A luta continua


eventhorizon,

Ou, dito de outra forma, a polémica em redor da vitória dos Homens da Luta no Festival da Canção e consequente passagem à Eurovisão para representar o país continua a correr a bom ritmo. Nos media, sucedem-se as entrevistas. Nos blogues, acumulam-se as hiperligações para as declarações de Miguel Sousa Tavares, logo difundidas no Youtube. Nas caixas de comentários dos jornais, dos blogues e do Youtube, duas facções de trolls combatem freneticamente. No Facebook, já começaram a ser atiradas bombinhas de fumo, ou seja, petições contra a participação da banda, e petições contra a petição contra a participação da banda. “Vão dar má imagem do país no estrangeiro”, dizem alguns. Este argumento (passe a generosidade) é curioso. Por dois motivos: em primeiro lugar, porque se baseia na premissa de que o Festival da Canção serve para dar uma boa imagem de um país, o que é obviamente errado: para além de (creio) pouca gente ainda ligar àquilo, a qualidade musical é, salvo raras excepções, muito questionável (a título de curiosidade, vão lá ver com que banda é que a Finlândia levou a taça há meia-dúzia de anos: foi provavelmente a melhor e mais original música da história da Eurovisão, e quase deu uma apoplexia a Eládio Clímaco); e em segundo lugar, porque parte da ideia absurda de que ainda é possível dar uma boa imagem de Portugal na Europa. Convém lembrar os momentos “Technical Engrish” do nosso primeiro-engenheiro; os artigos nas revistas internacionais de Economia sobre o nosso endividamento; os nossos leilões de dívida pública a juros não estratosféricos, mas ionosféricos; os nossos convívios com gente respeitável como Khadafi ou Chávez; o nosso balançar trôpego (embriagado?) no arame da bancarrota; até, se quiserem, nossa figura no último Mundial de Futebol. A nossa imagem internacional anda nas ruas da amargura há anos. Não me parece que o megafone do Jel consiga fazer mais estragos.

8 comentários em “A luta continua”

    1. Na verdade, os Homens da Luta estão muito acima da qualidade dos políticos deste país… e isso, sim, é que é uma vergonha para Portugal…

  1. Eu sinceramente mantenho a minha primeira impressão quando ouvi e vi os Homens da Luta no Festival da Canção: Horrivel! Tanto a música, como a letra… e o figurino é o mal menor, porque entendo que é apenas um “boneco”, “uma personagem” que criaram para chamar a atenção.
    O problema não é dar boa ou má imagem do País, porque como isto está, nem que fosse a saudosa Amália Rodrigues, a imagem ficava limpa! =(
    O problema para mim é mesmo a QUALIDADE musical, ou melhor, a NAO qualidade musical. E isso é que é o busilis da questão. Na minha modesta opinião, e talvez naif, acreditei que o Festival da Canção seria uma espécie de “tribunal” onde se julgava a qualidade da letra, da musica, da interpretação, e da imagem. Mas os anos demonstraram-me que estava completamente errada.
    Por outro lado, e vendo pelo seu prisma, de facto há países que levaram “coisas” bem piores para os representar =), e como dizia o Jel num debate de idéias na RTP há dias, “o ultimo lugar ninguém nos tira” =), talvez seja desta que fiquemos entre os primeiros cinco lugares no Eurovisão. Lololol

    1. Bem piores? Dos bocadinhos que vi nos últimos anos, o Festival da Canção é um excelente quebra-insónias. Salvaram-se os Lordi (da Finlândia) em 2006, e pouco mais.

      De facto, o último lugar está garantido. Se calhar ainda nos surpreendemos!

      1. Excelente texto, João!
        Entre o Jel com “a luta continua” e o primeiro-engenheiro (boa malha) com “a lata continua”, também prefiro o primeiro. Perdidos por cem, perdidos por mil. E que se lixe o festival da canção, quase sempre uma saloiada inclassificável.

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