A lei e a ética


jmmcc,

Em Almonda, para os lados de Torres Novas, há três escolas: duas com vários anos e sinais de degradação e uma construída em 2002 que custou cerca de um milhão de euros. As duas primeiras para lá estão e hão-de estar, mas a escola mais recente vai ser demolida para dar lugar a outra mais nova ainda.

Porquê? Porque as obras de adaptação, segundo o Ministério da Educação, «tornariam a requalificação do imóvel uma opção desvantajosa, sendo preferível a construção de uma nova escola». E que obras de adaptação seriam essas que tornam preferível a demolição de uma escola com oito anos? O ministério diz que ela não obedece (e precisa de obedecer?!) às imposições legais destinadas aos edifícios públicos desde há quatro anos.

Por outras palavras: vai ser demolida uma escola construída em 2002 para obedecer às normas legais que vigoram desde 2006. Digam-me cá: é esta história que está muito, mas mesmo muito mal contada, ou é um sinal de que também têm de ser deitados abaixo os políticos em exercício que não obedecem às normas éticas exigíveis desde sempre?

 

Adenda — Uma notícia sobre um facto, mas  que veicula uma informação institucional dúbia e não questiona a fonte para cabal esclarecimento da dúvida óbvia que levanta, é o exemplo da notícia que não devia ser publicada por não estar acabada e, como tal, exemplo de mau jornalismo.

8 comentários em “A lei e a ética”

  1. “Em Almonda, para os lados de Torres Novas”? Que conversa! Que tal uma consulta ao Google Maps, embora Torres Novas fique apenas a 100 Km de Lisboa e mereça uma visita, muitas visitas?
    Por aquilo que julgo ter lido, um pavilhão, que substituiu instalações pré-fabricadas com mais de 30 anos, vai ser demolido. É grave, muito grave, é mais um milhão que se deita abaixo, mas não corresponde àquilo que é descrito no post. Ainda gostava de ver construir uma escola por um milhão de euros.

      1. Li e continuo a pensar que há um desajuste total entre o post e a notícia que o motivou, salvo, obviamente, na indignação face ao desperdício. Almonda é um rio, a escola chama-se Maria Lamas, nenhuma escola vai ser deitada abaixo, mas sim um edifício que substituiu pavilhões pré-fabricados em que cheguei a dar aulas em 1976, não é, portanto, verdade que “vai ser demolida uma escola construída em 2002″…
        Infelizmente não nos faltam motivos de indignação nem de revolta contra a incompetência que nos governa, pelo que nem precisamos de distorcer factos…

        1. Talvez eu não esteja nos meus dias, mas a notícia não me ajudou, tanto quanto consegui apanhar dela.
          Imagine-se fora do lugar e alheio ao concelho. Consegue melhor do que concluir que a notícia é do mais impreciso que há, além do que ela refere sobre a demolição espantosa?

  2. Destas coisas de obras publicas, não percebo nada é como se fosse chinês. Mas não seria melhor demolir e e construir de novo as mais antigas, que pelos vistos e na opinião do Presidente da Câmara António Rodrigues estão em pior estado? Não poupariam ao Zé Povo uma data de massa? Se quem vai pagar somos nós, c’os diabos….. dêem-nos uma folgazinha! Será que só estão satisfeitos massacrando-nos? Como é que não hão-de haver “derrapagens” e outros nomes pomposos nas obras publicas? Se bem que na minha terra se costuma dizer “Paga e não bufes”, desculpe o termo João, mas se usasse outro seria demasiado violento.

  3. A certificação energética dos edifícios em vigor desde 2006 é mais um meio para “um amigo” ganhar uns cobres.
    Uma escola construida quatro anos antes dessa lei ser “parida” vai abaixo; então porque não mandar abaixo as centenas de edifícios públicos degradados ao abrigo dessa mesma lei?
    A certificação energética obrigatória para quem quer vender ou arrendar uma casa não obriga à demolição da casa, é só para se pagar cerca de 200 Euros e ficar com um lindo papel para emoldurar e pôr na casa de banho; não serve para nada nem obriga a nada.
    É a miséria das nossas leis ou as nossas miseráveis leis!

  4. UMA TEMÁTICA À PARTE…
    Permitam-me que vos divulgue algo que está a decorrer via internet: Uma recolha de subscritores para uma Nova Petição. Trata-se de uma petição da qual valeria a pena saber a reacção dos nossos governantes e demais políticos… mas para isso é imprescindível haver uma vontade firme dos portugueses… Que realmente criticam os salários dos políticos mas que nunca apresentam alternativa viável e justa… Ora, para que esta petição possa responder à voz de milhares de portugueses, é necessário que outros tantos a assinem… Leiam… Se a deixam cair, não haverá mais legitimidade para criticar os vencimentos dos políticos. Cabe-nos a todos evitar que esta petição morra pelo caminho! Chegou a HORA DA VERDADE… Vamos colocar os políticos AO SERVIÇO DO PAÍS e não a SERVIREM-SE DO PAÍS.! Leiam… Petição Por Políticos Mais Responsáveis.
    Se é contribuinte neste país e sente-se “assaltado” ou simplesmente “escandalizado” com o que se paga como salário e ajudas aos políticos? Vamos colocar uma ordem nisto… Que os que servem o povo sejam reconhecidos pelo que fazem… avaliados e como tal, merecedores do que recebem… Está uma petição on-line disponível.
    Aqui fica o link da Petição Por Políticos Mais Responsáveis.
    Leia a petição até ao fim… olhem que vale a pena! Eu já a assinei…
    Este é um assunto diferente do tratado. Mas creio que merece ser divulgado… Perdoem-me este pequeno abuso…
    Não Calarei A Minha Voz… Até Que O Teclado Se Rompa !

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