Balanço trágico dos últimos quatro meses na Venezuela, sujeita à fúria homicida da Guarda Nacional Bolivariana e das milícias armadas pelo regime: 121 mortos, 1958 feridos (dez só na farsa eleitoral de anteontem) e mais de cinco mil opositores encarcerados.
Apesar destes quatro meses de grosseiras violações dos direitos humanos, como estas dramáticas imagens do assassínio do estudante David Vallenilla documentam, o PCP volta a colocar-se ao lado das forças repressoras. Desta vez num comunicado oficial do partido, depois de o jornal Avante! ter publicado um panegírico ao ditador de Caracas que poderia ter sido produzido por qualquer serventuário do próprio Nicolás Maduro.
Esta é a natureza de classe dos comunistas: enalterecem todas as tiranias que tenham como chancela a foice e o martelo e obedeçam ao jugo dos chamados “partidos irmãos”. Da despótica China, onde vigora o capitalismo mais impiedoso e brutal, à ilha de Cuba, submetida há seis décadas ao punho de ferro da família Castro, passando pelo demencial totalitarismo norte-coreano, assente num imenso arsenal de guerra.
Uma vez mais, o PCP coloca-se ao lado da rica e poderosa oligarquia venezuelana, corrompida pelas redes do narcotráfico, ignorando a dor concreta dos cidadãos comuns, condenados a viver num país onde faltam os bens mais essenciais apesar de possuir as maiores reservas petrolíferas do planeta. Nenhum partido se atreve a falar tanto em nome do povo enquanto aplaude com tamanho vigor quem silencia e oprime o povo.
David José Vallenilla tinha 22 anos e manifestava-se em defesa da liberdade severamente reprimida na Venezuela. Faltavam-lhe escassas semanas para obter o diploma de Enfemagem. Foi abatido a sangue-frio a 22 de Junho, à queima-roupa, por um dos esbirros fardados de Maduro. Como se tivesse sido condenado a um pelotão de fuzilamento.
Custa-me acreditar que imagens como estas não causem sequer um leve sobressalto de indignação aos militantes e simpatizantes do PCP.

Não generalize, camarada! Sou comunista, conheço outros comunistas, e todos criticam o que se passa na Venezuela. Penso que isso sucede também em outros partidos – veja-se hoje o que se passa no PSD. Nem sempre os militantes e os Partidos estão de acordo. Mas deveria também por aqui, se a intenção for o esclarecimento, contar como se chegou ao Estado de Sítio em que se tornou a Venezuela. Falar na Escola das Américas, por exemplo, e depois seguir em frente em passos seguros e com desassombro.
Toda a reacção éprecedida por uma acção. …lembra-se do seu anterior convidado e da dialética da Verdade?
Verde ou Maduro?
A Doutrina do Choque
A Ascensão do Capitalismo de Desastre
de Naomi Klein
Em A Doutrina do Choque, Naomi Klein põe um fim ao mito de que o mercado livre global triunfou democraticamente. Expondo o modo de pensar, o rasto do dinheiro e os fios de marioneta por detrás das crises e guerras mundiais das últimas quatro décadas, A Doutrina do Choque é a história absorvente de como as políticas de “mercado livre” da América têm vindo a dominar o mundo – através da exploração de povos e países em choque devido a inúmeros desastres.
Na conjuntura mais caótica da guerra civil do Iraque, é apresentada uma nova lei que permitiria à Shell e à BP reclamar para si as vastas reservas petrolíferas do país… Imediatamente a seguir ao 11 de Setembro, a administração Bush concessiona, sem alarido, a gestão da “Guerra Contra o Terror” à Halliburton e à Blackwater… Depois de um tsunami varrer as costas do sudeste asiático, as praias intocadas são leiloadas ao desbarato a resorts turísticos… Os residentes de Nova Orleães, espalhados pelo furacão Katrina, descobrem que as suas habitações sociais, os seus hospitais e as suas escolas jamais serão reabertas… Estes acontecimentos são exemplos da “doutrina de choque”: o aproveitamento da desorientação pública no seguimento de enormes choques colectivos – guerras, ataques terroristas ou desastres naturais – para ganhar controlo impondo uma terapia de choque económica. Por vezes, quando os dois primeiros choques não são bem sucedidos em eliminar a resistência, é empregue um terceiro choque: o eléctrodo na cela da prisão ou a arma Taser nas ruas.
Baseado em investigações históricas inovadoras e em quatro anos de relatos no terreno em zonas de desastre, A Doutrina do Choque mostra de forma vívida que o capitalismo de desastre – a rápida reorganização corporativa de sociedades que tentam recuperar do choque – não começou com o 11 de Setembro de 2001. O livro traça um percurso das suas origens que nos leva há cinquenta anos atrás, à Universidade de Chicago sob o domínio de Milton Friedman, que produziu muitos dos principais pensadores neoconservadores e neoliberais cuja influência, nos nossos dias, ainda é profunda em Washington. São estabelecidas novas e surpreendentes ligações entre a política económica, a guerra de “choque e pavor” e as experiências secretas financiadas pela CIA em electrochoques e privação sensorial na década de 1950, pesquisa essa que ajudou a escrever os manuais de tortura usados hoje na Baía de Guantanamo.
A Doutrina do Choque segue a aplicação destas ideias através da nossa história contemporânea, mostrando em assombroso detalhe a forma como eventos do conhecimento geral têm sido palcos activos e deliberados para a doutrina do choque, contando-se entre eles: o golpe de estado de Pinochet no Chile em 1973, a Guerra das Malvinas em 1982, o massacre na Praça de Tiananmen em 1989, o colapso da União Soviética em 1991, a Crise Financeira Asiática em 1997 e o furacão Mitch em 1998.
Escola das Américas:
Em uma carta aberta enviada em 20 de julho de 1993 ao Columbus Ledger Enquirer, o comandante Joseph Blair, antigo instrutor da Escola das Américas, declarou: “Nos meus três anos de serviço na Escola nunca ouvi nada sobre qualquer objetivo de promover a liberdade, a democracia e os direitos humanos. O pessoal militar da América Latina vinha a Columbus unicamente em busca de benefícios econômicos, oportunidades para comprar bens de qualidade isentos de taxas de importação e com transporte gratuito, pago com impostos de contribuintes americanos.”
De acordo com o senador democrata Martin Meehan (Massachusetts): “Se a Escola das Américas decidisse celebrar uma reunião de ex-alunos, reuniria alguns dos mais infames e notórios malfeitores do hemisfério”.
A Escola das Américas, desde 1946, treinou mais de 60 mil militares da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Influência e patrocínio norte-americano aos golpes militares nos países da América Latina no período da Guerra Fria.
https://www.youtube.com/watch?v=lJfHrhin u8U
http://www.independent.co.uk/news/uk/pol itics/saudi-arabia-uk-extremism-terroris m-funding-clear-link-middle-east-isis-gu lf-qatar-report-henry-a7824241.html
Saudi Arabia is the chief foreign promoter of Islamist extremism in the UK, a report has warned.
President Trump formally greeted in Saudi Arabia 5rU
https://www.youtube.com/watch?v=nh2nyi88
Joana Mortágua e a Venezuela:
“O regime manobra contra todos os instrumentos democráticos constitucionais, incluindo o referendo revogatório, que permitiria ao povo expulsar o presidente a meio do mandato. A última farsa foi a convocação de uma assembleia nacional constituinte sem sufrágio universal nem participação dos partidos, uma verdadeira assembleia corporativa como a que conhecemos por cá no tempo da ditadura.
Bem sei que há uma esquerda cega que, 25 anos depois da queda do Muro, ainda acha que vale tudo na defesa de regimes pseudocomunistas. É escolha sua se Brejnev ainda lhes aquece os corações. A esquerda de que faço parte nunca foi ambígua sobre a condenação de regimes que oprimem o povo e sufocam a democracia. Isso vale para Angola e para o regime venezuelano, ainda que as calúnias da direita ignorante insistam que lhes temos amor.”
Em Portugal:
Todos os sectores estratégicos da nossa economia estão nas mãos de regimes ditatoriais. Apenas vi apertos de mão e negócios fechados. Nenhuma indignação, apenas frescura:
“Angola é governada por criminosos”, disse Adriano Parreira, num debate promovido pela eurodeputada portuguesa Ana Gomes (PS), nas instalações do Parlamento Europeu, sobre o relatório “Deception in High Places”, que denuncia um alegado negócio de corrupção entre Angola e a Rússia.
“As vítimas são os angolanos, que continuam a ser empobrecidos pelo seu próprio Governo”, salientou o ex-embaixador, que interveio no debate, referindo-se às indicações do relatório das organizações não-governamentais Corruption Watch e a Associação Mãos Livres.
Segundo o relatório, altos responsáveis de Luanda — incluindo o Presidente — terão estado envolvidos num contrato de restruturação de dívida à Rússia, nos anos 1990, que terá lesado Angola em mais de 700 milhões de dólares.
Zon, Efacec, Banco Big e BIC, REN,CTT,etc
E sobre a China, o que dizer…até se queriam voos chárteres, já para não falar nos Vistos Gold…e então indignados da Praça da Alegria!! Sejam tão molestos com estes quanto o são com Maduro….
https://www.hrw.org/world-report/2017/co untry-chapters/china-and-tibet
Authorities also moved to further limit freedom of expression. In November, the government passed a Cybersecurity Law, which will strangle online freedom and anonymity, and further clamped down on media outlets for reporting that departs from the party line. Authorities also issued multiple directives to tighten control over the internet, which has long been a beacon of hope as a relatively free public space, despite online censorship and surveillance.
The Chinese government continues to lead the world in the number of people executed, with 46 crimes eligible for the death penalty. Scholars in China claimed in September that executions had “fallen about 60 percent” to “a few thousands” in 2005, but official statistics remain state secrets
A propósito Maduro, ao pé daqueles, é muy chiquitito
Respondeu à minha pergunta. Prefere Maduro.
Maduro tinto, no Inverno. Verde, Maduro branco e Vinhão ,no Verão
Tem toda a razão: aquele acção precedente – maioria eleitoral da oposição a Maduro – é de facto inaceitável para comunas no poder.
Todo o comuna está de acordo que: uma vez no poder, sempre no poder.
É a ‘qualidade’ base desse credo e dessa gente!
O Parlamento venezuelano elegeu em 2015 cerca de 75% de deputados pertencentes à oposição. O que fez o ditador Maduro? Esvaziou por completo o poder legislativo do Parlamento.
A procuradora-geral da República, oriunda das fileiras chavistas, tornou-se uma voz incómoda para o poder. O que faz o ditador? Considera-a mentalmente inapta e prepara-se para destituí-la, à margem da própria legalidade do regime implantado por Chávez em 1999.
Já fez isso com o Supremo Tribunal, que tem poderes de fiscalização constitucional: todos os juízes (e alguns não são sequer magistrados de origem) foram nomeados pelo próprio Maduro.
Já fez isso com vários deputados: retirou-lhes imunidade parlamentar, à margem da lei.
Já fez isso com governadores e autarcas da oposição: mandou detê-los por “conspirarem contra o Estado”.
Vimos nascer já várias democracias, pondo fim a ditaduras. Aconteceu, desde logo, em Portugal.
Estamos infelizmente a testemunhar o percurso inverso, todos os dias, na Venezuela. Assistindo ao nascimento de uma ditadura sobre os escombros de uma democracia.
Vlad
Pena, é que todos não estejam preocupados com algo que está mais perto mas, a maioria não sabe ou não se interessa.
Informação de 2013, muito útil e, antes do que poderia ser evitado mas, infelizmente, vai ser ainda pior com o 5G.
https://www.youtube.com/watch?v=m9YM_vLK R8c
Barrie Trower – The Dangers of Microwave Technology
Como é possível que gente tão ilustrada continue a perpetuar o imaginário cowboyesco dos bons e dos maus, predeterminados, quer à partida quer à chegada?!
Não é inteligente!
Nem sério!
João de Brito
O imaginário dos dirigentes que definem a “linha justa” do PCP congelou na Guerra Fria. Ainda se imaginam alinhados com Moscovo num mundo a preto e branco, só com bons e maus, entoando loas ao Pacto de Varsóvia e ao Comecon.
Na medida em que assim for, cabe também no meu comentário.
Como se costuma dizer, o barrete é para quem o enfiar.
No entanto, não tenho visto nem ouvido o PCP atacar tão sistematicamente a oposição venezuelana, nem nada que o pareça.
João de Brito
Sugestão de leitura: xige-atitude-de-respeito-do-governo-port ugues-pelas-eleicoes-na-venezuela-AJ1803 255
http://www.dnoticias.pt/mundo/pcp-e
Eles (comunistas) nasceram assim, assim serão para todo o sempre…
Não vale a pena bater no ceguinho!
O que me causa estranheza é o nosso Guterres ( Secretário Geral da ONU) manter-se calado perante esta catástrofe humana… Pode ser que” ONUmente” nada possa fazer. Então, de nada adiantou tanta trabalheira à volta da sua eleição… … Mais um D. Sebastião à escala mundial!
A mim faz-me confusão o PCP medir ao minuto os tempos que cabem a cada partido nos espaços informativos da televisão privada em Portugal, exigindo “mais pluralismo”, enquanto enaltece o monolitismo em Caracas e aplaude a asfixia do que resta das vozes independentes na Venezuela.
Eu que nunca vivi em ditadura, não consigo deixar de pensar em como se sentem neste momento, aqueles que torturados a lutar contra uma, enquanto veem o seu partido a parabenizar o nascimento “oficial” de outra.
Lutar contra uma ditadura para acabar a aplaudir outras deve dar voltas ao estômago a todos quantos mantenham consciência política e sensibilidade social. Ninguém pode ser indiferente ao colapso da Venezuela – que tem condições para ser o país mais rico da América do Sul e é afinal o mais pobre. Duplamente pobre, pois não tem pão nem tem liberdade.
Deviam partilhar o vídeo com o triste prof. Boaventura Sousa Santos, para quem “as conquistas sociais das últimas décadas são indiscutíveis” e a repressão brutal do regime é “confrontação institucional”. Tenho a certeza que esse jovem discordaria, se não tivesse sido assassinado.
O professor Boaventura continua a fechar os olhos à má ventura do povo venezuelano, esmagado pela tirania de Maduro.
Pedro, vou levar para a minha Praça. Julgo que os camaradas da minha terra vão gostar de ler. Abraço.
Força nisso, João. Abraço amigo.
Sugestão de outras leituras, caro Espinho:
Escola das Américas foi inicialmente criada em Fort Amador, no Panamá, como parte da iniciativa da conhecida Doutrina de Segurança Nacional. Sua denominação inicial foi “Centro de Adestramento Latinoamericano – Divisão da Terra” (“Centro de Adiestramiento Latinoamericano – División de la Tierra” em espanhol). Sua missão principal era a de fomentar cooperação ou servir como instrumento para preparar as nações latino-americanas a cooperar com os Estados Unidos e manter assim um equilíbrio político contendo a influência crescente de organizações populares ou movimentos sociais de esquerda.
Instalações onde funcionou a Escola de das Américas no Panamá.
Em 1950 a escola mudou o seu nome para United States Army Caribbean School ( Escola Caribenha do Exército dos Estados Unidos, em português) e foi transferida para Fort Gulick, também no Panamá; neste mesmo ano o espanhol foi adotado como língua oficial da academia. Em julho de 1963 o centro reorganizou-se com o nome oficial de United States Army School of the Americas (USARSA), ou mais popularmente como Escola das Américas.
Durante as seguintes décadas cooperou com vários governos e regimes totalitários e violentos. Vários dos seus cursos ou adestramentos incluíam técnicas de contra insurgência, operações de comando, treinamento em golpes de Estado, guerra psicológica, intervenção militar, técnicas de interrogação. Manuais militares de instrução destas iniciativas, primeiramente confidenciais, foram liberados e publicados pelo pentágono Americano em 1996. Entre outras considerações, os manuais davam detalhes sobre violações de direitos humanos permitidos, como por exemplo o uso de tortura, execuções sumárias, desaparecimento de pessoas, etc definindo seus objetivos como sendo o de conter e controlar indivíduos participantes em organizações sindicais e de esquerda
Com a apoio dos EUA, e do “mundo civilizado”:
The Caracazo, or sacudón, is the name given to the wave of protests, riots, looting, shootings and massacres that began on 27 February 1989 in Venezuela’s capital, Caracas, and the surrounding towns. The weeklong clashes resulted in the deaths of hundreds of people, thousands by some accounts, mostly at the hands of security forces and the military. The riots and the protests began mainly in response to the government’s economic reforms and the resulting increase in the price of gasoline and transportation
In 1998, the Inter-American Commission on Human Rights condemned the government’s action and referred the case to the Inter-American Court of Human Rights. In 1999, the Court heard the case and found that the government had committed violations of human rights, including extrajudicial killings. The Venezuelan government, by then headed by Chávez, did not contest the findings of the case and accepted full responsibility for the government’s actions.
https://www.youtube.com/watch?v=SvUB3KZT IUw
Caro Vlad,
com tempo farei essas leituras e partilharei com os camaradas da minha terra (que já deverão ter lido). Agora estou mais focado nos ambientes da ex-RDA (a rever a série Weissensee – RTP2 – e a ler o diário de Günter Grass). Coisas que, seguramente, os camaradas da minha terra não ignoram.
Tudo manifestações pacíficas
Era o argumento usado pelos mastins da polícia que reprimiam as manifestações em Portugal antes do 25 de Abril.
Para além de tudo isso, o que me custa é que neste momento “todos” escrevam acerca da Venezuela. Não restam duvidas que os Media possuem grande influência. Veja-se o caso do presidente dos EUA, onde todos os dias saem 3 ou 4 “notícias” da pessoa em questão. E onde é que está a preocupação do número de pessoas que morrem de fome e não só no Sudão do Sul? Outro exemplo é um atentado. Se acontece na nossa Europa e morrem ou ficam feridas pessoas é impressionante a “injeção” dos Media. Mas ainda hoje ocorreu um atentado numa mesquita no Afeganistão onde até ao momento morreram 20 pessoas e o comportamento dos Media é muito diferente. E isso influencia as pessoas.
Não quero dizer com isto que não se deve escrever acerca dos temas do momento. Quero apenas alertar para a influência dos Media que nos leva a escrever sobre os ditos temas. E não abordo a opinião propriamente dita pois isso seria entrar na liberdade pessoal que cada um deve ser responsável pela mesma.
Não sei onde é que você tem andado nestes últimos anos. Aqui no DELITO escrevo desde 2009 sobre a Venezuela.
Não sei porque se admira de que a Venezuela seja notícia. Basta viverem lá cerca de 500 mil portugueses ou lusodescendentes e vários milhares já terem saído de lá e muitos outros estarem em vias de fazer o mesmo, “votando com os pés” rumo à pátria-mãe.
Vai ver que bem vistas as coisas, aqueles desgraçados que foram mortos pela repressiva brutalidade das forças policiais ” estavam a pedi-las”.
Aí colibri, colibri, que raio tinhas tu na cabeça, hum ?
Alguns, por cá, inocentam os carrascos e culpam as vítimas. Só falta reivindicarem que na Venezuela também sejam os familiares dos mortos a pagar o chumbo das balas homicidas, como sucede na China.
Porque terá sido que os comunas e mais esquerdistas, nos tempos da ditadura nunca se refugiaram nos países da antiga Cortina de Ferro, na China ou Coreia do Norte? Todos estiveram em países do lado cá dessa cortina. Seria muito mais honesto, mais sensato, integrarem-se nessas paradisíacas sociedades, segundo eles próprios, do que virem para sociedades exploradoras com as nossas.
Eu não me importava nada que se criasse um Fundo, para o qual copiosamente contribuiria, que os ajudasse a deixarem-nos. Agora, com o caso das maravilhosas coisas que estão a acontecer na Venezuela, fica mais uma oportunidade perdida, fretava-se o maior navio de cruzeiros, embora eles ficassem um pouco aborrecidos com tanta possibilidade de prazer, e enviava-mo-los para aquele Edén.
Bom, muitos estudaram na URSS. Frequentemente eram depois enviados para países capitalistas para actos de doutrinação. Um pouco à semelhança de Bretton Woods.
O poder na Venezuela precisa de ser totalmente desmantelado para enxotar o narco-estatismo do País e seria necessário que os líderes da oposição não estivessem interessados nele. Com favelas imensas, onde as redes progridem com facilidade no meio do compadrio e a violência e a tortura são coisas banais, vai ser muito difícil endireitar aquilo — porque um dos grandes males do comunismo (tal como do impulso irmão que é o islamismo revolucionário) é a destruição de todo e qualquer associativismo e dos movimentos civis de onde provém a democracia. É fazer tudo do zero.