Dois portugueses participaram numa das mais entusiasmantes – e relevantes – descobertas dos últimos tempos na área da Astronomia: um sistema solar semelhante ao nosso, localizado a 127 anos-luz da Terra, na constelação de Hidra. Tem sete planetas: cinco gasosos, como Neptuno; um gigante gasoso, como Saturno; e um rochoso, que se pensa ser muito semelhante à Terra, apesar de a proximidade para com a estrela impossibilitar a existência de vida nos moldes em que a conhecemos. Notícia no Público.
Claro que a horda de trolls que habita as caixas de comentários do Público online não tardou a aparecer, cheia de vontade de diminuir a importância desta descoberta com base nos muitos problemas que enfrentamos neste nosso planeta. Viver na Terra é um desafio constante, e sim, as preocupações são inúmeras; mas sempre assim foi, e não foi por isso que a Ciência parou, ou – mais importante – que o Homem deixou de olhar para as estrelas.

Não é boa ideia dizer que a possibilidade de vida no planeta rochoso está completamente de parte e é óbvio que escrever “nos moldes em que a conhecemos” é boa prática científica, mas a proximidade da estrela impossibilita a vida não só nos moldes em que a conhecemos mas também nos moldes em que a imaginamos, seja na forma mais extrema dentro da lógica (que envolve a presença de água) mas também nos moldes já a raiar a ficção científica (formas de vida baseadas no silício). A verdade é que o planeta provavelmente não terá qualquer atmosfera (a que tivesse provavelmente teria sido dispersada pelos ventos solares), pelo que é quase impossível que possa ter vida, seja de que tipo for. Mas a ciência está sempre a descobrir novas possibilidades, por isso vamos esperando.
Quanto à descoberta de planetas, tenho esperanças que nas próximas duas décadas se descubra um planeta rochoso do tamanho aproximadamente da Terra, à distância Goldilocks e que se consiga ver uma atmosfera que contenha água e dióxido de carbono. Vida provavelmente não será descoberta fora do sistema solar nas nossas vidas, mas indicadores de condições de vida? Isso ainda o espero.
Seria uma descoberta extraordinária, sem dúvida.
A idiotice dos comentários — não apenas desses em particular — dever-se-á, suponho, (1) à crença que cada tuga tem de que domina todos os assuntos e, portanto, pode e deve pronunciar-se sobre tudo, da astrofísica ao futebol e (2), à crença de que é espirituoso. Para tal contribuirão certamente as preferências femininas pelo “espírito de humor”, conforme numerosos perfis referem. É possível que nalguns casos essa actividade produtiva ajude a preencher o horário de trabalho…
Diria que tanto a hipótese “a” como a hipótese “b” estão correctas.
Ora bem! E descobriram também que as bactérias comuns podem viver no espaço. Viu?
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interi or.aspx?content_id=1647760