A intervenção era de rotina. Mas a mulher do cirurgião fugira nessa mesma manhã com o proctologista, e ele, que era apenas humano, operou para esquecer.
O paciente acordou na madrugada seguinte com o ventre rígido, dores agudas e vontade de dançar slow. Tiraram radiografias, entraram em pânico e ligaram para o telemóvel do cirurgião. Ele não demorou dez minutos. Tinha aspecto de quem passara a noite a vender as mágoas aos pombos no relvado do hospital. Olhou a radiografia e a queixada por barbear tombou-lhe no peito. Esquecera um velho single de 45 rotações no interior do paciente.
“A nossa música”, gemeu chorando, e encostou o ouvido à barriguinha dele.

Também eu já deixei esquecido um Macallan, no roupeiro de alguém. Entre umas cuecas doiradas e um soutien comestível. Chamava-se Lena Eva. E em Lena Eva, o meu alibi. Há nomes que são de ninguém. Casada, ou não valeria o esforço. Nunca mo disse, mas na cama o denodo era acusatório. Ou isso ou treinava de dia, a noite. Era um pouco estrábica para o lado direito, mas eu fitava-a olhando-lhe o peito. Dava-me jeito e eu dava-lhe um jeito. Quid pro quo. Lena Eva só trabalhava nas melhores noites. Lena Eva, era já um reboco brechado. Lena Eva minha dama de coplas.
Como é que se põem os sapos a fumar?
Com muita dificuldade.
😉
Mas também se pode clicar no sapinho que aparece aqui em baixo, onde diz quantos caracteres faltam para o fim do mundo.