E hoje proponho Benito Lertxundi e Gaua eta Ni.
Gosto muito de música de intervenção. Há nela uma solidão melódica que me interessa muito e um recuperar de alma que, mesmo quando triste ou muito triste, me convoca a uma sensação de esperança.
Bem sei que, sendo de direita, gostar de música de intervenção soa quase a provocação. Mas é um facto de que gosto, e de que gosto muito, independentemente de não me rever, para além da poesia, nas motivações da maior parte das canções de que gosto. O que de certa forma, perdoem-me a nova provocação, demonstra como, à direita, a tolerância tem um papel especial na fruição cultural.
Para não ser demasiado provocador, escolho um cantautor não português, mas basco. Benito Lertxundi, numa extraordinária canção, Gaua eta Ni, aqui cantada com a mulher, Olatz Zugazti. Trata-se da versão musicada de um poema do poeta libanês Kahlil Gibran, A Noite e o Louco, e que portanto não está directamente ligada às causas do cantor Basco.
Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida na semana passada, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

Estou a gostar da tua ‘playlist’, Adolfo. Também gosto de ‘world music’ (embora esta etiqueta me irrite) e de música de intervenção. Enfim, nada que seja costume escutarmos nas ‘playlists’ habituais.
Eu gosto muito de música de intervenção. Muito mesmo. Mas tenho noção de que é uma experiência incompleta, porque me afasto ou procuro não atentar nas conotações políticas. Nesse sentido, percebo que os cantores de intervenção não gostem que as suas canções sejam de certa forma apropriadas por quem deles está nos antípodas.
Fazes bem em partilhar, Adolfo.
Aqui não posso ouvir as “playlist ” da TSF no caminho de casa para o escritório. Dão-me Zambujo logo pela manhã!
Podia ser bastante pior, Sérgio 🙂