A novidade mais velha


Pedro Correia,

Bloquistas e comunistas anunciaram que não viabilizarão o novo governo. É a novidade mais velha da política portuguesa: nunca até hoje PCP e BE viabilizaram governo algum.

0 comentários em “A novidade mais velha”

  1. Se formos sérios, essa não será novidade porque nunca viabilizaram nem viabilizarão, uma vez que essas políticas são o oposto das suas. O PSD alguma vez aceitou alguma dessas políticas? Nunca

    1. Se formos sérios verificamos que essas políticas e correspondentes projectos políticos normalmente não ultrapassam 10% da vontade expressa nas eleições. Em democracia é assim.

  2. Novidade, novidade, caro Pedro
    será a manifestação de apoio ao próximo Primeiro-Ministro. Para quando?

    (Com a devida vénia a Mário Henriques Leiria)

    «MANIFESTAÇÃO DE APOIO

    A multidão invadira a praça, rodeando a estátua que lá em cima apontava, imperativa, a grande glória da pátria. Espezinhando canteiros, inundando ruas adjacentes, vociferante. A manifestação.
    Os gritos indicados. Guinchos. Várias crianças à procura da mãe e do pai.
    Era o apoio. Incondicional, ininterrupto, ao primeiro-ministro.
    Ali, na praça enorme e paciente.
    O primeiro-ministro olhou por uma das janelas, no terceiro andar antiquíssimo do Paço Ministerial. Sorriu levemente. Apalpou a cara, passou uma das mãos pela lapela do casaco, numa carícia inconstante. Acenou com a cabeça, discreto, um pouco irónico, ao ministério perfilado no fundo da Sala dos Actos.
    Dirigiu-se à varanda alta, sobre a praça apoplética.
    Abriu a janela num gesto amplo e paternal e deu um paço em frente.
    Ouviu-se um som murcho e abafado, uma espécie de paff das bandas desenhadas, lá em baixo no empedrado decorativo que circundava o Paço.

    Alguém tirara a varanda. Toda.»

    LEIRIA, Mário Henrique, 1923-1980 – Novos contos do gin, seguido de Fábulas do próximo futuro. 2ª ed. Lisboa : Estampa. 1978. p. 195

  3. Ora bem. Isto está perigoso com jornalistas incultos nas televisões a dar espaço à ideia perigosa de uma usurpação do poder pela extrema esquerda… com 10% da vontade manifesta… e que corresponde mais coisa menos coisa às intenções de 6% dos Portugueses.

  4. Eles só anunciaram que não viabilizarão novo governo do PSD e do CDS, certo?
    Não anunciaram que não viabilizariam novo governo do PS, pois não?
    É que a Catarina Martins já apelou diretamente ao PS para este formar um governo que o Bloco viabilizaria.

    1. 1. PS + BE somam menos deputados do que PSD + CDS.

      2. Costa, o derrotado, está metido num molho de brócolos. Tem de viabilizar o Executivo de direita, garantindo-lhe balão de oxigénio parlamentar – sob pena de irmos para eleições antecipadas e o PS recuar ainda mais nas urnas. E tem de enfrentar a oposição interna no próprio partido, que cresce de dia para dia. Além do mais, ainda tem de arranjar um canto onde enfiar aquele “jarrão” pré-presidencial de barbas inventado pelo dr. Soares e que agora não serve para coisa nenhuma.
      Demasiados problemas para um homem só. Não tem vagar para aturar os tacticismos da Catarina, que procura partir o PS em dois (algo que o dr. Cunhal já tentou, com manifesto insucesso, em 1974 e 1975).
      Nada de novo debaixo do sol.

  5. Eu acho que o Pedro Correia está a ver de forma (propositadamente?) incorreta o atual posicionamento do Bloco de Esquerda.
    No passado, como o Pedro Correia bem diz, o Bloco recusou-se sempre a viabilizar qualquer governo.
    Agora, não: Catarina Martins declara expressamente e diretamente que o Bloco está disposto a viabilizar um governo do PS, sob certas condições. Não está disposto a viabilizar um governo PSD-CDS, mas está disposto a viabilizar um governo PS.
    O posicionamento do Bloco alterou-se, portanto. É bom que o Pedro o reconheça.

    1. Igual. Catarina Martins jamais dirá: “Aceito o Tratado Orçamental. Aceito o limite de 3% para o défice português.”
      Esses são compromissos assumidos pelo PS – e por toda a família europeia do PS – que jamais o BE aceitará. Compromissos estruturais de governação.
      Tudo o resto são flores de retórica. Boas para pôr num vaso a enfeitar a varanda da “esquerda”, nada mais.
      Já vi este filme vezes de mais. E sei sempre como acaba.

      1. compromissos que jamais o BE aceitará

        Não sei se aceitará ou não. O BE pôs condições ao PS para negociar, e em nenhuma delas figura a violação desses compromissos.

        O Pedro diz que já sabe como este filme acabará. Mas tem pelo menos que reconhecer que o filme está a começar de forma diferente. Em 2009 o BE nem sequer se predispôs a negociar com o PS. Nem sequer pôs condições. Jamais apelou ao PS para que negociasse.

  6. Porra… Porra!!!!

    O Syriza , através do Vodafocas, entrou com mais tesão…

    Os Vodafocas… murcharam e amocharam!

    É tudo tesão de mijo!

  7. «Nunca até hoje PCP e BE viabilizaram governo algum.»

    Não é exactamente verdade, Pedro: o PCP viabilizou – embora, é certo, não através do parlamento, porque este então estava exclusivamente dedicado à elaboração da Constituição – os (seis) governos provisórios a seguir ao 25 de Abril de 1974… porque aqueles tinham pelo menos um representante seu (um deles, como saberá, foi Álvaro Cunhal, salvo erro ministro sem pasta).

    1. Caro Octávio: eu refiro-me, naturalmente, ao regime constitucional – posterior, portanto, à entrada em vigor da Constituição de 1976. Os comunistas só validaram os governos pré-constitucionais. O que não deixa de ser bizarro.

    1. Escusam então de fingir que são amiguinhos do PS e que gostariam de apoiar um governo liderado pelos socialistas. Tanto BE como PCP preferem a direita no poder: dá sempre mais jeito a partidos de protesto.

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