Vi a minha mãe chorar três vezes. Uma num funeral. Uma em Ouro Preto, durante o Festival Literário, quando José Luís Peixoto disse o poema “Cinco à Mesa” e, por fim, ontem quando Jamie Cullum tocava com a felicidade estampada no rosto. Numa vida qualquer podia ser ela. Qualquer coisa a arrebatou a música, essa possibilidade maior, e o pensamento: podia ser eu. Não digo que a minha mãe, a mesma que amanhã faz 59 anos, fosse dar pontapés no piano ou algo assim, mas sei que “I got you under my skin” são acordes e acordes, todos juntos que, em vez de fazerem uma sinfonia, são a banda sonora de uma vida que ela acatou e não cumpriu. Não creio que tenha tido hipótese de escolha. Como ela, tantos de nós.
a minha mãe
Patrícia Reis,

Gostei tanto deste teu texto, Patrícia. Os meus parabéns à Senhora tua mãe.
Obrigada Pedro, a minha mãe é uma pessoa especial. Beijo bom fim de semana
Saudades da minha, que não me lembro de ter visto chorar…
Querida, não sabia. Podes ficar com um bocadinho da minha, ela não se importa. É uma mulher maravilhosa. Beijos
Querida és tu, com essa oferta! Obrigada por esse “bocadinho” da tu mãe. A minha era médica e também uma mulher maravilhosa, habituei-me a dividi-la com meio mundo e essa foi a melhor lição de vida que me deixou.
Às vezes penso que não tive oportunidade de escolha,outras… acho que tive e não as encontrei!
Para a sua mãe grande beijo de parabéns.
PS-No último ano chorei muito mais que em 60 anos de vida.
Ana, o que importa é que saibas que a tua mãe está sentada numa nuvem, a dar aos pés, a comer pipocas e a orgulhar-se imenso de ti:)
Anónimo, eu também choro que nem uma Madalena arrependida. Sou de lágrima fácil? Sou lamechas? Não, nada disso. Na escola diziam que era a miss iceberg. Agora perdi o gelo e qualquer coisa me arrasta para uma tristeza idiota. Serão fases? Será a crise? O meu filho mais novo diz: “Dou-te dez beijos se me sorrires” e eu sorrio:) Há dias assim. Beijos aos dois