0 comentários em “A luz ao fundo do túnel”

  1. Então isso pode significar que a esquerda da nossa praça está a adensar a própria crise a propósito do badalado aumento da pobreza.

  2. As luzes ao fundo do túnel são máximos de Mercedes, e outras traquitanas, que regressam da austeridade em contramão com a balança comercial.

    Como o pessoal gozava com os indígenas quando aceitavam uma traquitana qualquer, em troca de ouro ou diamantes…

  3. Pois!… com a proibição de entrada em Lisboa dos carros anteriores a 2000, lá se foram os aforros….. De certeza que não foram os desempregados, os que emigraram, nem os de ordenado mínimo, ou perto do mínimo…..

  4. É fácil de ver por que motivo aumentou. O parque automóvel português é de cerca de 4 milhões de viaturas. Em 2014 foram vendidas 173 mil viaturas. Quer isto dizer que, a esta taxa, seriam necessários 23 anos (4 milhões a dividir por 173 mil) para renovar todo o parque automóvel. Ora, 23 anos é em geral menos do que a vida útil de uma viatura!

    Quero dizer, as pessoas compraram carros porque, pura e simplesmente, o seu carro estava tão velho que já não poderia aguentar muito mais tempo a circular. Não porque haja qualquer luz no fundo de qualquer túnel.

  5. Não tenho comigo dados sobre o assunto. Especulo, pois. Mas talvez fosse prudente não ignorar que um número não desprezível destas compras se terá devido à renovação de frotas de empresas de aluguer de automóveis.

    E talvez fosse igualmente interessante apurar da distribuição, por segmentos, do total de automóveis vendidos em 2014. Quantos destes automóveis significaram uma progressão – ou pelo menos manutenção – em termos de segmento de mercado e quantos significaram um retrocesso (isto é, quantos destes novos carros foram, para os seus compradores, um “passar de cavalo para burro”)? Quantos destes novos automóveis significaram a eternização da opção tão desgraçadamente portuguesa de comprar automóveis submotorizados e subdimensionados, para as efectivas necessidades do seu proprietário, em consequência do anémico poder de compra – não deixa de o ser, apenas por se conseguir manifestar – e da imparável e insaciável voracidade fiscal?

    Alguém acima fez umas básicas contas que permitem concluir como se renova lentamente o nosso parque automóvel – com consequências ambientais, de segurança e fiabilidade pouco satisfatórias e que têm uma origem bem conhecida: o estado – e apontou um facto que convém não ignorar: parte significativa dessas compras não terá sido devaneio burguês ou manifesta melhoria do nível de vida, antes uma imposição, provavelmente bem penosa de cumprir, por evidente esgotamento do carro que se substitui, após uma vida útil prolongada bem para lá do bom senso económico e de segurança, carro cada vez mais indispensável para o dia-a-dia, num país onde o conceito oficial de transporte público se materializa no aumento de tarifas, na supressão e redução de carreiras, das suas frequências e horários, e mesmo de capacidade de cada veículo ou composição.

    Não nos iludamos. Bem visíveis que eles de facto possam ser, o aumento de vendas não se traduz apenas em vistosos “automóveis de alta cilindrada”, essas tão consagrada quanto invejosa e miserabilista expressão que, por cá, deverá afinal incluir cilindradas de questionável elevação.

    Assim possa, quem se lança na aventura de comprar um carro novo, pagá-lo sem dificuldades de maior. Uma coisa é certa: a soma de verdadeiro confisco que, com isso, deposita obedientemente nas mãos irresponsáveis do estado, deve impor-nos um grau de respeito pela ousadia.

    Costa

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