A longa crise


Luís Naves,

A economia brasileira está em queda livre e paira sobre o mundo o espectro de uma terceira vaga da crise financeira, desta vez iniciada num país emergente. A Turquia e a Rússia, dois outros candidatos a epicentro desse possível sismo, estão envolvidas num perigoso duelo em torno da guerra civil da Síria.

A Europa entrou em crise há sete anos. Na primeira fase, foi vítima do quase colapso do sistema financeiro mundial. Depois, enfrentou problemas internos que quase levaram ao fim da sua moeda única. Neste momento, está em causa o espaço de livre circulação de pessoas: a fragmentação do Islão produziu um vasto arco de instabilidade que vai da Nigéria ao Cáucaso, do Afeganistão à Argélia, da Somália ao Curdistão. A guerra civil na Síria e no Iraque provocou pelo menos sete milhões de deslocados e quatro milhões de refugiados, muitos dos quais procuram chegar à Europa. Cada país de recepção teve uma abordagem que ignorava os vizinhos e parceiros, instalando-se uma situação caótica que parece já não ter remédio.

Em sete anos de crise nos países industrializados, a prosperidade das elites mistura-se cada vez mais com o descontentamento e a sensação de crescente insegurança. A resposta tem sido o aumento regular das propostas populistas de esquerda ou de direita, que tipicamente atraem um terço do eleitorado em cada país. Esta ansiedade em relação ao futuro baseia-se na frustração que muitos europeus sentem: diluiu-se a protecção do Estado, mas não se concretizou a hipótese da abundância, pelo contrário, o europeu típico teme pelo seu emprego e receia cair na pobreza. As democracias são vulneráveis. Para mais, num mundo multipolar e perigoso, as grandes potências tentam encostar os rivais às cordas, relutantes em cooperar contra os seus inimigos comuns: as ideologias do apocalipse e a linguagem do terror.

2 comentários em “A longa crise”

  1. “Na primeira fase, foi vítima do quase colapso do sistema financeiro mundial”

    Não não foi vítima do quase colapso financeiro mundial como se aliás ela não fosse uma grande parte do sistema financeiro mundial.
    Foi vítima de uma cultura da Democracia que não passa de Populismo para compra de votos com o dinheiro dos outros e até nem se apercebem, dos próprios.
    Quando a fundação do sistema é “tiras aquilo ao outro e eu voto em ti” não há hipóteses de existir alguma almofada de segurança.

  2. Há que combater isso com boa informação como se viu na Hungria; as medidas que o “ditador” implementou foram após grandes criticas, seguido por todos os outros países, agora já com os idiologos de pacotilha calados.

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