Bloquistas e comunistas anunciaram que não viabilizarão o novo governo. É a novidade mais velha da política portuguesa: nunca até hoje PCP e BE viabilizaram governo algum.
A novidade mais velha
Pedro Correia,
Bloquistas e comunistas anunciaram que não viabilizarão o novo governo. É a novidade mais velha da política portuguesa: nunca até hoje PCP e BE viabilizaram governo algum.
Se formos sérios, essa não será novidade porque nunca viabilizaram nem viabilizarão, uma vez que essas políticas são o oposto das suas. O PSD alguma vez aceitou alguma dessas políticas? Nunca
Se formos sérios verificamos que essas políticas e correspondentes projectos políticos normalmente não ultrapassam 10% da vontade expressa nas eleições. Em democracia é assim.
Enganou-se ao contar.
Novidade, novidade, caro Pedro
será a manifestação de apoio ao próximo Primeiro-Ministro. Para quando?
(Com a devida vénia a Mário Henriques Leiria)
«MANIFESTAÇÃO DE APOIO
A multidão invadira a praça, rodeando a estátua que lá em cima apontava, imperativa, a grande glória da pátria. Espezinhando canteiros, inundando ruas adjacentes, vociferante. A manifestação.
Os gritos indicados. Guinchos. Várias crianças à procura da mãe e do pai.
Era o apoio. Incondicional, ininterrupto, ao primeiro-ministro.
Ali, na praça enorme e paciente.
O primeiro-ministro olhou por uma das janelas, no terceiro andar antiquíssimo do Paço Ministerial. Sorriu levemente. Apalpou a cara, passou uma das mãos pela lapela do casaco, numa carícia inconstante. Acenou com a cabeça, discreto, um pouco irónico, ao ministério perfilado no fundo da Sala dos Actos.
Dirigiu-se à varanda alta, sobre a praça apoplética.
Abriu a janela num gesto amplo e paternal e deu um paço em frente.
Ouviu-se um som murcho e abafado, uma espécie de paff das bandas desenhadas, lá em baixo no empedrado decorativo que circundava o Paço.
Alguém tirara a varanda. Toda.»
LEIRIA, Mário Henrique, 1923-1980 – Novos contos do gin, seguido de Fábulas do próximo futuro. 2ª ed. Lisboa : Estampa. 1978. p. 195
Mário-Henrique Leiria é sempre de reler.
Ora bem. Isto está perigoso com jornalistas incultos nas televisões a dar espaço à ideia perigosa de uma usurpação do poder pela extrema esquerda… com 10% da vontade manifesta… e que corresponde mais coisa menos coisa às intenções de 6% dos Portugueses.
A extrema-esquerda cresceu: soma agora 18,5% nas urnas. Vale metade do Syriza.
Seria maior a inquietação se fosse ao contrário…
Para sossego da direita, PCP e BE nunca viabilizaram um governo do PS. Funcionam como seguro de vida perpétuo do PSD.
Eles só anunciaram que não viabilizarão novo governo do PSD e do CDS, certo?
Não anunciaram que não viabilizariam novo governo do PS, pois não?
É que a Catarina Martins já apelou diretamente ao PS para este formar um governo que o Bloco viabilizaria.
1. PS + BE somam menos deputados do que PSD + CDS.
2. Costa, o derrotado, está metido num molho de brócolos. Tem de viabilizar o Executivo de direita, garantindo-lhe balão de oxigénio parlamentar – sob pena de irmos para eleições antecipadas e o PS recuar ainda mais nas urnas. E tem de enfrentar a oposição interna no próprio partido, que cresce de dia para dia. Além do mais, ainda tem de arranjar um canto onde enfiar aquele “jarrão” pré-presidencial de barbas inventado pelo dr. Soares e que agora não serve para coisa nenhuma.
Demasiados problemas para um homem só. Não tem vagar para aturar os tacticismos da Catarina, que procura partir o PS em dois (algo que o dr. Cunhal já tentou, com manifesto insucesso, em 1974 e 1975).
Nada de novo debaixo do sol.
Eu acho que o Pedro Correia está a ver de forma (propositadamente?) incorreta o atual posicionamento do Bloco de Esquerda.
No passado, como o Pedro Correia bem diz, o Bloco recusou-se sempre a viabilizar qualquer governo.
Agora, não: Catarina Martins declara expressamente e diretamente que o Bloco está disposto a viabilizar um governo do PS, sob certas condições. Não está disposto a viabilizar um governo PSD-CDS, mas está disposto a viabilizar um governo PS.
O posicionamento do Bloco alterou-se, portanto. É bom que o Pedro o reconheça.
Igual. Catarina Martins jamais dirá: “Aceito o Tratado Orçamental. Aceito o limite de 3% para o défice português.”
Esses são compromissos assumidos pelo PS – e por toda a família europeia do PS – que jamais o BE aceitará. Compromissos estruturais de governação.
Tudo o resto são flores de retórica. Boas para pôr num vaso a enfeitar a varanda da “esquerda”, nada mais.
Já vi este filme vezes de mais. E sei sempre como acaba.
compromissos que jamais o BE aceitará
Não sei se aceitará ou não. O BE pôs condições ao PS para negociar, e em nenhuma delas figura a violação desses compromissos.
O Pedro diz que já sabe como este filme acabará. Mas tem pelo menos que reconhecer que o filme está a começar de forma diferente. Em 2009 o BE nem sequer se predispôs a negociar com o PS. Nem sequer pôs condições. Jamais apelou ao PS para que negociasse.
Porra… Porra!!!!
O Syriza , através do Vodafocas, entrou com mais tesão…
Os Vodafocas… murcharam e amocharam!
É tudo tesão de mijo!
Lamentável. A ‘Paris Match’ agora até anda com falta de assunto.
«Nunca até hoje PCP e BE viabilizaram governo algum.»
Não é exactamente verdade, Pedro: o PCP viabilizou – embora, é certo, não através do parlamento, porque este então estava exclusivamente dedicado à elaboração da Constituição – os (seis) governos provisórios a seguir ao 25 de Abril de 1974… porque aqueles tinham pelo menos um representante seu (um deles, como saberá, foi Álvaro Cunhal, salvo erro ministro sem pasta).
Caro Octávio: eu refiro-me, naturalmente, ao regime constitucional – posterior, portanto, à entrada em vigor da Constituição de 1976. Os comunistas só validaram os governos pré-constitucionais. O que não deixa de ser bizarro.
É normal, se discordam não têm de viabilizar.
Escusam então de fingir que são amiguinhos do PS e que gostariam de apoiar um governo liderado pelos socialistas. Tanto BE como PCP preferem a direita no poder: dá sempre mais jeito a partidos de protesto.