A padeira de Penafiel.


vidabreve,

A dona Luzia Rocha encontrou uma mala com nove mil euros na rua, à porta da sua casa. Com uma lógica inatacável mandou chamar a brigada de minas e armadilhas, que esteve quase a fazer explodir o atafulhado invólucro por deformação profissional. Finalmente lá encontraram o proprietário, organizador de bodas e saraus dançantes na região. A dona Luzia é agora uma heroína nos pasquins nortenhos e nem sequer lamenta a ingratidão do homem que abarbatou as notas sem a recompensar.

 

Não faça caso, minha senhora: o país aguarda-a com antecipação. Venha para a política. Forme um novo partido. Honesta como é, não ganhará dinheiro – mas vai conhecer Lisboa, comer pãozinho de forma com oito cereais, e se calhar, quem sabe, ainda conquista uma maioria estável para governar o mistifório durante quatro anos e outros tantos  meses. Deus queira.

 

Deus queira.

12 comentários em “A padeira de Penafiel.”

  1. Tomei conhecimento do caso à hora de almoço, Luís. Louvável e raro o comportamento da padeira. E, merecidamente muito bem lembrado neste (bom) post.

  2. Com alguma sorte, poderá repetir a temporada uma e outra vez, que sempre ganhará direito a uma reforma razoável e segura como cada vez menos portugueses terão. E merece-a, por certo. Como merece este registo aqui.

  3. Tal e qual Luís – “Com uma lógica inatacável…” sinto empatia pelo seu post – a D. Luzia e o marido, o senhor Rodrigues, procederam naturalmente como sempre devem ter feito com honestidade, pensando no outro O rosto dela não escondia a sua satisfação – essa terá sido a recompensa – tocou-me muito.

  4. pasquins nortenhos:
    s. m.
    1. Escrito afixado em lugar público com expressões satíricas contra o governo ou alguma pessoa constituída em dignidade.
    2. Publicação difamatória

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