Chega a ser chocante a falta de memória histórica em Portugal. Só isso explica que a RTP tenha feito ontem uma entrevista a Freitas do Amaral, a propósito da actual crise na coligação, sem nunca o confrontar com a sua longa experiência nesta matéria. Com efeito, o fundador do CDS foi responsável pelo fim de duas coligações enquanto presidente dos centristas: em 1978, com o PS de Mário Soares, ao fim de escassos sete meses de frágil exercício governativo (abrindo caminho a três executivos de iniciativa presidencial), e outra em 1982, com o PSD de Francisco Balsemão, após 20 meses de um penoso mandato que deixou profundas cicatrizes na direita (e deixando o País à beira do colapso financeiro, o que viria a provocar a segunda intervenção do FMI em Portugal).
Sem ser confrontado com estes factos, Freitas do Amaral lá foi distribuindo ralhetes aos actuais responsáveis políticos por esta “telenovela”, alardeando uma superioridade moral que obviamente não tem nesta matéria. As coisas são o que são.
Leitura complementar: Onde é que já vimos isto?

A memória, Pedro, é pouco apreciada neste país. Não dá jeito, é uma maçada e inconvenientes são as pessoas que a cultivam. Digo-o por experiência. Portanto, subscrevo o teu post na íntegra. Beijos
Obrigado, Patrícia. Sempre pensei que os blogues também servem para isto. Para avivar memórias.
O ar professoral deste sujeito, que está na política desde ANTES DO 25 DE ABRIL, ou seja, durante 4 décadas que nos conduziram ao ponto onde nos encontramos, é extremamente irritante. Mudei logo.
O que mais me irrita é o calendário tão previsível das suas aparições.
Já o povo diz que “Não há, de crise, altura em que o Freitas não mostre a sabedura”.
Se começas a puxar por estes fios onde irás parar? Olha para o meu relógio, estás com sono, com muuuuito sono, um… dois…
De salvadores da pátria estamos todos bem servidos. Nisso ao menos não temos défice. Podíamos até exportá-los para equilibrar a balança de pagamentos.
Boa tarde,
O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.
Atenciosamente,
Catarina Osório
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Obrigado pelo destaque, Catarina.
Na RTP? Mas eles têm a RTP memória! E um arquivo excepcional! Talvez só convinha o ralhete
Pode haver um excelente arquivo. Mas não vale de nada se não souberem utilizá-lo.
Desde que a estratégia deste sr . tomou o lugar da razão,só tem perdido credibilidade ,É pena !
Pena, sobretudo, é que não seja confrontado com o seu passado político.
O problema em relação a Freitas do Amaral, tal como em relação a outros «figurões» e outras «figurinhas» desta moribunda (III) República, não é tanto falta de memória mas sim falta de vergonha.
Quando falo em falta de memória refiro-me aos jornalistas.
Pedro, muitos «jornalistas» também têm falta de vergonha… não é sempre um problema de memória.
Sim, isso acontece em todas as profissões. Mas a ausência de memória existe – e é um pecado mortal no jornalismo. O que não invalida, obviamente, a responsabilidade de FdoA, que não deveria ter concedido esta entrevista. Ele sim, tem memória clara de tudo quanto disse e fez. E sabe que critica hoje noutros o que ele praticou duas vezes no passado. Quem mandou dois governos abaixo devia ter-se abstido cuidadosamente de comentar possíveis quedas de governo. A menos que começasse por fazer um ‘mea culpa’, batendo a mão no peito.