A dona Luzia Rocha encontrou uma mala com nove mil euros na rua, à porta da sua casa. Com uma lógica inatacável mandou chamar a brigada de minas e armadilhas, que esteve quase a fazer explodir o atafulhado invólucro por deformação profissional. Finalmente lá encontraram o proprietário, organizador de bodas e saraus dançantes na região. A dona Luzia é agora uma heroína nos pasquins nortenhos e nem sequer lamenta a ingratidão do homem que abarbatou as notas sem a recompensar.
Não faça caso, minha senhora: o país aguarda-a com antecipação. Venha para a política. Forme um novo partido. Honesta como é, não ganhará dinheiro – mas vai conhecer Lisboa, comer pãozinho de forma com oito cereais, e se calhar, quem sabe, ainda conquista uma maioria estável para governar o mistifório durante quatro anos e outros tantos meses. Deus queira.
Deus queira.

Tomei conhecimento do caso à hora de almoço, Luís. Louvável e raro o comportamento da padeira. E, merecidamente muito bem lembrado neste (bom) post.
A senhora ainda vai dar que falar meu caro.
Flagrantes do país real. Muito bom, Luís.
Sim, uma boa história chega longe — digo eu que não sou jornalista.
Com alguma sorte, poderá repetir a temporada uma e outra vez, que sempre ganhará direito a uma reforma razoável e segura como cada vez menos portugueses terão. E merece-a, por certo. Como merece este registo aqui.
Alguém devia publicar a biografia da senhora.
Não deve tardar, Luís. Toda a gente hoje publica (ou faz publicar) o ‘seu’ livrito. Do troglodita do BrigBrother ao grande banquero João Rendeiro.
Tal e qual Luís – “Com uma lógica inatacável…” sinto empatia pelo seu post – a D. Luzia e o marido, o senhor Rodrigues, procederam naturalmente como sempre devem ter feito com honestidade, pensando no outro O rosto dela não escondia a sua satisfação – essa terá sido a recompensa – tocou-me muito.
A mim também.
pasquins nortenhos:
s. m.
1. Escrito afixado em lugar público com expressões satíricas contra o governo ou alguma pessoa constituída em dignidade.
2. Publicação difamatória
Luís,
É a prova de que há gente boa e que a crise não “atropelou” tudo.
E a senhora é engraçadíssima, além de boa pessoa. O marido também é uma personagem.