A nova directora do Museu do Aljube (2)


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Na sequência da notícia da nomeação de Rita Rato Fonseca, antiga deputada comunista (PCP), para directora do Museu do Aljube, escolhida por um concurso, Alexandre Pomar deixou no seu mural de facebook um texto que diz tudo o que é necessário. Aqui o reproduzo:

“Esta é mesmo uma questão fracturante e há que ir ao âmago da questão. É mesmo por ser do PC e ter sido deputada desse partido durante 10 anos, até 2019, sem ter saído por dissidência, que a Rita Rato não tem idoneidade para dirigir o Museu do Aljube. Nem credibilidade, perfil, curriculum, como quiserem. Não se trata de exigir credenciais académicas ou museológicas, conforme algumas críticas de eficácia lateral, mais ou menos hipócritas, mas por fundamentação política.

Quem conhece a história da oposição ao Estado Novo e ao salazarismo (e a memória vai-se esbatendo para as gerações mais recentes que a não viveram), sabe que o PC foi vítima e algoz, censurado e censor, perseguido e perseguidor, tanto face a outras tendências e movimentos oposicionistas (anarquistas, trotskistas, sociais-democratas, marxistas-leninistas-maoistas, autogestionários, liberais, etc) como face a muitos dos seus próprios dirigentes e militantes (desviantes, fraccionistas, dissidentes, críticos, e ex-militantes em geral).

O PC propõe, pratica e defende uma versão partidária da história, a sua e a do país, que tanto inclui a sua dependência perante a União Soviética e a sua repressão política, interna e externa, perante as suas organizaçoes internacionais (Komintern, 1919-1943, e Kominform, 1947-1956) e os seus estados satélites, como a ocultação e manipulação da sua história própria, bem como dos seus arquivos e documentos. O PC impõe a sua história oficial, com uma prática militante e sectária continuada através das décadas, das mudanças do mundo e das suas sucessivas derrotas. Uma história que exclui, em especial, o reconhecimento da Oposição anti-comunista, que foi tendo dificilmente direito de existência.

Tudo isto desqualifica a sra para dirigir um museu dedicado à resistência anti-fascista, que deve ilustrar a sua diversidade e as suas tensões e contradições internas, a história controversa das Oposições, que serviu ela mesma a longevidade do regime, combatendo-o e combatendo-se.

Poderia ser vereadora se existisse um pacto político PS-PC publicamente validado em eleições, poderia dirigir uma galeria ou um parque da CML, uma cantina para sem abrigo. por exemplo. Mas não pode dirigir o Museu da Resistência.”

Nota: entretanto Pomar colocou o texto no seu blog, com uma adenda significativa.

Adenda: sobre este assunto é recomendável ler o devastador “Aqui há rato” de João Pedro George, na revista “Sábado”.

7 comentários em “A nova directora do Museu do Aljube (2)”

  1. Meu caro, se me permite, deixo aqui parte de um comentário que escrevi num outro espaço:

    “Sobre esta nomeação, creio que Edmundo Pedro – esse grande resistente antifascista não-comunista, que esteve preso nesse espaço assim como no campo de concentração do Tarrafal – possa estar a dar voltas no seu túmulo. Ele que criticava o enaltecimento da resistência antifascista comunista face à não comunista.
    O nosso passado fascista-salazarista tem que ser estudado e espaços como o Museu do Aljube e futuramente o Forte de Peniche servem para que as gerações mais novas saibam o que foram. Porém não creio que este seja o caminho certo.”

    Não é o caminho certo exactamente pelas razões descritas no seu texto.

    Um abraço!

  2. Alexandre Pomar esqueceu-se de incluir que a Rita Rato da Fonseca é alentejana e já disse mal dos alentejanos que não são do PCP, além do mais usa brincos compridos e já disse mal dos homens que usam brincos.
    E também disse que o Alexandre Pomar não tem a noção do ridículo.

  3. Este Pomar é mais um xuxa ressabiado e sobranceiro. Só as menções “ à cantina para os sem abrigo “ e o termo “ sra “ ( ao menos tivesse-os no sítio e escrevesse “ gaja “ que é mesmo o q lhe apetecia ) definem logo o personagem.

  4. Já opinei em um anterior post sobre a matéria de nomeação para o museu Resistência e LIberdade.

    E ao ler atentamente as razões evocadas sobre as características que deve possuir um director de uma qualquer instituição, dou comigo a pensar que na realidade o problema da nação consiste nessa gaiola de vaidades denominada de competências e currículos técnicos e académicos que tanto tem contribuído para demonstrar a ineficácia do país na gestão do bem-comum e do património comum.
    Esta gaiola das vaidades certamente contribui para a consolidação da oligarquia dos doutores que se instalou em Portugal e que se revela transversal: quer no público quer no privado.

    Se há uns anos era notícia a não aceitação de um trabalhador por excesso de qualificações – eu escrevi qualificações e não habilitações – hoje assiste-se à renúncia das qualificações em privilégio de ditas habilitações. Porém nunca me apercebi que alguém recomendasse os habilitados a perceber que as habilitações que lhe são oferecidas ou conferidas estão aí para lhes proporcionar capacidade e agilidade para aprender.
    No entanto, assim não acontece. Porquanto de tão habilitados que são nada precisam aprender por tudo terem para ensinar.
    E tudo se mantém na merda em que vivemos.
    Nunca percebi um país onde existissem tantos infelizes habilitados. Se isto é o progresso do país, por favor, acabem com o ensino.

  5. Está lançada a ‘ideia’.
    As eleições para as autarquias vêem a caminho: Presidentes de Câmaras e Juntas de Freguesia têm que estar ‘bem limpinhos daquelas coisas todas’.
    “É agora ou nunca mais acabamos com eles”
    Percebem?

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