26 comentários em “A luz ao fundo do túnel”

  1. A quantidade do que cresceu dá para pagar a quantidade de dívida feita no mesmo período?
    Não.
    Logo não há nenhuma luz.
    O crescimento precisa de ser qualificado. Não basta crescer 5% se o défice é 10%.
    5 não consegue pagar 10. Mais os juros.

    1. Você faz jus ao pseudónimo: dispara pessimismo mais rapidamente do que a própria sombra. Não lhe parece relevante esta travagem da destruição económica depois da mais longa história de contracção do produto interno de que há registo? Em contraciclo com o que sucede em Itália e França, duas economias muito robustas.

      1. Onde está o pessimismo. Só apresentei um facto.
        A sua resposta é que ajuda a criar o meu pessimismo. Por exemplo eu dizer que em 2015 ainda não teremos aprendido nada.

        Se estivéssemos com 0,1% de recessão e 0,1% de défice estaríamos mais perto do neutro- não aumentar a dívida que criamos mais do que o que podemos pagar com o crescimento- mas já não seria uma notícia que faria bem ao ego, ainda estaríamos em recessão…

        E note-se que o neutro implica que todo o crescimento será para pagar a dívida, não para melhorar a qualidade de vida. E imagino um empate entre os juros e a inflação.

        A palavra “crescimento” atingiu proporções míticas.
        Tanto que o “crescimento a qualquer custo” como criticou a Merkel continua a mandar no pensamento.

        Na prática isto é o mesmo que você sair todo contente de uma reunião com o seu chefe por este o ter aumentado 5% e eu “pessimista” dizer que a Inflação está nos 15%.

        1. Diz você, no cenário que aponta, que aí sim, estaríamos “mais perto do neutro”. A verdade é que já hoje estamos. Com mais lentidão do que desejaríamos, claro, mas estamos. Segundo os dados da estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística, mesmo em relação ao período homólogo houve uma redução para metade da queda do produto. Isto aponta na boa direcção, portanto.
          Se somar a isso a queda contínua da taxa oficial do desemprego, cifrada agora em 15,6%, e o aumento de 5,8% das exportações, são indícios aparentemente seguros de que a economia começa a reagir e estamos a iniciar a recuperação e a afastar-nos dos cenários de “espiral recessiva” que muitos anteviam no início do ano.
          Razão para grandes festejos? Não. Mas é de facto uma luz que finalmente se acende ao fundo do túnel.

          1. “Segundo os dados da estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística, mesmo em relação ao período homólogo houve uma redução para metade da queda do produto. Isto aponta na boa direcção, portanto.”

            A má direcção não mudou, é menos acentuada. A não ser que mudar de má para boa direcção seja aumentar a dívida a 4-5%(com crescimento paupérrimo) em vez de 12% do Governo Sócrates-PS também com crescimento paupérrimo.
            É menos mau? É. Mas continua a não ser sustentável. Para pagar a dívida que se faz hoje vai ter de se fazer cortes e ou impostos ou então muito mais crescimento futuro. O crescimento actual não chega para a pagar.
            Se a bitola que diferencia o mau do bom são os resultados do Governo Sócrates-PS então quase tudo o resto seria bom. Para diferenciarmos o positivo do negativo não devemos ter como bitola um governo quase criminoso que duplicou a dívida.

  2. Não se iluda, não. Durante muitos e muitos anos vamos ter de penar. Isto no caso de ficarmos no Euro e ele (Euro) continuar a existir, caso contrário ainda será incomparavelmente pior.

    1. Não me iludo, não. Basta reparar nos números das duas maiores economias europeias: a Alemanha cresce apenas 0,1%, o que indicia um cenário de estagnação económica, e a França recua 0,1%. Sabendo nós como estamos dependentes da conjuntura externa, basta isto para não haver festejos.
      Mas, tal como você, precisamente por não me iludir tenho a certeza de que qualquer cenário sobre a implosão do euro ou a saída de Portugal da moeda única – cenário só defendido pelo PCP, entre os partidos portugueses com representação parlamentar – só agravaria os factores de crise e empobreceria ainda mais o País.

      1. E só a dívida pública em que nos mergulharam ultrapassa em muito os 100% do PIB. Fora o que ainda não estará abrangido pelo perímetro respectivo (perímetro é termo deles). E fora a dívida privada, obviamente.

  3. Bem não sou daqueles que entende que as “melhorias” são objecto de crítica. Sim, temos uma melhoria relativamente às estimativas apontadas, isto é, o PIB revela contracção, mas menor que o estimado: só isto.

    Quando Gaspar disse que o primeiro trimestre apresentava um agravamento por causa de factores climatéricos não faltou bord´água para o contrariar. Na realidade, quem sabe que a economia portuguesa tem como barómetro a construcção civil e obras públicas, o factor climatérico é um factor inibidor de crescimento neste sector e no cômputo geral.

    Todavia, gostaria de alertar para um pormenor muito importante: os preços ao consumidor têm baixado. Aparentemente isto revela um dado bom para o consumidor, mas é mau em termos macro-ecnómicos. Vejamos:
    É mau porque inibidor de criação de emprego. A mão-de-obra que se pudesse contratar com este cenário só iria inflaccionar o preço do artigo e, consequentemente, diminuir a competitividade dos produtos fabricados pelas empresas;

    E é mau porque indica uma diminuição futura de receitas de impostos com a consequente revisão do orçamento e a continuiidade da política da pescadinha com o rabo na boca.

    Neste sentido, a economia portuguesa, ainda que as exportações se mantenham nos níveis hoje divulgados,isto é, insuficientes, necessita de um balão de oxigénio que poderá vir por via da renegociação da dívida, dos juros e da diminuição de impostos: iva e irs (o irc tem de ficar para outras calendas). As empresas, com o aumento de cash flow das famílias por via do desagravamento de impostos, serão compensadas pelas vendas dos bens produzidos naquilo que não lhes é reduzido no IRC.

    1. Tem razão, Vento. A contínua baixa dos preços ao consumidor, provocando um cenário quase-deflacionário, potencia a contracção da economia, com reflexos negativos no mercado de trabalho.

  4. Meu Caro PC

    Estes Lucks… mesmo que chovesse oiro… diziam que era pechisbeque ou de 0,012 quilates !
    Não têm emenda!

  5. A esta hora Seguro está a receber instruções para o que vai dizer. A certa gente não importa muito se o morto já se movimenta e fala. Mais que certo virem assegurar que devia saltar imediatamente dos cuidados para correr a maratona.

  6. Pois eu acho que nos tempos que correm qualquer notícia destas é boa .
    Claro que não é o princípio de um novo mundo nem sequer será uma luz suficientemente forte ao fundo do túnel , mas não é por isso que deixa de ser boa.

    Quando há pouco a li antes de saír para ír almoçar cheguei a pensar em escrever isto que agora escrevi , acrescentando que os “arautos da desgraça” depressa lhe encontrariam os defeitos .

    Nós somos assim cá na terra , nunca vemos o copo meio cheio .
    Mas se o buraco fôr 10 e eu tiver agora 5 para ajudar a tapá-lo é capaz de ser melhor que o buraco ser 10 e eu não tiver nada para o tapar .

    O que é terrível nem é estarmos em apuros , o que é terrível é que nos dê um prazer mórbido em continuarmos lá .

    Resta-nos esperar que essa caixinha de surpresas que são os EUA , que tanto contribuíram e contribuem para isto tudo que se passa à nossa volta , não venham a reincídir na asneira .
    Pelo que vou vendo e lendo é o mais certo , a menos que a China (que detém quase 30% da dívida deles) os vá segurando .

    1. É como diz, RMG: qualquer luz que se acenda ao fundo do túnel, mesmo que exígua, deve constituir motivo de satisfação. Seja qual for a cor política de cada um.
      Neste caso é positivo o princípio do fim da economia em ciclo negativo agora registado pelo INE, após dois anos e meio de recessão contínua.

  7. A primeira estimativa para a evolução do PIB da Zona Euro no terceiro trimestre de 2013 aponta para uma expansão de 0.1%, um valor idêntico ao projectado pela média dos analistas da Bloomberg.

    Destaque negativo para a inesperada contracção da economia francesa, com uma queda de −0.1% (vs. 0% esperados), um abrandamento significativo face ao crescimento de 0.5% registado no trimestre anterior.

    1. São más as notícias que nos chegam de França, onde (não esqueçamos) vivem centenas de milhares de portugueses. Hollande não parece rimar com recuperação económica.

  8. O Pedro descortina a luz ao fundo do túnel quando ela está quase a apagar-se.
    De facto, o que os dados dizem é que Portugal está a crescer, mas muitíssimo menos do que no trimestre anterior – o crescimento está quase a zero.

  9. Este Lavoura … nunca… nunca… está satisfeito com a colheita!

    Que raio semeia ele? Cá para mim…. haxixe! Tou certo ou errado?

    1. Plantei muitos carvalhos (americanos, Quercus rubra) mas, de facto, eles estão a crescer extremamente devagar. Alguns pararam de crescer de todo em todo. Ainda por cima, agora estão todos a perder a folha.
      Por isso agora planto azinheiras, mas está-me a parecer que elas ainda crescem mais devagar que os carvalhos.
      Um dia destes lá terei que regressar aos eucaliptos, o nosso petróleo verde.

  10. Um pontinho especial para a nova lei das rendas que está a “mexer” com o sector imobiliário e com a construção (que como sabemos afecta de forma indirecta várias áreas). Há um efeito prático positivo desta lei, pelo menos em termos económicos. Outros aspectos podiam ser melhor tratados, mas hoje mais que nunca o dinheiro comanda a agenda. Quanto à luz, aguardemos pelo final do ano, só espero que a tendência positiva continue.

      1. A realidade social que me envolve encontra-se hoje mais confiante que no período homólogo*. Isto não significa que as dificuldades tenham desaparecido, mas sim que o cenário não se mostrou tão negro como as suas piores cogitações. Óbvio que os acontecimentos futuros poderão alterar esta percepção, mesmo negá-la. Ninguém tem bolas de cristal, a Economia não é uma ciência exacta, é social. Cada contexto cultural absorve e acolhe de forma diferente tomadas de decisão políticas e económicas. A questão é que existem tantas interacções e possibilidades, tantas tomadas «isoladas» de decisão de diferentes grupos e indivíduos que provocam reacções em cadeia, provocando diferentes resultados quando menos esperamos. O período em que vivemos é o mais global de sempre. Por vezes fico parvo como os doutos da nossa praça não olham para a nossa história com olhos de ver, as práticas económicas passadas não se replicam de forma igual em tempos e condições diferentes. As possibilidades de fuga aos constrangimentos económicos provocados pelas medidas de austeridade do estado, não se limitam aos canais tradicionais. Existe toda uma realidade a milhas de distância geográfica, mas a que me posso aproximar num segundo e com a qual posso comunicar. Em Budapest conheci um alemão que trabalhava no seu computador e ia mudando de localização quando lhe apetecia, um australiano que viveu um mês no Algarve e aí trabalhou num bar, uma americana que estava a aprender português e que vinha ao nosso país, mais outro americano e o seu computador… O que eu quero dizer é: hoje posso procurar possibilidades económicas fora de Armamar, na região do Douro, e no entanto aí permanecer.

        * Não podia deixar de utilizar a nova palavra da moda.

        1. Muito interessante, o seu comentário. Permito-me destacar esta frase: “Isto não significa que as dificuldades tenham desaparecido, mas sim que o cenário não se mostrou tão negro como as suas piores cogitações.” Parece-me uma síntese perfeita. Por isso chamei à situação actual ‘A luz ao fundo do túnel’. Só isto. Com todas as precauções necessárias. Porque – como também diz e bem – ninguém possui bola de cristal. E quem tivesse demasiadas ilusões sobre as virtualidades científicas da economia perdeu-as certamente ao verificar que praticamente nenhuma sumidade internacional previu a grande crise de 2008.
          Hoje é fácil dizer que os indícios estavam bem evidentes para quem quisesse vê-los. A verdade é que quase ninguém os viu.

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