Vitorino Salomé, Hino da Maria da Fonte
Já somo alguns debates República vs. Monarquia. É um confronto que me dá gozo, o salientar das virtudes da primeira e dos defeitos da segunda. Sim, sou assumidamente faccioso, a minha posição permite-o. Um dos argumentos que mais esgrimi foi o contestar da ideia de alguém ser, desde tenra idade, preparado para o exercício de determinadas funções, neste caso de Rei, e da suposição de que isso o tornaria melhor preparado que os demais. Preferia, dizia eu, cidadãos comuns para Chefe de Estado. Alguém que o Povo escolha pelas suas características e que, investido dessa superior confiança em sufrágio universal, aliado ao seu perfil, saiba exercer essas competências respeitando a Constituição, em nome de todas as portuguesas e de todos os portugueses.
Depois de ontem, a somar aos últimos anos, este é um argumento que dificilmente repetirei. O Povo escolheu o seu Presidente em exercício, nada a dizer, mas o falso à República provou que ela, sendo a melhor via, não o é por aquele argumento.
Resta-nos que os Deputados respondam ao seu apelo divisionista, honrando a Maria da Fonte.

E Jorge Sampaio que dissolveu a AR quando vigorava uma maioria sólida que suportava o governo em funções? Não terá isso sido também uma manifestação de Presidente de facção?
Este post é um hino à memória seletiva.
De que serveria ter um presidente, eleito por sufrágio directo e universal, num cargo meramente cerimonial?
Para jarra decorativa basta um rei, ou um eleito por maioria no parlamento.
O presidente tem legitimidade para fazer o que fez (bem ou mal) precisamente por ter sido eleito, e porque acha (talvez erradamente) que o fez em respeito pelos que o elegeram.
Espero que as próximas presidenciais sejam uma oportunidade para discutir o papel do presidente.
A maior demonstração que o presidente eleito como é representa (e bem) a facção que nele votou, é que quem hoje se choca com a atitude de Cavaco não se chocou com a de Sampaio, e vice-versa.
São as mesmas pessoas que acham que há um ano havia legitimidade para demitir novamente um governo maioritário na assembleia, mas que agora acham que uma maioria que nem capaz é de marcar uma conferência de imprensa para assinar formalmente um acordo, deve incontestavelmente formar governo e que tudo o resto é uma perda de tempo.
«O sistema é falível pois colocou na cadeira um cidadão comum que é um Presidente de facção.»
Tenho uma «novidade» para si: qualquer Presidente da República – seja quem for, seja onde for – é sempre um «Presidente de facção»… a começar pelo facto de ter sido eleito por uma parte da população contra outra. Exceptuam-se, claro, as repúblicas ditatoriais, de partido e/ou de candidato único, onde a «unanimidade» (ou quase) está assegurada à partida…
Só este aspecto (mas há outros) é suficiente para demonstrar a inevitável, natural superioridade da Monarquia em relação à República. Porém, e infelizmente, existem na verdade muitos «facciosos» que se recusam a aceitar a lógica e os factos… 😉
De todos os protocandidatos a presidente,aponte um que não seja de facção?!!!
Sempre foram: Até o Eanes (Militar) se faccinou!
Só nas cúpulas do Futebol é que não há “faccionados e facciosos!
Perdão pelo extra:
Esqueci-me de dois decisores que jamais foram facionados:
O Ex Presidente Supremo do Tribunal de Justiça e a D. C. do DIAP
Este é o Presidente menos faccioso que tivemos.
Eanes – até formou um partido.
Soares – fez oposição a partir de Belém e interferiu com o PS.
Sampaio – demitiu um governo com maioria sem explicar o porquê. Até o explicar foi um Golpe de Estado.
Cavaco – deixou o país ir parar à bancarrota porque não considerou ser sua competência interferir com um Governo que leva o País à bancarrota.