
Estamos a quinze dias das eleições, em plena campanha eleitoral. Nos últimos dias o ex-ministro da Administração Interna, Cabrita, é constituído arguido naquele processo de atropelamento, no qual teve, pelo menos, uma prática discursiva patética (o que será uma avaliação universal, independente das simpatias políticas de cada um), para além de uma atitude moralmente condenável (o que já dependerá do ponto de vista de cada um. Mas, caramba, é preciso ser muito faccioso para não lhe apontar o dedo…). E agora o tribunal absolve o ex-ministro da Defesa, Lopes, no grave caso do roubo de armamento militar, por o considerar incompetente para o exercício de funções governamentais (e já nem falo da atitude do ex-ministro ao aceitar essa argumentação para se libertar do processo que lhe fora colocado, uma evidente falta de auto-respeito). Ou seja, ao absolver Lopes o tribunal exara uma clamorosa censura a quem o escolheu para ministro, António Costa.
Ambos os ex-ministros foram muito criticados por parte da opinião pública e por alguma imprensa. Mas foram também veementemente defendidos pelos “fazedores de opinião” (comentadores, jornalistas) e pelo PS. E, acima de tudo, pelo Primeiro-Ministro Costa, que os sustentou até ao limite do politicamente possível.
Se o primeiro governo de Costa foi muito criticado pela sua “endogamia” (até literal), pelo seu ensimesmamento em torno de um pequeno núcleo socialista, este segundo que agora terminou tentou limpar-se dessa imagem, pelo menos abdicando de integrar relações familiares. E as opções de Costa deram nisto: para pastas fundamentais teve uma confiança total num mero “passageiro” que acaba arguido, imoralizado num acidente mortal decorrido em matéria da sua tutela; uma confiança total num juridicamente considerado inimputável, por incompetência intelectual, para exercer a tutela sobre as matérias que lhe competiam.
E é absolutamente inenarrável que a mole de apoiantes do PS, militantes, simpatizantes, avençados, meros eleitores flutuantes, face a isto tudo não encarem Costa com, pelo menos, uma estupefacta suspeição sobre a sua competência para chefiar governos. Ainda por cima, repito, porque estamos a apenas quinze dias de eleições.
(Mas, estou certo, muitos deles andarão para aí a botar a conversa sobre a competência e legitimidade do P-M da longínqua e pérfida Albion que deixa o seu gabinete fazer festas durante o Covid. Às vezes é uma desgraça ser… compatriota desta gente).

não vale um peido vegetariano um povo que a poia kosta , o seu social-fascismo e o entertainer do Belmiro
We know what we are, but know not what we may be.
sabemos o que somos, mas não sabemos o que podemos ser.
William Shakespeare
Pela amostra dos últimos 6 anos será espectável que o próximo governo seja uma equipa de sonho do PS.
Reina a dúvida sobre se será um Dream Team ou os Galácticos….
Tudo muito bem. Só não diga que o problema da endogamia é da exclusividade do PS, porque não é, o PSD com governos anteriores também pecou por excesso em consanguinidade(s).
Criticar é fácil, ter imparcialidade de análise é que não é para todos!
João Tavares
Eu disse isso? Não disse. Como tal vá dar lições lá à sua família
Pois não, não disse, mas insinua como se percebe pela resposta meio irada que dá.
João Tavares
A resposta não foi meio irada. Foi autocensurada. Pois considero o seu comentário proveniente de uma boçalidade intelectual e de uma abjecção moral. A atoardas (ainda para mais presunções presumidas) responde-se com palavrões. Mas o blog é colectivo, devo moderar a linguagem.
Falta de educação e soberba é uma das suas características evidentes. Ficava-lhe bem era ter capacidade de análise política imparcial em vez de andar sempre a defender a sua dama. Isso sim é que é revelador de inteligência. Se pensa que ser ordinário resolve os seus problemas, não resolve apenas o diminui aos olhos de todos como um pobre ressabiado. Costa não tem sido feliz com alguns dos seus ministros é certo, mas diga-me lá um governo do PSD isento de culpas. Cresça informe-se melhor em vez de entrar em fanatismos políticos. Deixe lá de ser tendencioso e faccioso ou qualquer dia está parecido com qualquer Ventura de esgoto imundo.
João Tavares
Contra um vendedor de ilusões um realista não tem hipóteses.
Costa, tal como Sócrates, só será derrotado pela realidade.
Só resta saber quem será o novo “impedido” do General Bruxelas.
Instalado o espírito de matilha, a figura do chefe independe de quem é o chefe, trata-se tão só e sempre do alter ego da matilha .
“…competência e legitimidade do P-M da longínqua e pérfida Albion…”.
No Reino Unido os Membros do Parlamento, MP, fiscalizam e pode destituir um Primeiro Ministro, o “PM”, pois não dependem dele para estar sentados em Westminster.
Os MPs, os parlamentares, por sua vez dependem exclusivamente, sentem o humor, a pressão dos votantes no seu círculo eleitoral. E reagem.
Como o PM impediu os “brits” de ir aos “pubs” para a necessária dose de copos, -isto enquanto ele e o seu pessoal em Donwning Street realizavam semanalmente uma confraternização em que lema era “traga a sua bebida”- resulta que para o PM Boris Johnson a coisa não está a correr nada bem.
A oposição, claro, e mesmo os seus co-partidários reagiram. Com isso de copos não se brinca.
Por cá, competência, copos ou não, isso nunca aconteceria.