Três senhoras já com bastante idade, certamente septuagenárias, conversam numa paragem de táxis no Campo Pequeno, em Lisboa. Pela conversa, percebe-se que são viúvas – ou talvez nunca tivessem chegado a casar. Vivem sós. Enquanto aguardam pelo táxi que chamaram por telemóvel, vão trocando impressões sobre as dificuldades que enfrentam no dia-a-dia, às vezes em coisas aparentemente tão simples como o transporte dos sacos de compras de supermercado.
Às tantas, diz uma delas:
– Quem tem um sobrinho tem tudo.
As outras acenam, em sinal de imediata concordância. Talvez por também terem sobrinhos. Ou talvez por não os terem.
NOTA: crónica publicada no blogue Um Homem na Cidade, correspondendo a um amável convite do Afonso Ferreira, a quem pedi emprestada a foto.


Não me parece que o primeiro-ministro concorde com essa tese. Mas, é claro, ele tem quem lhe leve os sacos…
Já não há saco para ele…
Como as melhores crónicas tantas vezes se fazem das coisas pequenas.
Gracias, compadre. É só andar de olhos abertos. E ouvidos também.