A péssima excepção à regra


Pedro Correia,

 

É oficial: Portugal está em recessão. O nosso produto interno recuou 0,7% no primeiro trimestre de 2011. Portugal foi, aliás, a péssima excepção à regra: todas as economias da União Europeia – incluindo a da Grécia – cresceram em relação ao trimestre anterior. Para o ano em curso, a Comissão Europeia prevê um crescimento de 1,6% na zona euro enquanto a economia portuguesa deverá recuar 2,2%.

Isto é matéria de facto, não de opinião.

Enquanto escrevo estas linhas, escuto o ainda primeiro-ministro, falando em directo a dois canais de televisão, a gabar-se de que “as exportações portuguesas subiram 17% neste primeiro trimestre”. Sempre a mesma atitude: o secretário-geral socialista vive em permanente negação da realidade. Habita um país onde não há desemprego, onde não há cortes brutais de apoios sociais, onde não há diminuição evidente dos salários reais, onde não há um nítido recuo do Estado-providência, onde não há divergência constante com os padrões de vida europeus.

Tão notória como esta discrepância entre o chefe do Governo e a realidade é a atitude de alguns dos seus apaniguados. Com destaque para Vital Moreira, que em época de campanha eleitoral persiste em ser um dos maiores produtores de pérolas blogosféricas. Eis a mais recente: «A crise teria existido qualquer que fosse o governo e nenhum faria melhor». Frase bombástica, digna de enriquecer o espólio de qualquer coleccionador de epígrafes. Por mim, já a guardei numa vitrina de peças raras.

22 comentários em “A péssima excepção à regra”

  1. Caro Pedro Correia, permita-me discordar de si (coisa rara, claro). Em matéria de evolução do PIB para o primeiro trimestre de 2011, estamos à frente… invertendo a tabela. É tudo uma questão de perspectiva!

  2. Olhe que entre essa e “os portugueses não estão muito interessados em saber como se chegou aqui, mas sim em saber como se sai daqui”, nem sei qual a melhor…
    Não há ninguém no Largo do Rato que diga ao Sr. Vital que o PS não tem programa, apenas um programa-pescada (que antes de o ser já não o era)?…
    Esta gente acha mesmo que somos todos tontos, é a única conclusão que podemos tirar destas baboseiras que políticos como este não deviam dizer… e ainda falam do português redondo do Catroga…

    1. Essa também é fabulosa. De facto, é um disparate que uma campanha eleitoral se destine a passar em revista o desempenho do governo. Onde é que já se viu um desaforo desses?

  3. E isso é importante? Que mania tem o Pedro de se preocupar com coisas sem interesse nenhum. Ainda hoje a SIC N teve uma Opinião Publica acerca do linguajar dos políticos. Crise? Recessão? bahhh para alguns directores de jornais e televisões o importante são os pentelhos do Catroga!!!

  4. Provavelmente está a levar o aforismo demasiado a sério ao dar-lhe a honra de figurar lá vitrina epigramática. Se calhar trata-se apenas que uma questão para deixar aos lexicógrafos: para ele (e outros) «governo» é apenas um vocábulo que derivam de «governar-se»; eu governei-me… ele governou-se, etc. Já Eça nos relembrava que nas nossas tragédias se conjuga apenas o verbo haver…

  5. E segundo fontes “vem” informadas é da maior conveniência que as pessoas nem queiram sequer saber como se chegou até aqui.
    Ou seja, num golpe mestre do desenrascanço, há que descobrir rapidamente um milagre que nos tire deste filme e tudo como dantes na casa de abrantes.

    Amazing!

  6. Portugal é o belo exemplo do desastre Keynesiano. No ano passado só o Estado directamente pediu emprestado 19 mil milhões de Euros. Ou seja mais de 10% do PIB.
    Crescimento 1%. Pede-se emprestado mais de 10% cresce 1%.

    1. O problema nem é tanto pedir emprestado: é pedir emprestado para pagar contas atrasadas, não para investimento reprodutivo nem para pôr o País a crescer. Andamos a pagar juros sobre juros sobre juros. A Dona Branca não faria melhor. Nem pior.

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