A poética do espaço


filosofiaonline,

Esta fotografia é de um dos corredores de laboratórios da minha escola. Para lá da porta corta-fogo que se vê aberta, o corredor estende-se com salas de aulas normais. Estão aulas a decorrer, mas o silêncio é total. Com as portas fechadas não se ouve mesmo barulho nenhum. Mesmo com as portas todas abertas, como agora fazemos, para arejar o ar dentro das salas, é raro ouvir-se barulho. Estamos dentro das salas concentrados no nosso trabalho e em sossego. Na escola antiga, antes das obras, durante toda a aula se ouvia o barulho das aulas adjacentes, o que levava a que falássemos todos muito alto, a que houvesse distracções constantes que interrompiam o trabalho. Numa aula, cada interrupção do ritmo de trabalho causa dano no rendimento da aula. Imensas vezes éramos obrigados a ter de vir à porta mandar calar alunos que andavam por ali. A biblioteca era pequena, a sala dos alunos era esconsa, escura e fria, os alunos fugiam de lá; agora ambas são muito amplas, muito solarengas e luminosas. A minha escola tem mais de 1400 alunos, é muito grande e tem uma falta dramática de funcionários. Apesar disso, os corredores, as salas de aulas e outras salas estão limpas, não estão ‘grafitadas’ ou sujas. Os alunos que não têm aulas não andam nos blocos nem nos corredores. Na escola antiga, estava tudo tão degradado que não havia segurança nos laboratórios e em muitas salas o ambiente era perigoso – tudo estava sujo e avariado e não havia uma parede ou uma mesa livre de escritos e graffiti.

Quem critica as obras que foram feitas nas escolas -uma das duas medidas positivas da Lurdes Rodrigues- não tem a mínima ideia do benefício em termos de rendimento de trabalho, em termos de saúde física e mental tanto de alunos como de professores. Fala-se agora muito da saúde mental dos alunos, mas não se faz ideia do excesso de ruído constante das escolas antes das obras e de como isso punha toda a gente, muito rapidamente, no limite do stress, já de si elevado na profissão.

Sou uma grande defensora da importância da arquitectura no rendimento de trabalho e na disposição mental das pessoas com os benefícios para a saúde que daí advêm. As obras na minha escola foram bem feitas, com materiais robustos e de baixa manutenção. 

Quando me lembro do stress que era a escola antiga, o desconforto, o barulho constante, a falta de luz, a falta de equipamentos, os buracos no chão, a instalação eléctrica sempre a falhar, as persianas que não levantavam, as mesas meio apodrecidas, as paredes das salas todas sujas, vidros partidos, no Inverno tudo encharcado porque não havia telhados para ir de uns blocos para outros, a sala de professores tão pequena que metade das pessoas ficava no jardim, as casas de banho nojentas, a sala dos alunos horrível, fria e escura, toda a gente sempre constipada e com gripe da humidade e do frio… era como se estivéssemos num país de terceiro mundo. 

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fotografia de Carlos Henrique Pimenta

(publicado também no blog azul)

65 comentários em “A poética do espaço”

  1. a que houvesse distracções constantes

    distrações só com um c

    Uma professora tem obrigação de não dar calinadas destas!

    1. E um comentador residente tem a obrigação de não ter (espúrias, ainda para mais) antipatias destas. Neste caso, balio, tem que enfiar a carapuça, até às queixadas. Mas qualquer um de nós pode fazer erros (eu farto-me de os fazer) gramaticais ou ortográficos – e isso não implica a pertinência de um juízo profissional público atirado por um mero anónimo. Tenha termos, pá!

  2. ambas são muito amplas, muito solarengas

    soalheiras (com sol), não solarengas (parecidas com um solar).

    Uma professora tem obrigação de não dar calinadas destas!

    1. Não, solarengas, como um solar, dado o tamanho, disposição e luminosidade das salas. A mediateca, por exemplo, embora muito simples está mais de acordo com uma sala senhorial. Tem forma de ‘u’, em torno de um jardim interior e é banhada de luz por todo o lado.

  3. tiro o chapéu à ironia
    deixei os bancos da universidade portuguesa há 65 anos
    as europeias há 60
    só vai para Prof quem não arranja lugar nas caixas do hipermercados

    1. Infelizmente, agora é assim… mas deixa-me satisfeita que a escola, que não tem luxos, mas está muito bem desenhada e construída, num estilo de linhas modernas minimalistas, esteja inserida num contexto social que apanha ainda bairros de classe média baixa e de pobreza, de maneira que esses muitos alunos possam aproveitar um espaço de beleza estética moderna que não têm, nas casas e bairros onde moram.

      1. a pobreza vai continuar
        vivi com dificuldades e sem apoio do estado português
        tive bolsas de outros países
        devia ter feito turismo porque as empresas onde trabalhei foram para o Maneta devido ao marxismo
        sou Anarca e Pedreiro-Livre

  4. Bela foto! Excelente reflexão sobre a arquitectura, a qualidade e o estado do equipamento nas escolas. Os cuidados com a arquitectura de uma escola estão longe de ser um luxo. As escolas, sobretudo as elementares e as secundárias, são os lugares mais nobres que existem e deveriam ser tratadas sempre com o maior desvelo e carinho de que somos capazes.

  5. Ora eu…enfim que aparece uma professora agradada da nova escola onde tudo foi tão bem pensado que até nem parece verdade e só faltam mesmo alguns funcionários auxiliares. Mas está tudo limpo na mesma e controlado. Portanto, talvez nem façam grande falta. É o melhor dos mundos. Pode ser grata. Infinitamente. Nem de porta aberta as pessoas se incomodam umas às outras. Ó escola abençoada pelos deuses. Assim sendo, parabéns por poder estar dentro e gozar dessa pequena maravilha. Há muito quem se queixe das obras de requalificação feitas nas escolas. Fazia falta um louvor assim, rotundo. Que os queixosos devem é estar enganados.

    1. Eu falo pela minha escola, não pela dos outros, mas conheço uns milhares de professores como deve calcular, e a maioria está contente com as obras de requalificação. É claro que quem está contente fala menos e não tão alto como aqueles que estão em escolas onde as obras não correram bem e precisam de intervenção.
      As obras foram feitas por várias construtoras e umas foram melhores que outras. Já estive numa data de escolas intervencionadas e no geral as escolas estão bem e as pessoas vêm a diferença.
      O facto da escola estar limpa, que está, deve-se em parte aos materiais da construção e em outra parte ao facto de que os alunos tendem a conservar espaços limpos e arranjados e a desconsiderar espaços degradados. Adaptam-se ao contexto.
      Quanto aos funcionários, fazem mesmo muita falta. Os funcionários não se resumem a limpar a escola. Temos muitos alunos com problemas que necessitam de apoio para várias situações e temos muitos espaços que necessitam de auxiliares: a entrada, por segurança, a recepção, a papelaria, a reprografia, o ginásio, o refeitório, a mediateca, os laboratórios que requerem funcionários especializados, etc. Há 20 anos a escola era mais pequena e tinha mais de 40 funcionários. Agora tem uns 15 que andam a correr de uns sítios para outros, a apagar fogos, como se costuma dizer.

  6. Ninguém duvida que as escolas tivessem de ser melhoradas. As dúvidas põe-se noutros planos:
    Será que todo o dinheiro que se gastou foi bem gasto? Conheço escolas de Parque Escolar com elevadores desligados porque não há dinheiro para pagar as inspeções, com o ar condicionado parado porque o dinheiro não chega para a conta da luz. Escolas onde se colocaram cestos de papíes apreçados em 500€/un. Outras em que mobiliário novo foi deitado para o lixo porque a empreitada de renovação incluía mobiliário e não podemos deixar os construtores perderem o seu lucro ao reaproveitar coisas que estão em utilização.
    Escolas que têm parte das valências fechadas porque não se contratam auxiliares. Parece que o dinheiro chega para a construção civil, mas nunca chega para o pessoal – há más línguas que dizem que nunca se viu um contínuo de uma escola a pagar um suborno jeitoso, já os construtores das escolas…
    Porque é que se juntaram as escolas em lotes para os concursos, fazendo obras tão grandes que poucas empresas podiam concorrer. Essas empresas foram escolhidas por pré-seleção – todo o processo tresanda a pouca clareza, quer na escolha dos construtores quer na escolha dos projetistas.
    Ainda bem que é das afurtonadas que está numa escola renovada, porque muitas outras escolas ficaram literalmente a cair aos pedaçõs quando a “festa da Milú” acabou.
    O ataque descabelado dessa senhora aos professores também resultou muito bem – parece que agora se queixam que ninguém quer a profissão. Vai-se a ver e as pessoas embirram que lhes chamem maus profissionais que não querem trabalhar, e com as condições atuais não escolhem a profissão.

    1. Isso que diz é verdade, mas é um assunto diferente, que se insere no mau hábito dos políticos portugueses contratarem amigos, conhecidos e traficantes de influências e depois fecharem os olhos à derrapagem dos custos, que muitas vezes são na ordem dos milhões ou centenas de milhões. Porém, isso não tem que ver com escolas em particular, observa-se em tudo quanto é obra, desde o metro de Lisboa até à Lusoponte.
      A minha escola tem elevadores nos blocos de salas de aula que estão parados. Só se um aluno parte uma perna ou assim é que se deixa que vá no elevador e, mesmo assim, é em última alternativa, porque em primeiro lugar trocam-se turmas de sala para que a turma desse aluno fique no rés-do-chão e se evite ter que pôr o elevador a funcionar. E temos ar condicionado, mas também não se põe a funcionar porque não há dinheiro para pagar a electricidade. Felizmente, porque a construção é boa e os vidros são duplos, as salas têm bom isolamento, o que já não é mau. Mas não há dinheiro… por exemplo, a mediateca, que é um espaço com muita nobreza, não está ‘decorada’ a fazer justiça ao espaço. Não há dinheiro.
      Quem me conhece e lê o meu blog sabe bem que as críticas que faço desde há muitos anos a essa ex-ministra, insuportável, mas a iniciativa de fazer obras foi uma boa iniciativa. Houve abusos? Pois, ela era do género de achar que tudo podia…

    2. A Beatriz escreveu um post bonito, masz estragou-o um bocado quando veio defender a ex-ministra Lurdes Rodrigues. Foi pena.

      1. Eu não me defendo de achar que as escolas estavam miseráveis e precisavam de obras, porque é a verdade e só quem não dá aulas desde esse tempo é que não sabe o horror que eram as escolas – algumas ainda o são.
        Estive numa escola que tinha o chão e o rodapé das salas em madeira, com tantos buracos que de vez em quando saíam de lá nuvens de formigas voadoras daquelas que atacam e tínhamos que fugir a correr das salas. Ficávamos todos picados, cheios de bolhas. Estas coisas eram vulgares. Ter salas com buracões no chão, água a escorrer palas paredes por cima da instalação eléctrica. As coisas são o que são.
        Quem me lê, até sabe que comecei o meu blog no sapo, em 2008, justamente para criticar a Lurdes Rodrigues, coisa que fiz, implacavelmente, de modo que estou à vontade para dizer que as obras foram uma boa iniciativa.

        1. Eu não discuto a necessidade de termos escolas em boas condições. Sobretudo os alunos bem as merecem. E os professores também. Mas a “festa” daquela altura foi uma vergonha: em muitos casos, as obras foram além do razoável e muitas adjudicações, quer dos projectos, quer das obras, foram orientadas para “mãos amigas” e essa responsabilidade pode ser assacada em grande parte à ex-ministra, sem esquecer o papel do eng Sócrates e dos outros seus ministros que com ele pactuaram.

          1. Isso é uma verdade indiscutível. Infelizmente não é caso único, a maioria das obras públicas vão para amigos e têm 20 orçamentos rectificativos. A questão é que à Lurdes Rodrigues, ainda a promoveram, primeiro para o Instituto Luso-Americano (a mulher nem falar inglês sabia) e agora é reitora de uma universidade. É o país que temos…

  7. Ainda bem que trouxe para aqui este tema. A arquitectura é de facto importantíssima. E uma escola em bom estado contribui, sem dúvida, para a auto-estima dos alunos e, por isso, interfere no seu rendimento.
    O liceu que frequentei não era mau, mas as casas-de-banho não se recomendavam. E eu pensava sempre que, se nos davam casas-de-banho daquelas, era porque não valíamos muito.
    Investir na educação é a base de qualquer país que se quer desenvolvido. Mas ainda hoje uma professora, no facebook, chamou a atenção para que, em todos os debates já transmitidos na televisão, ninguém mencionou a educação, ninguém explicou qual o projecto do seu partido nessa questão, também porque nenhum dos jornalistas abordou o tema. É triste.

    1. Olá Cristina,
      No debate hoje de manhã na rádio (TSF, Antena 1 e Renascença) falou-me bastante de educação.
      Poderá ouvir no sítio “on line” de qualquer uma das estações referidas.

  8. V.Exª foi bafejada pela sorte. Não ouve notícias? Conheci uma escola no Algarve com ( baratos??) candeeiros Siza Vieira e chovia nas salas. AS Lâmpadas Leds dão bem mais luz.
    Dizia Maria Lurdes Rodrigues »que era uma festa» de facto ainda passeiam pelo tribunal o empresário benfeitor com os amigos.

    1. Como não suporto a Mª de Lurdes Rodrigues, não vou defendê-la, mas as escolas portuguesas estavam ao nível do terceiro mundo e precisavam de obras.

      Isso de fazerem obras com candeeiros caríssimos do Siza Vieira inscreve-se, quanto a mim, no mesmo espírito provinciano de que fez as obras da sede da CGD, cheias de luxos.

      1. Cara Beatriz,
        Conhece o projecto inicial da sede da CGD, SA e aquilo que foi construído?
        Convido-a a informar-se melhor sobre esse tema, curiosamente, o facto de se ter construído “tão pouco” deve-se ao marido de uma ex-ministra da educação (o mundo português é muito pequeno).

        1. Pedro Oliveira, eu não tenho a certeza de ter percebido bem o implícito do teu comentário. Mas se percebi a alusão não me parece correcta (desconhecendo eu o que aconteceu durante o processo de construção da maldita de monstruosa sede da CGD, e hipotéticas alterações de escala que tenham acontecido ao longo desses sete anos). Enfim, já passou muito tempo e o processo (que deu polémica brava na época) já se me confunde na memória. E ainda por cima é matéria sobre a qual nada percebo. Mas fui ler agora uma breve resenha (https://www.cgd.pt/Institucional/Patrimonio-Historico-CGD/Estudos/Documents/Nova-Sede-da-CGD.pdf) e talvez sirva para calibrar a referência colocada sobre a responsabilidade daquele maldito gigantismo.

  9. ” vidros partidos, no inverno tudo encharcado…”
    ” toda a gente sempre constipada e com gripe da humidade e do frio…”

    Deve ser com a saudade desses tempos que agora as aulas se dão com as janelas e portas abertas faça o frio que fizer.

    1. Damos as aulas com as janelas e portas abertas porque as turmas têm 30 alunos e o ar das salas ao fim de pouco tempo, com tanta gente a respirar lá dentro, não tem qualidade e esse é um dos factores de contágio do vírus da Covid-19, como muito bem sabe. Eu quero dar aulas e quero que as aulas continuem presenciais mas tomo cuidado para reduzir as possibilidades de contágio. Não quero ficar doente, se não se importa.

      1. Eu não me importo nada, mas sempre houve turmas com 30 alunos e na universidade com 60 alunos como também deve saber.
        Antigamente uma corrente de ar era o suficiente para provocar uma gripe ou uma constipação, mas agora deve ser diferente, o frio deve ser feito de gelo seco.

        1. O ensino universitário é diferente… os alunos das escolas não são ainda autónomos e precisam de muito investimento individual do professor. As solicitações são muito diferentes.

          Não há correntes de ar. As salas têm portas que dão para o interior do bloco, cujas portas de entrada [no bloco] estão na parede perpendicular e as salas de aula estão desencontradas umas das outras, de maneira que nenhuma fica em frente de outra e, portanto, não faz corrente.

          1. “Não há correntes de ar.”

            Eu pensava que os arquitectos quando faziam um projecto respeitavam não só a orientação solar mas também a circulação do ar, pelos vistos estou enganado. É que a circulação do ar dá-se pela diferença de pressão entre o interior e o exterior e não com a disposição das portas.
            E o frio tanto se faz sentir com uma janela partida como com uma janela aberta.
            O contágio dos vírus é que parece que é diferente ou então a “malta” antigamente era muito estúpida e só ficava infectada quando estava doente.

          2. Quando falo em corrente de ar não me refiro à circulação do ar dentro do bloco de salas mas a não haver janelas abertas em frente de outras janelas ou portas abertas de modo a fazer uma corrente – há sempre paredes pelo meio. Portanto, o frio entra pela janela, para dentro da sala, mas não faz uma corrente.
            As salas têm orientações diferentes. Tem 4 blocos de aulas, laboratórios e salas de artes, uns quadrados, outros rectangulares com salas de aula em três dos lados, cada um com vários andares com orientações diferentes no espaço.

          3. Caro Carlos,
            É com bastante pesar que lhe digo que não percebe nada de arquitectura moderna.
            A escola que estamos a falar (por aquilo que percebi) é uma escola tipo solar, com um jardim interior em forma de U, com as janelas e as portas desencontradas para não provocarem correntes de ar, para além disso têm uma insonorização melhor que os antigos estúdios da Valentim de Carvalho. Os professores dão as aulas de porta aberta mas não se ouve nada nem nos corredores nem nas salas ao lado.
            Modernices .

          4. ” Os professores dão as aulas de porta aberta mas não se ouve nada…”

            Pudera, quando está muito frio devem estar é todos congelados.

          5. Qualquer professor sabe que uma porção grande de alunos, pelo menos nas idades em que os apanho -entre os 15 e os 18- vai para a escola, no pingo do Inverno, de t-shirt de manga curta e penduram o casaco nas costas da cadeira. Só de ver faz frio.

          6. Então e quando você tinha 15 anos, não era a mesma coisa? Ou já esqueceu esse tempo?
            Será que a nossa responsabilidade como educadores ficou agora afectada pela pandemia? Não podemos utilizar a informação de que dispomos para eliminar o pânico e introduzir um bocadinho de bom senso para ajudar uma adolescência prestes a entrar na fase adulta?

          7. Se conhece a história do “Pedro e o lobo” sabe o que eu quero dizer com o pânico.

          8. Esse exemplo não é aplicável ao caso. Não há nenhum pânico e não vejo razão para armar pânico, mas à medida que passa o tempo sem se entrar na plena normalidade, mais os problemas se agravam. Isso é inegável.
            Quando eu tinha 15 anos estávamos em pleno período revolucionário e essa espécie de hiato, no tempo, cheio de turbulência, afectou-me bastante. Na altura não tinha noção, claro, mas hoje-em-dia vejo-o claramente.

          9. Realmente, se considera normal dar uma aula em pleno inverno com as janelas e portas abertas não admira que não perceba o que é o pânico.
            Se a afectou bastante a turbulência do período revolucionário, imagine como se deve sentir esta geração daqui a uns anos depois de terem sido obrigados a cumprir ordens completamente absurdas. A serem instruídos a aceitar a discriminação, a acharem normal a bufaria, a aceitarem o apartheid sanitário e no meio disto tudo não haver alguém responsável pela sua formação que lhes possa transmitir alguma serenidade e dar um pouco de esperança.

          10. Eu sei que não é fácil.
            A natureza humana é assim, nunca admite que foi enganada.
            Mas não se preocupe, a história encarregar-se-á de corrigir a situação.
            Vamos ver é se estes dois anos de atraso no desenvolvimento dos miúdos não irá dar origem à próxima palermia pandémica.

          11. É que vai dizendo ‘coisas’ sem sentido:
            “se considera normal dar uma aula em pleno inverno com as janelas e portas abertas” – onde é que leu que considero normal as medidas excepcionais que tomamos numa pandemia ela mesma uma situação excepcional? Quem é que considera a situação em que estamos normal?

            “Se a afectou bastante a turbulência do período revolucionário, imagine como se deve sentir esta geração daqui a uns anos depois de terem sido obrigados a cumprir ordens completamente absurdas.” quais ‘ordens’ absurdas…? Lavar as mãos? Usar uma máscara para não infectar pessoas vulneráveis?

            “A serem instruídos a aceitar a discriminação” – quem é que ensina os alunos a discriminar? O Ventura? E a que discriminação se refere…? Está a falar de quê?

            “a acharem normal a bufaria”, …? isto é o quê? Refere-se a quê?

            “a aceitarem o apartheid sanitário”… ?? isto é o quê? Refere-se a quê? Temos apartheid no país e nós professores ensinamos aos alunos o apartheid…?

            “e no meio disto tudo não haver alguém responsável pela sua formação”??? Os alunos não têm pais e professores???

            “que lhes possa transmitir alguma serenidade e dar um pouco de esperança.” Que experiência tem de educação e de alunos para afirmar que não têm serenidade ou esperança? Não é essa a minha experiência, mas que sei eu de alunos e de educação…?

            No meio disto tudo que diz, nem uma frase tem sustentação… vai dizendo coisas…

          12. O que é que você fazia antigamente quando estava engripada?
            A reacção normal era:
            – Não te chegues ao pé de mim que eu estou constipada ou hoje não te dou um beijinho que estou constipada. E não havia mais histeria nenhuma. Não havia esta superioridade moral de quem usa máscara para quem não usa máscara ou do afastamento das pessoas como se fossem possuidoras de peste.
            Aceitar que um empregado de restaurante tenha acesso a dados médicos pessoais, aceitar o apartheid entre vacinados e não vacinados, quando não há diferença nenhuma na propagação da infecção, aceitar ficar em prisão domiciliária sem apresentar qualquer sintoma, aceitar tudo isto sem esboçar o mínimo de contestação e de revolta só demonstra que a lavagem ao cérebro foi tão bem feita que as pessoas até abdicaram da sua capacidade de pensar.
            Mas isto talvez seja porque eu só digo coisas.

          13. Superioridade moral?? Nunca vi ninguém dizer que é moralmente superior por usar máscara. Os médicos sempre usaram máscaras quando em contacto com pessoas com vírus infecciosos, a diferença é que agora andam fora dos hospitais, à solta. Há muitos alunos com problemas graves de saúde e sistemas imunitários comprometidos, outros têm familiares com doenças graves e também há professores imunodeprimidos. Porque razão, se podemos proteger-nos, havemos de escolher não o fazer? E que tem isso que ver com superioridade moral?

            Este vírus não é uma constipação. Andam os países mais ricos e desenvolvidos do mundo a alocar grandes quantidades de recursos em dinheiro e humanos, para tentar encontrar um tratamento eficaz e impedir que morram pessoas à conta dele e ao fim mais de dois anos ainda não se conseguiu. Isto não é pouca coisa.

            “Aceitar que um empregado de restaurante tenha acesso a dados médicos pessoais,” – o quê? Saber que levei uma vacina ou que fiz um teste ou que recuperei de estar infectada?

            “o apartheid entre vacinados e não vacinados” – nas escolas não há nenhum apartheid entre vacinados e não vacinados e nem sequer perguntamos aos alunos se estão vacinados.

            “aceitar ficar em prisão domiciliária sem apresentar qualquer sintoma” – o facto de não ter sintomas não significa que não esteja doente. então mas uma pessoa quando está com febre não fica em casa para não pegar aos outros? Eu sempre fiz isso, não considero que esteja presa. Se tem uma doença infecciosa como a tuberculose ou outra qualquer que se transmite facilmente pelo ar, não fica em casa? Fica. Quando tossimos não pomos a mão à frente da boca para não atirar os nossos germes para cima dos outros? Não fazemos isso desde sempre? Isso é uma violação da liberdade?

            Não há histeria nenhuma.

          14. Carlos Sousa, um esforço de bom senso inglório. Como vc diz e bem, o tempo, perante evidências cada vez mais inegáveis, há-de iluminar as cabecinhas de alguma gente, e ?….. mesmo assim ? ……

            Há dias entre amigos, dois deles profs. do secundário, falava-se que a classe professoral é a mais afectada pela paranóia e a precisar de tratamento psicológico urgente. É que nem as meninas das caixas do supermercado estão tão afectadas. O que nos rimos do exemplo, mas são factos, reais e tristes que afectam crianças e adolescentes.

            Já agora, é interessante ver ao vivo e a cores o que o Ceo da Phizer Albert Bourla diz sobre o não tomar a poção milagrosa. Ele não tomou nem toma.
            Ora se ele não a toma e os outros são “empurrados (nalguns países obrigados) a tomar, alguma razão existe, ou não?
            https://www.facebook.com/100063086233497/videos/1818439985021447

            Ainda sobre o mesma poção milagrosa, relembremo-nos esta cronologia:

            1) Originalmente, a Pfizer afirmou que suas vacinas são 95% eficazes (capazes de interromper da infecção e transmissão).
            2) Em junho de 2021, afirmaram 70% de proteção;
            3) Em julho, 50%;
            4) Em agosto, a alegação era de que a vacinação não previne a propagação, mas a reduz;
            5) Em setembro, disseram que não reduz a propagação, mas evita uma infecção severa;
            6) Em outubro, alegaram que a vacinação não previne uma infecção severa, mas previne que se chegue aos cuidados intensivos;
            7) Em novembro admitiram que não previne que se chegue aos cuidados intensivos, mas evita a morte.
            A Covid nunca foi uma doença mortal.
            Desde o início, a taxa de sobrevivência da Covid abaixo de 70 anos foi superior a 99%.
            Em janeiro, Albert Bourla (Ceo daPfizer) reconheceu que as duas primeiras doses são ineficazes, mas afirmou que a terceira dose pode ajudar. No próximo Fevº vamos ver o que ele nos irá dizer.

            “E para acabar” , como dizia o Abade de Travanca nos seus 10 mandamentos do beber à poruguesa:

            um artigo corajoso e lúcido da médica Margarida Abreu, no Observador. Ela toca no nervo, por isso arrepia.
            https://observador.pt/opiniao/a-perversao-atual-da-vacinacao-para-a-covid-19/?fbclid=IwAR1jKms-8w5yQecAdium4PEmGCjYyhBzaN2p5woJ6KvaxvaA5usnCnJd7OM

          15. O médico Tiago Tribolet de Abreu escreveu uns artigos bastante lúcidos, também no Observador, na secção de opinião.
            Vale a pena ler desde o inicio da pandemia.

    1. Não conhecia essa escola. Fui ver agora o site. Mas não, porque essa escola é uma escola típica do Duarte Pacheco. São bonitas já de raíz. Já dei aulas numa escola dessas. A minha escola é de um tempo pós-25 de Abril e foi pensada para ser o politécnico aqui da cidade, mas como na época havia falta de escolas secundárias, abandonaram esse projecto e foi transformada numa escola secundária. Estava inacabada e quem a acabou foi um grupo de pais, com materiais provisórios. Fizeram a instalação eléctrica, por exemplo. De maneira que aquilo era tudo muito… amador e rapidamente entrou em decadência.

      1. Sim, mas por dentro está remodelada e tem uns corredores como o da fotografia numa zona que dá para as cantinas (as partes novas) e que ligam com as partes mais antigas do edifício. Falo da Brotero em Coimbra.

  10. a sua escola parece ser linda e acho que tem toda a razão: a arqutectura influencia e os professores e alunos têm o direito de se sentirem bem;
    De qualquer forma, a interacção entre professores, alunos e pais, é tanto ou mais importante que os materiais e estado do edificio;

    1. Se a qualidade do espaço influência a disposição das pessoas (o nível de cansaço, de stress, de atenção, etc,) e se a disposição das pessoas influencia a qualidade da interacção entre as pessoas, então a qualidade do espaço influência a interacção entre as pessoas.

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