A liberdade mantida em cativeiro


Paulo Sousa,

Nas notícias tornou-se assunto o impedimento de participação da Iniciativa Liberal no desfile do 25 de Abril.

A Associação 25 de Abril, que como o nome indica advoga-se dona desta data, não permite que este novo partido seja incluído no passeio pela avenida. A desculpa é a pandemia e as limitações que esta impõe. Além disso, justifica-se a referida Associação, o pedido da IL foi apresentado em cima da hora.

Assim a participação fica limitada às seguintes entidades:

 

  • Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE!)
  • Associação Conquistas da Revolução (ACR)
  • Associação de Combate à Precariedade
  • Precários Inflexíveis (PI)
  • Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP 61-74)
  • Associação Iniciativa Jove
  • Associação Intervenção Democrática (ID)
  • Associação José Afonso (AJA)
  • Associação “Os Pioneiros de Portugal”
  • Associação Política de Renovação Comunista
  • Associação Portuguesa de Deficientes
  • Associação Portuguesa de Juristas Democratas
  • Associação Projecto Ruído
  • Bloco de Esquerda (BE)
  • Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL)
  • Comissão da Juventude da UGT
  • Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN)
  • Confederação Nacional de Organizações das Pessoas com Deficiência (CNOD)
  • Confederação Nacional de Reformados
  • Pensionistas e Idosos (MURPI)
  • Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD)
  • Consciência Negra,Conselho Nacional da Juventude (CNJ)
  • Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC)
  • Ecolojovem “Os Verdes”
  • Frente Anti-Racista (FAR)
  • Interjovem-CGTP
  • Jovens do Bloco
  • Juventude Comunista Portuguesa (JCP)
  • Juventude Socialista (JS)
  • LIVRE
  • Manifesto em Defesa da Cultura,Movimento Cívico Liberdade e Democracia (MICLeD)
  • Movimento Cívico “Não Apaguem A Memória!” (NAM)
  • Movimento Democrático de Mulheres (MDM)
  • Movimento dos Utentes de Serviços Públicos (MUSP)
  • Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio-Oriente (MPPM)
  • Partido Comunista Português (PCP, Partido Ecologista “Os Verdes”(PEV)
  • Partido Operário de Unidade Socialista (POUS)
  • Partido Socialista (PS)
  • União Geral dos Trabalhadores (UGT)
  • União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP)

 

A existência de algumas destas entidades era por mim desconhecida até hoje, mas o facto de terem passado pelo filtro da Associação 25 de Abril, quando um partido com representação parlamentar não o conseguiu, é algo que não pode deixar de ter significado político.

A falta de senso, de sentido democrático e até de tolerância, que este impedimento de participação encerra, mostra bem a forma como estes senhores funcionam. Quando fomos governados por um governo que não era da cor deles, como quem nega a legitimidade da data fundadora do regime, recusaram-se eles mesmos a participar nas celebrações do 25 de Abril. Se a isso juntarmos o silêncio imposto à evocação, que fosse, do 25 de Novembro na AR, e às recorrentes declarações de Vasco Lourenço, é fácil de concluir que estes senhores são tão democratas como democrata era a RDA.

A liberdade em Portugal está refém da esquerda.

30 comentários em “A liberdade mantida em cativeiro”

  1. É a ética de que tanto se fala. E a falta de carácter que tanto caracteriza quem elegemos para nos representar. É o espelho da nossa sociedade. Num gesto tão “democrático” a referida associação mostrou como se faz a coisa por cá.
    E o silêncio dos outros partidos e outras associações? É outra forma de violência. Que mutila. Que me assusta.
    Maria Lopes

  2. Eu participei há dois anos no desfile. A Iniciativa Liberal foi posta no último lugar do desfile. Tivemos que esperar mais que uma hora no Marquês antes de começarmos a desfilar. Foi uma chatice.
    Acho melhor assim. Fazemos o nosso desfile com o nosso horário e sem estarmos em companhias que não gostam de nós.

  3. Concordo. Em minha casa também é reservado o direito de admissão.
    São donos da coisa, entra quem eles querem e muito bem entendem*.

    *já se o IL fosse assim composto de minorias, outro galo cantaria

    1. Nem todas as minorias são tratadas da mesma forma. Por exemplo, muitos eleitores e apoiantes da IL farão parte da minoria que celebra o 25 de Abril e também o 25 de Novembro.

      1. Mas que vamos comemorar no domingo? Que resta deste dia? O Chico Buarque cantou um dia que nos tinham estragado a festa, pá. Já não estarei por cá, quando se desenharem os nomes daqueles que, na sombra, nos lixaram a festa. Manuel António Pina, por este tempo de comemorações, gostava de citar Carlyle, que as revoluções são sonhadas por idealistas, realizadas por radicais, e quem delas se aproveita são os oportunistas de todas as espécies.
        Por mim, que já não faço caminhadas, tenho saudades do Bar dos Piratas nos Restauradores que se mudaram para a Rua Morais Soares mas, como é domingo, não vai abrir portas.

  4. Registo fidedigno das associações-satélite do PCP e Bloco.
    Ou a única lista nas mãos da maior parte dos jornalistas, na hora de procurar reacções e comentários à actualidade.

  5. Que vergonha! Mas não é mau: ficamos a saber “quem é quem”, ficamos a saber como seria se estes “eleitos” mandassem, se dúvidas, às vezes, ainda quiséssemos ter.
    De gente assim, “m’espanto às vezes, outras m’avergonho”.

    1. Vasco Gonçalves esteve do lado certo no 25 de Novembro. Mas, tal como aconteceu com Mário Soares, com o passar dos anos derivou para uma versão ainda mais demencial do socialismo.
      É neste enquadramento que entendo este episódio.

      1. Tem toda a razão. É preciso é ver as coisas como ela são. Valham-nos umas boas gargalhadas, mas, até quando?
        Obrigada, e tenha um bom dia

  6. Os próximos dias, até dois ou três de Maio, são deles (ou ainda mais deles): o que se celebrará é uma específica visão do mundo, das coisas; a única que quem decide sobre isso, com obscura mas granítica legitimidade, entende correcta. Todas as outras, tudo o resto, é, especialmente por esses próximos dias, absolutamente inaceitável (e pelo menos nazi-fascista). E lá por não ser o caso actualmente, não se põe de parte que venha ainda a valer uns longos tempos num campo de reeducação. Ou, ainda mais revolucionariamente, uma bala. Paga pela família, claro.

    1. O 25 de Abril desencadeou um vasto leque de projectos para o dia seguinte. A maioria das associações referidas não foi bem sucedida nos seus intentos, e a relativa decência do actual regime resulta desse insucesso. Isso são factos que esta malta faz por ignorar. Confundem a liberdade com a narrativa dos amanhãs que cantam, e julgam que por serem donos da narrativa, são também donos da liberdade.

    1. Se a IL tivesse encomendado um episódio mediático para mostrar quão obsoletos são os actores políticos da esquerda mais canhota, não lhe teria corrido tão bem.

  7. Este ano é que a comemoração do dia da liberdade não pode ser mais simbólica.
    Toda a gente com uma mordaça, número restrito de pessoas, hora limitada para manifestação e tudo sobre rigorosas medidas de vigilância.
    Mas o sacrifício vale a pena porque a liberdade tem de ser comemorada. E viva a liberdade.

  8. O Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano será o Judean People’s front do séc XXI? E soa mto a ingerência em assuntos estrangeiros, típico do imperialismo americano. Mandara eu e não vinham à festa.

    1. Desse grupo faz parte malta que de manhã vai a uma parada gay, e à tarde se manifesta a favor do Hamas, fingindo por ignorar que se o fizesse em Gaza já nem almoçava.

      1. E à noite discute animadamente o problema da branquitude sistémica do movimento feminista da terceira geração, exigindo um feminismo interseccional e multicultural que reconheça e desmantele a míriade de opressões cruzadas decorrentes dessa pérfida criação do macho branco cis.heterossexual, a democracia liberal. Os 15% de mulheres que admitem ser sexualmente abusadas pelos maridos na faixa de Gaza deviam considerar se sortudas por não enfrentarem as manifestações diárias de micro-machismos como as pobres caloiras da FCSH.

        Bancarrota intelectual, moral e espiritual.

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