
Vi ontem à noite, na rubrica “Repórter TVI”, da TVI, uma excelente reportagem assinada pela jornalista Ana Leal sobre incêndios florestais onde, entre outras coisas, se fala do negócio ruinoso dos Kamov, os seis helicópteros russos que foram comprados em 2006 pelo Estado português, e dos objectos incendiários que caem do céu.
Toda a visibilidade que se possa dar a este trabalho de investigação é pouca. Porque é importante fundamentarmos as nossas opiniões em factos e ainda mais importante que os factos que fundamentam as nossas opiniões não sejam esquecidos. Inscrevê-los na memória colectiva é um acto de cidadania.

SUGESTÃO DE ENCENAÇÃO
Desde o cenário montado até ao ponto escondido no alçapão com as orelhas ao léu, passando pelo amontoado dos bastidores, pelos actores e sucessão de actos, cenas, papeis e raquete de contra-regra, cheira a peça mal amanhada.
De Belém a São Bento, desde a batuta ao batoteiro passando pelas capelas e capelinhas da fé, esperança e caridade todos soam a coro ensaiado em caves sombrias.
Ou imitam muito bem ou disfarçam muito mal.
“Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”, não se façam esquecidos.
Finalmente, alguém aponta o dedo à causa raiz desta tragédia: os sucessivos governos, a “nata” irresponsável da casta política, que criou as condições ideais à tragédia e agora afirma, entre outros disparates, perpetuamente dirimindo responsabilidades, ser necessário apostar na “formação” e “especialização”.
Só se for dos boys.
A entrevista que se seguiu, sem os políticos nomeados na reportagem, aliado à exaltação da jornalista, pelo contrário, teria sido completamente dispensável. Enfim, também os canais televisivos têm as suas próprias agendas.
Nem o pai almoça nem a rapariga casa com o cavalo.
Comédia, porno-charada, fantasia, ficção, suspense ou terror?