Ouço a todo o momento à minha volta o verbo “desamigar”. Sinto-me marginalizado: até hoje ainda ninguém me “desamigou”.
A língua em constante evolução
Pedro Correia,
Ouço a todo o momento à minha volta o verbo “desamigar”. Sinto-me marginalizado: até hoje ainda ninguém me “desamigou”.
Caríssimo,
Há pessoas que estão bem acima disso e V. Exa. é um desses afortunados!
Forte abraço,
Como diria a excelsa presidente da AR, segunda figura do estado a que chegámos, «o meu medo é o inconseguimento de estar num centro de decisão fundamental a que possa corresponder uma espécie de nível social frustracional derivado da crise e receio um não conseguimento ainda mais perverso: o de a Europa se sentir pouco conseguida e de não projectar para o mundo o seu ‘soft power sagrado’, a sua mística dos direitos, a sua religião civil da dignidade humana».
Um forte abraço para si, meu caro. Não desamigado, não-frustracional.
É mais questão de ser-se inimizado…
Desconsegui ser inimizado. É frustrante.
Meu caro
Só prova que nestas coisas da amizade a sua capacidade de alavancagem é enorme, como alìas eu sou testemunha por aqui.
A mim desamigou-me uma namorada aqui há uns 50 anos e devo confessar que, da última vez que soube dela, estive quase para lhe escrever a agradecer o gesto.
Não só ninguém me “desamigou” como também ainda ninguém me “desnamorou”. Sinto-me com o passo trocado, meu caro. Necessito basicamente de um novo paradigma que permita algum empreendedorismo nesta matéria. E de uma janela de oportunidade devidamente alavancada.
Mas isso é muito preocupante e bem compreendo a sua frustração: um inconseguimento total que não se via desde os tempos de … bem, adiante!
Terá no entanto que ter cuidado pois, ao que me consta, os novos paradigmas andam com uma tendência maluca para se atirarem das janelas de oportunidade.
Valha-nos o futebol para arejar ideias e simplificar as coisas, meu caro. A filosofia da cabina em razão do esqueleto técnico-táctico condizente com a substância analítica paradigmática intrínseca à diferenciação caracteriológica do onze atacante. Penso eu de que.
Com essa é que me arrumou.
Desisto por agora, a batalha está perdida mas não a guerra.
Penso eu também de que.
Aquele abraço
Direi mesmo mais: a situação é desesperada mas não é grave.
Um forte abraço.
É novilíngua e muito simples. Desamigar é desfazer uma amizade que não existia.
Amizades virtuais, amores virtuais, juras eternas que duram o tempo de um clique. Eis o Admirável Mundo Novo no seu esplendor.
Também deve existir o “inconsamigar”, digo eu.
Talvez. Aguardarei pelo próximo discurso da segunda figura do estado a que isto chegou.
Eu ainda sou do tempo em que estar”amigado” tinha muito pouco a ver com redes sociais e muito com extratos sociais, e desamigar não estava á distância dum clique. 🙂
Concordo Dulce. Também no meu tempo “estar amigado” não eragrande qualificativo.
Mas as novas fórmulas devem-se aos Faces e redes análogas em que as pessoas se amigam e desamigam por dá cá aquela palha!
Ouvido hoje no elevador:
– Fulana desamigou-me. Já viste isto?
– Fez o mesmo a mim. Porque é amiga de Beltrana e eu desamiguei-a a ela.
– Não me importo. Ela desamigar-me até me dá ‘status’. Amei.
Também sou do tempo em que “amigado” era um caminho sem retorno, Dulce. Nessa altura a palavra “desamigado” ainda não existia.
Era um caminho sem retorno porque era a preto e branco.
Agora é diferente, as amizades são coloridas.
Algumas fazem corar. Ou empalidecer.