Uma coisa que é interessante quando se vai a uma pizzaria é a possibilidade de nós, clientes, fazermos a nossa própria pizza. Sem termos de meter a mão na massa, entenda-se: indicamos a base que queremos, os ingredientes desejados para compor a coisa, e poucos minutos mais tarde temos à nossa frente uma pizza feita exactamente como nós queremos, prontinha a saborear.
Nunca percebi o que impede os contratos de televisão por cabo de funcionar da mesma forma.
A coisa roça o disparate: os pacotes de canais pré-definidos pelas operadoras podem ser úteis, e terão a sua lógica, mas existe algum motivo técnico para não ser disponibilizado um serviço “à medida”? Actualmente, o serviço do qual sou cliente oferece-me setenta canais, dos quais me interessam apenas quinze – mas há alguns que me interessam e aos quais não tenho acesso apenas e só por estarem “fora do pacote”. O resto pode ser muito interessante para outras pessoas, mas para mim são lixo que estou a pagar sem qualquer interesse, quando a coisa podia ser muito simplificada. Vejamos:
Generalistas/Notícias: RTP2, SIC Notícias, RTP Notícias, BBC
Filmes: Hollywood, MGM, TCM, Fox Movies
Séries: AXN, AXN Black, SyFy, Fox, Fox Crime, FX
Documentários: História, Discovery, Odisseia, National Geographic, NatGeoWild
Outros: iConcert
E era isto: 20 canais que, com toda a certeza, acompanharia com um mínimo de regularidade. Sem necessitar dos nossos canais generalistas, desportivos, de desenhos animados ou de música (excepto o iConcert, que passa concertos interessantes; o resto é de fugir). Eu não preciso de 70 canais. Não preciso de canais HD, que a minha televisão é de outros tempos (e é algo enganador os canais HD serem considerados individualmente quando são apenas versões de alta definição de outros canais disponibilizados). Não preciso do Fashion TV, do Fuel, do Panda, do canal do Manchester United, da RTP1 ou da SIC Mulher. Mas interessa-me muito ter a Fox e o NatGeoWild sem ser necessário comprar dois pacotes, que apenas me fazem ficar com mais uma carrada de canais que não me interessam.
Garanto que o primeiro operador de internet e televisão por cabo que fizer um serviço destes – exactamente assim – ter-me-á como cliente.

Subscrevo!
Folgo saber que não sou o único.
Subscrevo inteiramente. Estou neste momento em negociações para um novo pacote e tenho pensado o mesmo…
Eu passei por isso há algumas semanas.
Em principio concordo consigo.
Mas… há sempre um mas… veja que essa sua teoria é válida para quem viva só ou, pelo menos, com gostos comuns.
Eu não gosto de ver canal SiC Mulher…minha cara metade gosta!
Os filhos da Rockada… os netos dos Pandas…
Está a ver onde pode chegar a “guerra dos Canais”!
Chegar a um acordo final… uma TV para cada gosto!
Saudações
Então, junta-se esses canais todos num só pacote. Simples 🙂
Subscrevo também. Com uma só nota: se, apesar do Grande Desígnio Patriótico do Empobrecimento Geral da População, isso lhe for possível, convido-o a considerar a compra de um televisor HD .
Olhe que em certo tipo de programação a diferença de qualidade é especialmente agradável e justifica-se verdadeiramente. Mas, está claro, é uma simples opinião.
Sendo certo que o Mezzo HD tem programação diferente daquela do Mezzo “normal”. Vejo que não inclui esse canal nas suas preferências, mas sempre é, também, um oásis perante aquelas coisas que sob a denominação geral de “música” servem para um metódico embrutecimento das massas. É que perante elas, mesmo as mais estafadas retransmissões dos mais batidos e vulgarizados (sem ofensa) temas da Grande Música, são uma bênção a acarinhar.
Costa
Gostaria, de facto, mas para já não será possível aderir. Um dia, espero!
Quanto ao Mezzo, não escolheria apenas por não apreciar. Se parar lá sou capaz de deixar, mas normalmente não procuro. Claro que se me derem a escolher entre a MTV e o Mezzo, venha o Mezzo. Sempre.
Se for como nos EUA a razão principal que leva os operadores por cabo a não fornecer essa opção são os contratos com os produtores de conteúdos (ex: Sony, Fox) que só vendem em agregado. No caso nacional, os custos de tradução/adaptação de conteúdos tem também significado (e são diminuídos por efeitos de escala).
De qualquer forma, é discutível que a poupança efectiva fosse significativa, uma vez que o custo por canal oferecido pelos operadores seria provavelmente muito mais elevado (se 20 canais custam X, um só canal provavelmente custaria X/2 ou X/3).
Isto dito, o “unbundling” está a ocorrer, quer os operadores queiram ou não. A solução passará por muitos para deixar de ter tv por cabo e aceder aos conteúdos via Internet.
Depende da quantidade de canais escolhidos. Por exemplo, se no Meo eu quiser subscrever individualmente o NatGeoWild, a coisa fica apenas por 0,79 euros. Se assumirmos que canais premium não são disponibilizados a preços premium, talvez um pacote à medida com 15-20 canais não ficasse muito caro.
Como cliente de um serviço de televisão paga desses, concordo inteiramente. Queremos canais vendidos avulso, já. Os canais HD contaram como mais um canal, é outro regabofe dos pacotes que nos impingem.
Gostaria também de sublinhar a sua escolha da RTP2, que também partilho. É simplesmente o melhor canal em sinal aberto em Portugal. Que por azar, está em vias de ser extinto pelo “Esplendor do Relvas”.
Também soube. Nem imagina o que me dói todas as Segundas-feiras por saber que estou – e devo continuar – a ser obrigado a contribuir para lixo como o Prós e Contras, enquanto RTP2 vai à vida.
Por acaso, há uns anos atrás tentei negociar o meu serviço; verdade seja dita a minha televisão passava meses com o canal 41 marcado (Panda), resultado de apenas o meu filho ver televisão. Nessa altura disseram-me que para ter o Panda teria de ter uma “catrefada” de canais inúteis, mais o pacote base.
Há meses atrás, no entanto, algo farto de pagar uma loucura por tantos canais, fui até à central do meu serviço com intenções de anular tudo… ¡surpresa das surpresas! já podia ter um pacote base com o Panda incluído.
No meio de tudo apenas tenho pena do Caça e Pesca, até me agradava relaxar a ver aquilo.
Isso às vezes funciona. Comigo resultou com o telemóvel: depois da operadora ter metido o pé na argola com uma mudança de tarifário (longa história que talvez dê um post um dia destes), insistiram comigo que só podiam reverter a situação passados 30 dias. Disse-lhes que tinha um telemóvel desbloqueado, bastava-me tirar o cartão, parti-lo ao meio e arranjar um da concorrência. Foi num instante que me deram novo tarifário!
Isso vai acontecer no dia de são nunca à tarde. Estamos em Portugal.
… certamente. É fado. Ou karma, sei lá.
ter-te-á como cliente se tiveres dinheiro para pagar a conta decerto caríssima que te haveria de cobrar.
Talvez não fosse tão caro quanto isso. Basta vermos quanto custa um destes canais isoladamente (já dei acima o exemplo do NatGeoWild).
João, o preço avulso após o bundle não poderia ser replicado num preço avulso sem bundle. Nem haveria tecnologia, mesmo na IPTV, que fragenta o sinal até á central mais próxima, para um envio a la carte para cada um dos assinantes. Vê a oferta de outra maneira: por um preço que terias sempre de pagar como cliente (custo da operação + margem) ao operador interessa agregar o maior número possível de canais para tornar a oferta mais atraente. Ou seja: todos os canais a mais são brinde, e não um handicap.
Isso do “brinde”, não sei porquê, faz-me lembrar aquele momento do álbum “A Volta à Gália” em que o tipo a quem o Astérix e o Obélix roubaram o barco a remos para irem de Nice para Marselha se vê obrigado a voltar porque estava em regime de pensão completa e não queria perder refeições a que tinha direito 🙂
Enfim, isto sou eu a divagar. És capaz de ter razão. Só me chateia ter tanto canal inútil quando me contentava com uns poucos.
Comigo sucede o mesmo. O ideal seria podermos escolher, não “pacotes”, mas sim os nossos canais preferidos. Mas a lógica do “mercado” não funciona de acordo com os interesses dos consumidores, como nunca funcionou. Não estamos assim tão longe da máxima de Ford: “as pessoas podem ter um carro de qualquer cor, desde que seja preto”. Hoje podemos escolher a cor (nem sempre é fácil), mas os carros são todos muito caros, consomem todos demais, duram todos de menos. Ou seja, são diferentes no acessório e iguais no essencial. Já agora, também gostaria de saber porque é que não se vende um serviço de internet, de tv por cabo ou de telefone fixo, mas apenas pacotes que incluem pelo menos os dois primeiros. Esta coisa dos pacotes tem muito que se lhe diga…
Até ter mudado o tarifário e o contrato, tive um serviço só de televisão + internet.
Se é verdade que estamos sujeitos ao mercado e pacotes que as operadoras nos ditam,o que dizer de portugueses que por questões geográficas estão no extremo ocidental da Europa,com comunicações de há vinte anos,PAGANDO o mesmo tarifário dos restantes,por um serviço de qualidade terceiro mundista.
Aqui tambem é Portugal,???
Por certo que é,sem dúvida.
A não ser que não nos queiram portugueses…