O que Nouriel Roubini disse sobre a crise em geral e Portugal em particular:
O pior da crise já está para trás: recessão acaba este ano.
Uma “tempestade perfeita” pode afectar a economia mundial a partir de 2013. (…) Dívidas da Grécia, da Irlanda e de Portugal precisam de ser reestruturadas o mais rápido possível. Adiar essa decisão pode resultar num processo de default mais desordenado.
A zona euro encaminha-se para uma ruptura, com a saída dos membros mais fracos, incluindo Portugal, com a actual abordagem à crise.
Portugal e Grécia são os países da zona euro com maior probabilidade de abandonar a moeda única, podendo fazê-lo num horizonte de três a cinco anos.
A zona euro é uma fonte de risco sistémico. Se existir uma situação de desordem na zona euro, será pior que o Lehman Brothers.
A Grécia sairá da zona euro, talvez no início de 2013. Portugal também pode abandonar a moeda única.
Hipóteses de Portugal e Grécia saírem do euro é de 85%
Zona euro vai desmoronar-se dentro de seis meses
Se o Tribunal Constitucional chumbar mais medidas no corte da despesa em Portugal, um segundo resgate pode ser inevitável.
A dívida de Portugal precisará de uma reestruturação. A situação de Espanha é insustentável.
O que o mesmo especialista diz agora (teme-se o pior):
A zona euro já está no ponto de viragem no que toca à superação da crise das dívidas soberanas na região e os riscos de um país abandonar o euro são hoje menores. O pior da crise já passou.
Gravura: “quadradinho” do álbum Le Devin, de Astérix (Uderzo/Goscinny)



Um que dizia que havia vida para além do défice declarou hoje que Portugal se encontra perante uma pesada encruzilhada.
Imagino tratar-se de pessoa capaz de confundir uma ampulheta com um astrolábio.
Isso já não sei ao certo. Só sei o que assinalei porque é título de jornal. Quando começa a falar e se enreda em discursos enovelados, intermináveis e sem ponta por onde se lhes pegue, rapidamente desligo.
Eu, quando leio mais uma previsão do Grande Roubini, lembro-me sempre do Grande Houdini. E não só por associação eufónica.
Os comentários de N. Rubini, analisados com referência à data da sua publicação, até não estão mal de todo.
Repare-se que a recente, monumental, reviravolta completa do PR Hollande restabeleceu o indispensável núcleo duro da “Euro”, França – Alemanha, até ali em verificável instabilidade.
Não há nada como um susto na própria casa, “no pun intended “, para levar o PR Hollande a tentar salvar-se, salvando o Euro….
Estes gauleses são loucos.
Heheh.
O “pior da crise já passou” mas as dívidas continuam aumentar…é possível tudo e o seu contrário…
Já passou. Ou talvez não. Porventura e tal. Porém portanto todavia não obstante.
Se eu soubesse alguma coisa de francês, ainda opinava…. mas só falo alentejano.
Noblesse oblige.
Eu não subestimaria Roubini. Conheci-o aquando da sua vinda a Portugal em Setembro de 2013 e fiquei muito bem impressionado com os seus profundos conhecimentos da situação económica mundial. Vi que não tinha sido por acaso que tinha previsto a crise de 2007.
Em relação ao euro, o mesmo tem falhas estruturais que são por todos conhecidas. Só que o facto de o mesmo se desintegrar não depende apenas dessas mas também da vontade política de os países nele permanecerem e da capacidade da sua população suportar os sacrifícios. E essas são imprevisíveis. Quanto a Portugal, Roubini limitou-se a dizer que uma decisão negativa do Tribunal Constitucional aumentaria os riscos de um segundo resgate, o que penso que ninguém contestou.
Em qualquer caso, em Setembro de 2013 Roubini anunciou também que a economia chinesa estava com valores insustentáveis e que iria ter que ajustar em breve. Só não sabia se teria uma aterragem suave ou uma queda abrupta. Vejam agora esta notícia do Financial Times 205a-872c-11e3-ba87-00144feab7de.html#ax zz2riymVnf9
http://www.ft.com/intl/cms/s/0/4e80
Em conclusão, Roubini não é Nostradamus, mas também não é o adivinho de Astérix.
Eu escutei-o atentamente nas Conferências do Estoril, em 2011, e gostei das pistas de reflexão que lançou ao auditório. Acho, no entanto, que se convenceu de que era mesmo um visionário por tanto ter sido incensado em milhares de peças jornalísticas nunca sujeitas a contraditório. Estas coisas, Luís, provocam sempre efeitos secundários em qualquer ego de aquém e além-mar. Relidas hoje, algumas das previsões que fez, em tom tão categórico e calendário anexado, soam a pouco mais do que as eternas catilinárias de Medina Carreira na TVI 24.
Já em 2009… 009/08/07/rubini-confirma-a-previsao-eco nomica-aqui-do-jardim/
http://umjardimnodeserto.wordpress.com/2
Notável. A tal ponto que tomei a liberdade de acrescentar a hiperligação à minha lista. Com a devida vénia.
O que me faz pensar muitas vezes nestas previsões de académicos é que elas parecem-me mais ao serviço de ideologias do que tratamento isento dos factos, não fazem exposição das probabilidades dos vários cenários possíveis e escolhem o que é conforme ao que se adequa ao que defendem para justificarem as suas ideias ou preconceitos.
Certos analistas especializam-se em prever tudo quanto há de pior – e transformam os maus agouros em imagem de marca, Carlos. As más notícias vendem sempre mais do que as boas.
Eu reconheci logo de que história tinha sido tirado o quadradinho do Astérix 😉
Inconfundível, Cristina. Só não a utilizo mais porque depois fica por aqui um fedor a peixe.