parlamento composto de alianças não representativas da sociedade portuguesa é democrático. Vá-se lá saber porquê.

        Quer dizer, eu sei.

      4. A minha vizinha costuma andar nua na varanda e eu já a denunciei varias vezes mas a PSP diz que não pode ir.

    2. Não se encontrando em vigor o estado de emergência,o referido professor pode contestar e ganhar em tribunal.
      Não é nenhum decreto nem parecer da DGS que se sobrepõe à Constituição da nação.
      Sem espinhas.

      1. Não sei se a Constitutição da República proíbe as autoridades de imporem a utilização de máscara ou de outro adereço qualquer.

        De resto você tem razão, há muitas medidas que andam por aí a ser implementadas que são anticonstitucionais.

    3. Na Alemanha nazi foi feita lei de se usar a saudação nazi, quem bufava de quem mantinha o braço em baixo tambem só estava a fazer cumprir a lei.

  4. Estou farto de dizer: socialistas, bloquistas, comunistas (estes menos, mesmo com zonas cinzentas) são FASCISTAS — e trabalham para construir uma sociedade totalitária em que nem sequer pensar seja livre. O intuito deles é destruir a imaginação, que é a maior ameaça ao funcionalismo estatal.

    Leiam o texto do Tunhas no Observador para perceberem como é que isto se faz, e de onde vem. Eu assisti à construção destes fascismos informais no sistema escolar português, crivado de gente estúpida, ignorante e zelota que não consegue medir a extensão dos seus actos.

    Não digam que não foram avisados e fiquei cientes de que quando votam nesta gente estão a colaborar com eles — tornam-se parte do monstro.

    1. Você está a politizar isto, mas não faz qualquer sentido politizar ou partidarizar esta questão de cidadania. Que é muito mais abrangente do que esse funil em que tenta encaixá-la.
      Recuso a utilização sistemática desses rótulos simplistas (socialista, marxista, fascista…) que trava à partida qualquer debate e apenas serve para cavar trincheiras. Que nada mais são do que buracos fundos onde cada qual se mete e do qual muitas vezes já não consegue sair.

      1. Eu só uso esses rótulos porque é do seio dessa politização, que tomou conta das escolas e das universidades e colonizou todos os tipos de conhecimento, que estas ideias provêm. Eu de resto não tenho nenhum prazer em usá-las nem sou adepto de teorias da conspiração.

        Usá-las como epíteto e insulto já acho conveniente porque é para ver se as pessoas sentem vergonha. O tempo da imparcialidade (que esses clubes nunca tiveram) acabou. Agora é guerra.

    2. Ó V, você não tem a noção do ridículo.
      Então você vai na conversa do Tunhas e do Observador que nem sabem escrever português e inventam notícias que não lembram ao diabo, ou melhor só lembram ao diabo.
      Você sabe o que é ser FASCISTA? Você sabe o que é construir uma sociedade totalitária?
      Então você não está neste momento a pensar livremente? E até está a ter imaginação para escrever livremente as parvoíces que acaba de escrever.
      Não me diga que está a ficar assim ridículo por, agora, observar esta maioria na AR? Ai queles não nos deixam pensar livremente, e a maioria da AR da Madeira não o incomoda o que só eles fazem há mais de quarenta anos. Ah! sempre foram, assim, eleitos, e os de cá foram quê?

      1. “Você sabe o que é ser FASCISTA? Você sabe o que é construir uma sociedade totalitária?”

        Você é que parece que não sabe. Vá a uma Universidade e veja se pode pensar e dizer qualquer coisa fora da norma neo-marxista.
        E sim os rótulos quando bem aplicados e sabemos o que significam são fundamentais.

        lucklucky

  5. Tem toda razão. Estamos a viver tempos assustadores.
    Não por causa da Covid propriamente dita, mas pelo clima de medo e suspeição que se instalou…
    Ontem, li um artigo no Observador em que o jornalista parecia congratular-se com o processo queixa contra os Medicos pela Verdade que se atreveram a expressar uma opinião contra-corrente.
    O JMT no Governo Sombra a defendia que deveriam ser os médicos a introduzir os códigos na app à revelia dos doentes.
    A forma como está a ser gerida a questão dos lares, mas também dos doentes nos hospitais (sobretudo dos doentes terminais) é totalmente desumana.
    Parece uma distopia.

    1. Tal como Galileu, Kepler encontrava Deus nos números. Os números não são ambíguos, só os humanos os distorcem e os manipulam em função dos seus desígnios.
      Aqui lhe digo o que é que a minha opinião >pessoal< baseada nos números, documentos oficiais e senso comum, me diz:
      a) Fomos atingidos por uma variante da gripe, que em Março-Abril se caracterizava por maior severidade que uma gripe normal e que agora já sofreu várias mutações, designadamente benignas, e com um menor indice de mortalidade;
      b) Nunca se atingiram os números de mortalidade apocalípticos que nos venderam, na verdade, sendo superior, é na mesma ordem de grandeza de uma gripe sazonal; e tendencia a diminuir;
      c) Em resposta, promoveu-se e promove-se a destruição do tecido económico, e desemprego, muito para além da justificável/necessária fase de avaliação de impacto;
      d) A propaganda é incessante. Mistificam-se as estatisticas de “casos positivos”, que tem um significado clinico diferente de “infectados”, por sua vez diferente de “portador/foco de contágio”, por sua vez diferente de “doente”. Há diferenças objectivas entre estes estados. Cria-se uma narrativa de “doentes assintomáticos”;
      e) Preocupa-me a tentativa de supressão e eliminação de interpretações de profissionais médicos “desobedientes” à narrativa. Isto para mim normalmente significa fundamentalismo e/ou falta de argumentação contrária.
      f) Parece óbvia a incapacidade do SNS lidar com a situação, que já terá produzido mortalidade em excesso de outras causas não-COVID muito acima do habitual, e do próprio COVID, por falta de assistência. Veja-se o recente Eurostat.
      g) Não é solução contratar mais médicos ou assistentes quando por um teste positivo se envia uma equipa médica inteira para quarentena, privando o SNS e os utentes.
      h) Não se inventou em 2019/20 que pessoas de idade avançada e/ou com condições graves podem falecer, quando agravadas por outras condições, tal como a gripe – ou outras;
      i) Vem à luz que os lares mais não são mais que geralmente, antecâmaras de um fim esperado, sociedade que não protege eficazmente os idosos; já assim era;
      j) Se só tivermos 100 unidade de cuidados intensivos e descarrilar um comboio temos uma imediata crise nacional do SNS e “SNS sobrelotado”. Novamente, os números em falta.
      j) À luz do exposto, as restrições parecem-me mais ter a ver com a protecção das insuficiências do SNS, que da saúde pública.
      Esta, é uma opinião >pessoal<.

    2. Estamos a chegar a um tempo em que qualquer tese contraditória é silenciada ou alvo de apedrejamento imediato, logo ao nível das redes sociais.
      Se alguém se atrever, por exemplo, a questionar o uso permanente da máscara a todo o momento e em todos os locais, começa de imediato a ser encarado como perigoso delinquente.

      Há que pôr cobro a isto.
      Já temos tanta gente doente, não queiramos que a democracia adoeça também.
      Nem confundamos máscara com mordaça.

  6. Cobardia de quem denunciou, mas o professor teria algo a dizer como, pedir desculpa aos alunos e dizer que por alguns minutos não usaria a máscara.
    Eu faria isso.
    Quanto à intervenção da PSP, acho que a Faculdade deveria ter intervido.
    Seja como for, estamos, sim, a mostrar o nosso lado pior de socialização
    Mundo estúpido.
    Faltam os valores.

    1. Quando já chegamos ao ponto de ver a PSP invadir instituições académicas à cata de gente sem máscara (como se os agentes não tivessem nada mais a fazer), começamos a perceber que a pretexto da pandemia está em curso uma inaceitável deriva autoritária a que devemos fazer frente.
      Inaceitável também, neste caso, é o silêncio da Direcção da faculdade. Neste caso não convém lavar as mãos: por mais desinfectadas que estejam, não deixa de ser o gesto de Pilatos.

  7. O que fizeram na segunda guerra mundial com os judeus foi precisamente isto. Agora está muito mais sofisticado. E á medida que o tempo passa mais me convenço que esta pseudo pandemia é uma experiência para controlar os povos para formação de um governo único.
    Ainda não atingimos o número de mortos da gripe do ano passado, em 2018 houve um dia em que morreram 500 pessoas só de gripe pelo vírus A(H3).
    Será que isto só acaba quando entrarmos em guerra civil?

    1. Lá vem você com a treta da gripe. Que paranóia, caramba. Não escreve um comentário sem a ladainha da gripe.
      E a alusão aos judeus confirma que consigo não há possibilidade de debater seja o que for.
      Fica já traçada a linha de fronteira, pela parte que me toca.

      1. Então olhe lá, vou comparar com o quê?
        O sarscov já existe desde 2003, os vírus são mutantes e sazonais, temos também os influenza.
        Uma das principais causas de morte em Portugal tem a ver com doenças respiratórias.
        Este alarido todo só tem um objectivo, que é meter medo ao povo para o calar e desviar as atenções.
        Se não denunciar mos estes abusos fazendo comparações com factos reais, de forma a levar as pessoas a reagir, como é que você quer acabar com esta parvoíce?
        Você reagiu a um dos comentários dizendo que estava a politizar a questão, mas já reparou que enquanto as pessoas estiveram entretidas a discutir a app e as máscaras a discussão do orçamento foi ignorada?
        Neste momento acho que todos os argumentos são válidos para desmistificar esta paranóia e evitar o previsível desfecho que é a falência do sistema.

      2. Estou a ver na televisão a notícia sobre Paços de Ferreira e o “dever de permanência na habitação” e a tentar perceber a diferença entre prisão domiciliária em democracia e confinamento em ditadura.
        Quando se confunde casos positivos com doentes infectados, quando o número de “infectados” duplica mas o número de mortes diminui, é caso para perguntar, a quem interessa este alarmismo social?
        Até quando iremos alimentar e suportar esta histeria colectiva?
        Será que esta peregrina ideia de “dever de permanência na habitação ” é o que vai fazer de teste para a quadra do Natal?
        Que raio de medidas são estas para bem do povo, se para minimizar uma doença provocam e condenam à miséria todo um país?

      3. Felizmente não sou só eu, consegui encontrar outro maluco que pensa como eu, mas este é especialista, ou melhor, é imunologista, é o Paul Lehner.
        Veja lá se o que eu ando há tanto tempo a dizer não faz sentido?
        expresso.pt/coronavirus/2020-10-22-corona-parties-podem-vir-a-ser-o-novo-normal-defende-imunologista-de-cambridge

  8. A COVIDE-DGS é bem pior que PIDE-DGS.
    Antes tínhamos uns desgraçados de uns bufos, que por meia dúzia de escudos informavam de quem era “contra o regime”.
    Agora, e de borla, aos bufos zelotas do regime, nada escapa.

    1. “Agora, e de borla, aos bufos zelotas do regime, nada escapa.”

      precisamente António Maria Lamas.

      “Of all tyrannies, a tyranny sincerely exercised for the good of its victims may be the most oppressive. It would be better to live under robber barons than under omnipotent moral busybodies. The robber baron’s cruelty may sometimes sleep, his cupidity may at some point be satiated; but those who torment us for our own good will torment us without end for they do so with the approval of their own conscience.”

      C.S. Lewis

      1. Desculpa sou alentejano e por muito esforço que faça não te consigo entender. Ou também és apologista que o nome da conecção via internet para o covid 19, também conhecido por vírus da China, tenha o nome inglês?

    1. Não há nada que ter medo. Há é que combater com firmeza toda as prepotências, todas as arbitrariedades, todo o excesso de zelo policial e “sanitário”, toda a bufaria, toda a desproporção entre meios e fins.

  9. Decididamente com os meus 67 anos estou-me egoisticamente cagando para tudo e para todos, como consequência do meu desnorte. Em tempos de guerra como a que vivemos, falta-nos um general que nos aponte o caminho, alguém que assuma a questão, alguém que tenha a coragem de dizer o preço que nos vai custar esta pandemia, que tenha a coragem de dizer que temos todos, mas mesmo todos, o dever e obrigação de fazer isto ou aquilo. Tempos de guerra não são compatíveis com a Democracia.

    1. Sem fazer a apologia da guerra, o facto é que a guerra também tem coisas positivas de que dou três exemplos: o que hoje se sabe em urgência traumatológica deve quase tudo à medicina em campanha; mudanças sociais em sociedades tradicionais, foram desbloqueadas em estado de guerra; e, “the last but not the least” a guerra seleccionou lideranças fortes que marcaram o pós-guerra.
      Estamos na Europa a sofrer alguns efeitos negativos de 75 anos de paz por isso não há líderes actuais comparados com os Adenauer, De Gasperi, Jean Monnet, Robert Schuman etc.. O caso português é ainda mais marcante, pois os que tiveram algum destaque nos 13 anos de guerra em África, militares mas também, industriais, banqueiros, etc. foram afastados em 1974.
      Por isso, não é realista esperar um “general” para liderar na Covid-19.

      Quanto à sua conclusão:
      “Tempos de guerra não são compatíveis com a Democracia.”

      Em termos gerais não concordo porque não vejo motivos válidos para que não possam existir democracias com autoridade
      Já concordo limitando-me a esta democracia, mas parece-me muitíssimo perigoso que a frase em epígrafe seja mostrada a António Costa.

      1. Ou seja a escolha é entre “falta de testosterona na política e na sociedade” e “…quem tem um olho é rei”

    2. Ó caro alentejanus, então não se apercebe que os da ideia que isto não é nada,
      não têm precisão de generais por não haver nenhuma guerra.
      Qual pandemia, qual quê. Isto é tudo inventado ……., mas ainda não se entendeu por quem e para quê?

  10. Obviamente que o que relata indicia excesso na aplicação de uma lei. Presumo que exista para legitimar a atuação da policia.

    No entanto qual não é a lei cuja aplicação não é excessiva em certos casos?

    E deve qualquer cidadão inibir-se de denunciar a violação das leis para não ser apelidado de “bufo”?

    À custa do ónus da prova temos nós conhecimento, diário infelizmente, de autores de crimes que escapam à justiça, apesar de todos saberem o quê, quem fez e de que maneira, mas como as provas, consideradas válidas pela justiça, não existem, quem ficou prejudicado que se aguente.

    1. Inaceitável, esta inversão do ónus da prova.
      Inaceitável, esta bufaria que vem assaltando a sociedade portuguesa: os queixinhas irrompem subitamente de todo o lado. Contra este professor, que não usou máscara em uma hora numa aula que durou mais de quatro horas, contra aquele miúdo que repartiu uma sanduíche com um colega no recreio e foi suspenso pela Direcção da escola.
      Caramba, que gente esta. Que país de queixinhas. E de carneirada, mansa e cordata, disposta a aceitar tudo.

      1. A inversão do ónus da prova já cá anda há muito tempo, pela mão da AT, e ninguém fez nada.
        É pena não termos o Passos Coelho como PM, porque aí nenhuma destas arbitrariedades passava no parlamento nem pelo crivo do (aparentemente extinto) Tribunal Constitucional.

      2. As leis existem para se cumprir, apesar de na sua aplicação dever existir bom senso, o qual depende de pessoa para pessoa assim como a linha a partir da qual a tolerância deixa de existir. Conforme escrevi, também vejo excesso no caso que relata.

        É no entanto indispensável que a vivência em sociedade se reja por regras, leis, porque só assim é possível a partilha de espaços e recursos. Cada um pode fazer o que quiser dentro das regras existentes, senão haverá sempre uns a imporem a sua vontade sem qualquer respeito pelos outros. Por esse motivo existem autoridades policiais e judiciais, eu preferia que não fossem necessárias, mas já vivi o suficiente para atestar a sua necessidade, e verificar que há sempre quem escape.

        Não me parece que queira a anarquia onde cada um faz o que quer … e quem vê … cala.

        Quanto aos adjetivos com que brindou quem consigo discorda, ou não concorda em absoluto, reflita nos que a si assentam, deixo-lhe esse exercício de liberdade … se calhar não irá gostar.

        1. Se as leis existem para se cumprir alguém multou o sr. Ferro Rodrigues por ter organizado uma sessão solene na AR expressamente “sem máscaras”?
          Não, pois não? Bem me parecia.
          A lei só se aplica a alguns. E isenta outros.


          1. Felizmente “adieu”, “adieu”.
            Criatura intragável, mas ainda ontem foi alvo de grandes elogios. Vá lá perceber porquê.
            Maria

        2. Mais um anónimo a confundir anarquia com desordem.
          Em anarquia – talvez o mais belo dos ideais – cada um faz o que deve, sem serem necessárias polícias, administrações, etc..

  11. Uma sociedade de anónimos que só ataca ou se indigna em farta manada.
    Com as boas companhias da segunda figura do Estado que se está cagando para o segredo de justiça, ou de um figurado primeiro ministro que de penico ao lado se vai mijando para a Constituição.
    Coadjuvados por um atávico e condescendente Presidente da República, useiro e vezeiro em enviesadas pregações.

  12. 1. Os alunos em vez de chamarem a polícia deviam ter confrontado o professor e pedido que voltasse a pôr a máscara. Não é chamar a polícia, cobardemente, como fazem os canalhas e os delatores

    2. A delação é o crime mais vil e repelente que uma pessoa pode cometer

    2.1. Delação antes do AO nojento já era só com um C, certo? Agora estou na dúvida.

    3. Uma pessoa livre deve procurar sempre desobedecer ao Estado. Sempre. E desobedecer a um estado totalitário então torna-se um imperativo ético. Para quem tem ética, claro. Quem não tem ética é um canalha — e por extensão é um funcionário do Estado.

    1. Mas afinal quem é o Estado? É suportado por todos nós. Prejudicar o Estado significa prejudicar-nos assim como a todos os outros.

      Mas já há muito quem siga o que escreveu, as cadeias estão cheias e o que para aí não falta são penas suspensas.

      Estou a a pensar em Estados não totalitários, obviamente.

    2. Os alunos cobardes que egoistícamente só querem boas notas, em vez de darem-lhe uma porrada valente, não apenas chamaram a policia num acto de bufaria.

      Sociedade está a voltar para trás!
      O bufo começa a ter um papel de primazia!

  13. Não haverá conivência por parte da direcção da escola? É de estranhar o silêncio da reitoria.
    Por outro lado, como poderá um polícia multar-me por não estar a usar máscara no Café, onde costumo ler o jornal, não sabendo se me é possível ou não suportar aquele estorvo? Não poderei evocar que que me estava a sentir mal disposto? Terei que ser submetido a exame médico?
    Será que já deixou de ser possível desobedecer a ordens ilegítimas? Alguém tem dúvida que, se o professor multado se recusar a pagar a multa, será pronta e facilmente absorvido em tribunal, mesmo que não contrate advogado?
    Tudo isto para lhe dizer que o que relatou nos envergonha a todos. A todos não, há sempre quem gosta de se baixar – e não digo mais nada.

      1. Não deixou de ser possível desobedecer a ordens ilegítimas. Pelo contrário, em certos casos é até imperativo que isso aconteça.

        Creio que o professor pagou a contra-ordenação. Mas seria facilmente absolvido em tribunal, tenho a certeza.

        1. Depende do testemunho dos alunos bufões!

          Se quiserem lixar o Prof. estes alunos até são capazes provavelmente de dizer que este Prof. nos intervalos assediava alunas.
          O Prof, está feito, e os bufos sempre podem ir festejar para a festa ilegal privada.

          A escola da pide anda mais viva do que nunca!

  14. Tudo isto está, no mínimo, muito esquisito.

    Há quem ponha a máscara e há quem se balde para a máscara.

    Há quem respeite o distanciamento recomendado e quem se cole a nós.

    Penso que o Sr. Presidente da República (ao falar expressamento do próximo Natal) exagerou.

    Afinal, o Natal ainda está relativamente longe.

    Porquê “chatear-nos” com isto, agora?

    Como disse e repito: tudo isto está muito estranho.

    Abraço.

  15. A polícia não anda a fazer rusgas, respondeu a uma ocorrência. Assumo que haja ordens para responder a estas “denúncias”. O comissário podia ignorar, mas se por algum acaso o relator ou um dos colegas acusasse, era certinho que vinha para a rua berrar que tinha feito queixa e ninguém lhe ligara, era o aqui del rei e que a bosta da bófia vai à Amadora mas na Universidade não entra.
    Chegámos a um ponto, e não apenas com o covid, em que tudo tem medo uns dos outros, e das consequências mediáticas das mais pequenas acções.

      1. A vida de polícia não está fácil!!
        Isto hoje só se vai para polícia quem gosta de levar porrada na rua, pois o cassetete e a pistola é s´s para enfeitar.

      2. Tem razão Pedro Correia.
        Têm de levar um cão quando se metem em determinadas situações.
        Mais depressa era defendido o polícia humano tendo ao lado um cão polícia.

  16. lá vem a dramatizaçao.

    E como quase sempre a critica pela critica, a critica profissional, para alem da intençao nao desvendada.

    Repito : do pouquinho que vou lendo do Pedro, nao retenho, agora no assunto pandemia, que alguma vez , adiantadamente, tivesse ousado sugerir uma ou mais medidas para contrariar o contagio.

    Nem conheço os leitores do Pedro. Mas conheço o país, e o pais leitor preferia que o Pedro ousasse medidas novas para proteçao dos idosos, p. e.

    Chorar a reclusao dos idosos… se calhar seria preferivel desprotege-los, que fossem contagiados e desaparecessem … se calhar (outra vez ) para logo a seguir vir criticar terem sido os idosos desprotegidos.

    Que nao saia nunca da pequena escala !

  17. Boa noite ,
    Foi assim que Salazar conseguiu acabar por morrer no poder , favorecendo os funcionários públicos e alguns grupos económicos (mantendo a economia fechada ) e promovendo a divisão entre o povo através dos bufos .
    Bufos , estes que aparecem como cogumelos em resultado da pior característica do povo português , a inveja .

    Luis Almeida

  18. É o argumento mais delirante que se poderia arranjar para tentar justificar o injustificável. O errado foi o comportamento do dito professor, que é tão mais grave por servir de exemplo. Será assim tão difícil de entender que não basta alguns cumprirem regras para que todos fiquem mais seguros? Já se percebeu que no meio universitário estão a aumentar os contágios precisamente pelo completo desprezo das regras mais básicas, mas o iluminado autor vem atirar com argumentos de bufos,,,,seria patético se não fosse tão natural neste portugal de gente pequenina onde o tipo esquemático que foge aos impostos ou “arranja” aquele telefone a preço de saldo é o exemplo a seguir. Parabéns pelo devaneio, só faltou acrescentar o calendário das próximas festas covid e o roteiro das vias a usar para escapar aos controlos da policia a partir de 30 de outubro.

    1. Diga isso ao senhor Ferro Rodrigues, segunda figura da hierarquia do Estado, que declarou alto e bom som: «Não vamos comemorar o 25 de Abril mascarados, era o que faltava!» Já a pandemia tinha provocado dezenas de vítimas mortais em Portugal. E lá apareceu ele sem máscara, na sessão solene, conforme tinha prometido. Ele e quase todos os outros deputados, seguindo o seu mau exemplo.

      Diga isso aos sindicalistas da CGTP, que em pleno estado de emergência, violando normas contidas nesta lei de excepção aplicada pela primeira vez em Portugal na vigência da actual Constituição, transportou sindicalistas de concelhos vizinhos de Lisboa para o centro da capital, onde promoveu o habitual comício do 1.º de Maio, como se nada de grave se passasse no País.

      A PSP, em vez de pôr fim às ‘raves’ e festas (pouco) privadas que se realizam aos fins de semana um pouco por todo o país, anunciadas e promovidas nas redes sociais, algumas intitulando-se até “covid parties”, anda a invadir as universidades a multar professores que em longas aulas com mais de quatro horas tiram a máscara numa pequena parte desse tempo. Também andarão à caça de alunos que nos intervalos se tocam, abraçam e beijam – sem máscara?

      Há, de facto, gente capaz de tudo.
      Gente capaz de figurar na primeira linha na defesa do indefensável.

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