O mal. Qual a sua origem? De onde vem e porque vem? Em busca de uma resposta, aproveitemos. Em tempos de relativismo ninguém se despenteará se a resposta for um pós-moderníssimo depende. Do tempo, do lugar e da circunstância. Tomemos um tempo. O nosso. Ainda que seja de espanto, de raiva ou de lamúria . E um lugar. Este do buraco em que estamos. E uma circunstância. A da política portuguesa. Essa onde ecoam ditos e dichotes de magrebinos, palhaços, chantagistas e demissões morto ou vivo. Porque não temos outra. Como não temos, até ver, outro primeiro-ministro. Passos, o pequeno Passos, é mula. Sobre todas as outras coisas, é mula. Mula na acepção que lhe dava o meu pai: a de alguém que leva a água ao seu moinho, sem levantar muitas ondas, ouvindo e sempre calando, seguindo indiferente o seu caminho. Passos, o pequeno Passos, tem toda a sua proposta política reflectida numa folha de Excel. Quanto ao resto, cala-se. Cala-se quanto à necessidade de um país com estas características ter 308 municípios. Cala-se quanto ao facto de ter bulido nas freguesias mas não ter abanado os fregueses. Da mesma maneira que preserva os fregueses do lobby do ensino superior que continuam sentados nas suas cátedras. E todos os outros fregueses que se vão acomodando. Passos, o pequeno Passos, sabem-no todos, é a melhor aposta para que tudo fique na mesma. Passos, o pequeno Passos, o Passos das viagens em turísitica, do discurso da inevitabilidade, do incentivo à emigração, Passos, o pequeno Passos que não cumpriu uma única das suas promessas eleitorais e que acusa os pensionistas da incoerência suprema de quererem receber o que não descontaram, esse Passos empunha a folha de Excel e segue o seu caminho. Mas há perguntas que devem ser respondidas. Como é possível que em tempos como este, Passos, o pequeno Passos, tenha feito nomear 4463 pessoas para gabinetes ministeriais, cargos dirigentes e grupos de trabalho? Isto tem explicação? Admito que tenha. Mas preciso de a conhecer. Passos não pode fazer de mula e continuar calado o seu caminho. Tem de explicar isto de fio a pavio. Porque já temos quase 1 milhão de desempregados e outros tantos precários. Porque o Excel não conhece a ética mas a política tem de a reconhecer. E porque há uma coisa que é evidente. Na nossa política, há resposta para a pergunta de Job. A origem do mal, de muito do nosso mal, está nos boys.
A pergunta de Job e os boys
Rui Rocha,

Mas que má vontade!
Esses nomeados todos estão a fazer a reforma do Estado, então não se está mesmo a ver?!
Ah, pronto! Tenho de ver se controlo melhor este mau feitio…
Caro Rui,
Neste momento o problema já não são os jobs for the boys ” and girls and babies ), nem as “gorduras do Estado”.
Isso agora já é um problema de celulite. E, como as senhoras bem sabem, depois de lá estar torna-se crónica, entranha-se nas curvas, nunca mais desaparece. Mesmo depois de se perderem dezenas de kg. É como estamos.
Abraço,
Pois. Parece que em certos casos, só com métodos invasivos é que a coisa lá vai, Sérgio.
Litúrgia dominical, Redacção: Gosto muito do campo e da lezíria.
Meus irmãos, fico com a impressão, mas uma impressão bastante vincada, que neste país existe um baralho; isto é que está para aqui um caralho!!!. Como todos sabemos os baralhos têm vários naipes, e penso, pensando muito, que são jogados de acordo com a cor do tabuleiro. Por isto mesmo, pensando, centro a origem do mal num baralho viciado que não se encontra nas mãos de quem se julga estar.
Assim sendo, aquilo que há a contrariar é as mãos de quem baralha, por forma a que os bois nunca chegem a pastar, e pastando lá não permaneçam por muito tempo. Tudo isto aparece-me claro em meus pensamentos e nas contemplações do campo e da lezíria, porque se sabe que a cornada de um boi pode danificar, e danifica mesmo. Por outro lado a natureza ensina-nos que os bois são bichos vegetarianos, mas a corrupção deste conceito é tal que quem acaba a pastar já não é esta boiada.
A boiada, como se pode observar em particular nas lezírias deste país, quando se trata de comer, mete os cornos e os olhos ao chão e rapa capim por aí fora. É óbvio que os donos da boiada têm de ter campo e erva suficiente para manter esta merda, de outra forma não seria possível.
Parece-me também, em meus pensamentos, que os bois têm um chip: não só os guia em direcção à erva como também os instrui a reproduzirem-se. Sim, porque quanto mais se reproduz a manada mais campo e erva o dono possui.
E se aquilo que eles vão deixando pode parecer estrume, em boa linguagem sem acordo o que eles fazem nada mais é que cagar naquilo que não lhes pertence.
Eu creio, em meus pensamentos, que o mal se resolve se regressarmos às origens, isto é, que seja o Homem a dominar a besta. Aqui está a origem do mal.
São só pensamentos, e não há machado que corte a raíz ao pensamento.
Fim da litúrgia dominical.
Meus filhos, vão em Paz e que Deus vos abençoe!
Ámen.
Exactamente R.R.. “Passos, o pequeno Passos” é só Primeiro Ministro do seu (pequenino) partido, que o nomeou e, portanto, a quem obedece.
Iden para os PMs “made in” PS.
Não basta procurar ser, ou ser-se, íntegro ou mesmo um PM eficiente.
É necessáriamente que um PM tenha poder, autoridade e, sobretudo, suporte e legitimidade *a nível nacional*.
Senão é-se “engolido pela maquina partidária”, quod.
Óbviamente que não tem poder, nem ele nem qualquer outro, com esta sistema de simbiótica nomeação partidária.
Consequentemente, face à patente falta de poder, bastaria um pouco de coragem e coerência …e abdicar.
Mas isso -e a prevalência do sistema eleitoral- resolveria algum problema ou ainda causaria mais transtorno à Nação?.
Saudações, merecidas, a si e ao opinante Blog.
Excelentes pistas de reflexão que aqui nos deixa, JS.
O problema é que a localização das gorduras do Estado se está a revelar bastante dificultosa, e isso explica que se tenham de nomear sempre mais localizadores, a ver se finalmente há algum que dê com elas.
Esta história das nomeações para os gabinetes, perpetuada a cada governo por uma comunicação social que sabe mas prefere a manchete fácil, já era tempo de ser explicada.
Quando um ministro, ou um secretário de Estado, é nomeado, tem de formar o seu gabinete. Conforme as competências do ministério (ou secretaria) e o ego, ou a insegurança do indigitado, um gabinete terá, digamos, entre dez e trinta pessoas: chefe de gabinete, secretárias, especialistas, imprensa, etc. Somando todos os orgãos, chega-se facilmente a uma boa quantidade de pessoas.
Agora, quando o titular se vai embora, todas essas pessoas saem com ele. O que vier a seguir nomeia novas. Portanto, quando entra um governo, seja de esquerda ou direita, honesto ou desonesto, há uma rotação muito grande. Não entram MAIS x funcionários; os anteriores vão para casa e entram novos. As escolhas podem levar meses. Ao fim de um ano, lá vem a comunicação social a dizer que o governo fez tantas nomeações, como se fosse acrescentar aquele número às nomeações anteriores.
Lembra-se das manchetes: Guterres nomeia mais x funcionários do que Cavaco; Durão nomeia mais y funcionários do que Guterres; Santana nomeia mais z funcionários do que Durão. É sempre assim.
Agora, dirá você – e dirá quem seguir as nomeações de perto pelo DR – no meio há muitos boys, amigos da prima, filhos do amigo da prima, miúdos com 20 anos que mal sabem para ir para um call center? É verdade. É uma pouca vergonha. Mas não é o que parece. Uma boa parte dos escolhidos para o gabinete têm de ser competentes – se não o gabinete não funcionaria.